SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 18/12/2006
Autor: Miro Hildebrando
Fonte: A Notícia

O pequeno empresário, esse teimoso...

Até meados da década de 70, acreditava-se no paradigma da grande empresa. Roberto Campos mencionava uma música brasileira (possivelmente um samba) que falava sobre "a grandeza de uma estatal" e, de um modo geral, supunha-se que as pequenas empresas eram ineficientes por definição. Um autor anglo-saxão chegou a escrever que elas eram um amontoado disforme na economia, desmerecedoras de atenção de qualquer política ou iniciativa governamental. As políticas eram orientadas para as grandes e conseguir um emprego em uma delas era símbolo de status.

Até que em 1979 um jovem pesquisador descobriu que as pequenas e médias empresas eram responsáveis pela maior parte dos empregos gerados nos Estados Unidos. Foi um alvoroço geral, especialmente entre os políticos. Os europeus, mais prudentes, acabaram descobrindo a mesma coisa em 1985. Pouco mais tarde, o governo americano criou um órgão somente para atender necessidades de treinamento, consultoria e crédito das micro e pequenas empresas (uma espécie de Sebrae gigante, com 40 bilhões de dólares para gastar).

Como ocorre com freqüência, os brasileiros tomaram conhecimento dessas mudanças com a lentidão habitual, e agora o governo sanciona uma lei beneficiando as micro e pequenas empresas (MPEs) do País (as médias estão fora), assim mesmo para valer somente em julho do ano que vem. Finalmente, acordamos para o fato de que as MPEs são responsáveis por perto de 60% da criação de empregos formais (também são responsáveis pela maior parte dos empregos destruídos, mas o saldo final é positivo) e seu número aproxima-se dos 5 milhões. Não se pode esquecer, também, que grande parte da inovação empresarial está nas MPEs e que hoje em dia as grandes copiam descaradamente sua estrutura flexível e ágil.

Como resposta ao menosprezo geral por parte dos banqueiros e da voracidade fiscal dos governos nos três níveis, as micro e pequenas empresas brasileiras estão maciçamente na informalidade; desempregados, aposentados, auto-empregados e empreendedores organizam seus negócios sem registros, sem estrutura, sem controles, e a grande maioria tem pavor da legislação trabalhista (que nossos sindicalistas simplesmente adoram).

Como se pode ver, damos um bom passo, ainda que tardio, com a criação da lei das micro e pequenas empresas. Mas ainda temos esquecida a média empresa, o absurdo spread bancário de 28%, o crédito orientado para o curto prazo, a indiferença das universidades (que teimam em ensinar como se trabalha na General Motors), a inexistência de um sistema contábil automatizado (que possa ser operado diretamente pelo empresário e que está disponível há muito em outras regiões do planeta) e a anacrônica Justiça trabalhista que supõe, em princípio, que em caso de dúvida o réu é culpado.

A lista continua e vai longe. O passo dado agora é importante, mas não basta. Cabe ao governo fazer algumas reformas essenciais, melhorar a infra-estrutura sucateada, vigiar o mercado e punir abusos, estabelecer marcos regulatórios essenciais e, dizem alguns escaldados, atrapalhar menos.


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