SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 22/12/2006
Autor: Gazeta Mercantil
Fonte: Gazeta Mercantil

Empresas responsáveis atraem e retêm talentos

A satisfação dos funcionários está associada à prática de responsabilidade das corporações. Na metade dos anos 1990, um dos argumentos utilizados pelos precursores do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) para convencer as empresas da importância de incorporar o novo conceito aos negócios, era que ele ajudava a atrair e reter talentos.

A satisfação dos funcionários está associada à prática de responsabilidade das corporações. Na metade dos anos 1990, um dos argumentos utilizados pelos precursores do movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) para convencer as empresas da importância de incorporar o novo conceito aos negócios, era que ele ajudava a atrair e reter talentos. Essa idéia, fortemente associada à competitividade, continua a representar uma aspiração da maioria dos gestores de recursos humanos, a quem cabe fortalecer vínculos hoje mais frágeis do que no passado.

À falta de outros benefícios tangíveis, o argumento da atração e retenção de talentos caiu como uma luva. E foi aceito, sem reserva, até porque se respaldava em uma dedução bastante razoável: se questões típicas da RSE como ética, transparência, respeito à diversidade, boas condições de trabalho, preocupação com a comunidade e com o meio ambiente influenciam a visão que o funcionário tem da empresa. Então quanto mais essas idéias estiverem associadas a práticas, mais positiva tende a ser sua percepção e, portanto, maior será o nível de satisfação do funcionário.

O fato é que não se dispõe de nenhum estudo de impacto da RSE sobre o grau de satisfação dos funcionários. Mas pesquisas como a das 'Melhores Empresas Para se Trabalhar', feita pela Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo, para as revistas Exame e Você S/A, demonstram que existe sim uma relação muito importante entre um e outro ponto, ainda que não seja possível saber a sua exata dimensão.

Segundo a metodologia da pesquisa, a responsabilidade social e ambiental compõe, com remuneração e benefícios, carreira profissional, educação, integridade do trabalhador e saúde, um conjunto de seis indicadores relevantes para avaliar a qualidade das práticas de gestão de pessoas.

Resultados
Reunidos, os seis indicadores formam o que os professores Joel Dutra e André Fischer, especialistas coordenadores do estudo, classificam como IQGP - Índice de Qualidade na Gestão das Pessoas. Na média das empresas pesquisadas, o IQGP recebeu uma nota de 52,2 pontos. O item "responsabilidade social e ambiental" ficou abaixo dessa média, com 48,6 pontos, ganhando apenas de "integridade do trabalhador" (30,5). A primeira conclusão possível é a de que há ainda muito a melhorar nessa seara: submetidas a um questionário técnico, as empresas avaliadas, em sua maioria, não passariam de ano na matéria RSE.

Analisando o desempenho das companhias consideradas as melhores para se trabalhar, percebe-se que, nelas, invariavelmente, as notas conferidas à RSE estão acima da média. Na Masa (AM), a primeira colocada, e na Serasa (SP), a terceira, são as notas mais altas entre os seis indicadores.

Provavelmente não seja coincidência. Os dados do estudo não permitem concluir, por exemplo, até que ponto esse fator, isoladamente, contribui para um alto Índice de Felicidade no Trabalho, o índice geral que - segundo a FIA-USP - define a melhor empresa para se trabalhar. Mas um outro ponto específico da pesquisa possibilita ampliar a reflexão. Nas dez corporações mais bem classificadas, o fator "identidade com a empresa" recebe sempre a nota mais alta entre os quatro itens que compõem o Índice de Qualidade do Ambiente de Trabalho.

Na prática, segundo o estudo, isso significa que os seus funcionários se vêem mais afinados com os valores e objetivos da empresa, acreditam que ela contribui para preservar o meio ambiente e melhorar a vida da comunidade, e percebem que trata com eqüidade as partes interessadas.

Não por acaso, alguns desses indicadores alinham-se com os de RSE. Identificar-se com os valores de uma empresa - de acordo com a pesquisa - pode influenciar mais a satisfação de um funcionário do que um bom salário. "O que dá para perceber é que as empresas socialmente responsáveis acabam conseguindo que os empregados se identifiquem mais com elas. Eles sentem mais orgulho de trabalhar na empresa, percebem que ela tem um valor para a sociedade e isso acaba revertendo em valor para eles também", afirma Elza Veloso, consultora técnica da pesquisa.

A professora da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo acredita que as empresas socialmente responsáveis são, de fato, mais atrativas. "As pessoas querem trabalhar em organizações que respeitam as comunidades, são solidárias e oferecem um bom ambiente. Essas companhias servem como uma espécie de espelho para o mercado. As empresas, por sua vez, também acabam buscando gente que acredita nisso", diz Elza, para quem a preocupação com a RSE gera impacto também nos processos de recrutamento e seleção.

Atração
Carmella Carvalho, gestora da área de responsabilidade social da 3M, compartilha da mesma opinião. Para ela, as empresas socialmente responsáveis são as mais desejadas pelos jovens profissionais porque acabam vistas como as mais éticas e as que propiciam um melhor desenvolvimento global. "Eles procuram um lugar ético para trabalhar. Querem estar em organizações sensíveis e preocupadas com as questões que afetam a humanidade. Esperam atuar em empresas que ofereçam uma gestão participativa e aberta", afirma Carmella, que acumula a presidência do Instituto 3M, organização criada para gerenciar as ações sociais da empresa.

Na opinião de Paulo Ivan Campos, gerente de Relações Externas da Albras, o que define a atratividade das empresas preocupadas com a RSE é a qualidade do ambiente que conseguem criar. E qualidade significa mais do que espaços bem equipados e agradáveis. Implica a existência de um "lugar humanizado, com gente satisfeita, feliz e orgulhosa de pertencer à corporação. Apenas as empresas humanas retém os seus talentos e atraem os que estão no mercado. E esse é o melhor investimento que uma organização pode fazer. Recebemos aqui de 40 a 50 visitas diariamente. E todos querem trabalhar aqui", conta o gerente da Albras, empresa localizada em Barcarena (PA).

Questões coletivas
Ambiente de trabalho humano, com gestão ética, respeito às diferenças, espírito de cidadania e estímulo à aprendizagem contínua. É esse conjunto de atributos que, na opinião de Wagner Celeste, da (CPFL Energia), atrai os novos profissionais. O executivo tem um ponto de vista muito particular sobre o impacto da RSE na vida das empresas e dos funcionários. Em sua análise, a cultura de responsabilidade social resgatou o interesse das pessoas pelas questões coletivas, perdido em decorrência da ascensão do individualismo cultuado pelo mercado. "As pessoas hoje reconhecem a importância da cooperação nas ações cotidianas de uma empresa. E também o quanto isso andava fazendo falta. Nesse sentido, entendo que os colaboradores estão, sim, muito mais felizes com essas práticas", afirma Celeste, gerente de recursos humanos da CPFL.

Na Accor, a Responsabilidade Social Empresarial exerce inegável impacto no nível de satisfação dos seus 30 mil funcionários. Segundo Jean-François Hue, gerente de Comunicação Corporativa e Desenvolvimento Sustentável do grupo, a maioria dos colaboradores reconhece os esforços da empresa na educação profissional e também valoriza mais as ações de responsabilidade social. "Muitas delas foram idealizadas e iniciadas pelos próprios colaboradores. Cabe ao nosso Instituto Accor apoiar, promover, multiplicar e coordenar essas ações", admite.

Na opinião de Hue, as práticas de RSE se encaixam nas crenças do profissional deste início de século. "A sociedade tem evoluído muito. E o colaborador também. Não podemos esquecer que ele exerce vários papéis simultâneos: é consumidor, formador de opinião e cidadão preocupado com o desenvolvimento sustentável da nação e do mundo", diz.

Sensibilidade
O que talvez mais atraia os profissionais para as empresas socialmente responsáveis é o fato de que suas práticas, suas crenças e a sua gestão recuperam aspectos humanos que se perderam com o crescimento das companhias. A maioria dos executivos entrevistados por IdéiaSocial concorda que o mundo corporativo mudou com a ascensão do conceito de RSE. Modelos de gestão que, até a década de 1980, soariam ingênuos ou mesmo alternativos, hoje são aclamados. É o caso da Serasa.

Creia-se ou não no poder de sua filosofia, ela é um exemplo de coerência. E um símbolo desses tempos em que sensibilidade rima com competitividade. "Não temos funcionários, porque nossos colaboradores não vêm à empresa para cumprir uma função. Para nós, cada um é um 'Ser Serasa', conceito que está contido na idéia de um modelo de gestão em que empresa e pessoas são uma coisa só. Cada um é a empresa inteira e essa é o resultado da somatória de todo mundo", prega Elcio Aníbal de Lucca, presidente da companhia. Para justificar a sua tese, tem um argumento forte: "Na empresa, cada Ser Serasa é um cidadão com responsabilidades.
E ele sabe que precisa trazer resultados para o acionista, que deve ser responsável em sua ação para não prejudicar o meio ambiente, que precisa tratar adequadamente os fornecedores", diz.


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