SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/12/2006
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

A economia e o comércio em 2007

Mesmo diante de um cenário econômico positivo, o faturamento real do comércio cresce de forma raquítica.

O ano de 2006 não foi brilhante nem para a economia brasileira nem para o desempenho do comércio. Na economia, a situação é paradoxal. Resultados positivos como os superávits na balança comercial (US$ 44 bilhões) e nas transações correntes (US$ 14 bilhões), aliados a uma inflação que não passou dos 3% (bem abaixo do centro da meta fixada pelo governo, de 4,5%), figuram ao lado do esquálido crescimento, que há mais de duas décadas não sai da média de 2,5% ao ano. Enquanto isso, o mundo cresce há quatro anos consecutivos a taxas anuais entre 4,5% a 5%.

Esses números significam que a política econômica adotada no Brasil, nos últimos anos, privilegiou o equilíbrio macroeconômico em detrimento do crescimento da renda, suscitando uma dúvida: equilibrar e crescer são metas incompatíveis? Não. A resposta para esta questão básica deve ser bem explicada: fatores como rigor fiscal, controle da inflação, câmbio flutuante e independência de ação do Banco Central são necessários para o crescimento, mas não são suficientes nem estão acima de qualquer suspeita.

Por exemplo, o equilíbrio fiscal vem sendo obtido por um abusivo aumento da carga tributária, sem o devido esforço do setor público em cortar gastos e gerir melhor seus recursos.

Já a política monetária, justa na fórmula, extrapola na dose, pois o elevado patamar da Selic revela-se exagerado em relação ao necessário para a conter a inflação, resultando numa valorização do real que conspira contra a competitividade das nossas exportações.

Além dessas correções de rumo, o que falta para o País crescer a 5% de forma continuada? Basicamente duas coisas: investimentos e reformas. Com a taxa de investimento verificada nas duas últimas décadas, entre 18% e 20% do Produto Interno Bruto (PIB), não se pode aspirar mais do que o nosso triste vôo de galinha.

Mas esta taxa não chegará aos indispensáveis 25% sem as reformas (tributária, trabalhista, previdenciária) e sem a superação dos entraves burocráticos e de infra-estrutura, que estimulem a poupança interna e privilegiem o capital produtivo nacional e estrangeiro.

Assim, as expectativas de que 2007 venha ser o ano da virada no jogo do crescimento estão vinculadas ao avanço destas reformas, único caminho para oxigenar o ambiente fiscalista e burocrático que inibe o investimento privado e permitir que o investimento público ultrapasse o ínfimo 1% que têm sido o seu limite.

Quanto ao comércio, o crescimento da renda entre 3% e 4% verificado em 2006, somado aos 15% de aumento real no volume de crédito, permitiu uma expansão das vendas no ano passado entre 3% e 4%. Embora esse desempenho tenha superado as nossas previsões iniciais - que eram de repetir o crescimento de 2,8% verificado em 2005 - não foi suficiente para gerar otimismo em relação a 2007. Isto porque, em novembro, o nível de endividamento dos consumidores chegou a 61%, sendo que 43% dos que contraíram dívidas estavam com o pagamento atrasado.

Outro dado apurado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Fecomércio chama a atenção: 33% informavam que não tinham como saldar o débito. Em novembro de 2005 esse índice era de 19%.

Mesmo diante de um cenário econômico positivo sem precedentes, tanto interno quanto externo, o faturamento real do comércio cresce de forma raquítica e com grande assimetria entre os diferentes segmentos do varejo.

Em 2006, a recomposição da renda se mostrou mais relevante do que o crédito como propulsor das vendas, favorecendo, dessa forma, os setores que são ligados ao consumo de bens essenciais, como é o caso dos supermercados, que em 2005 tinham registrado crescimento negativo em 11 dos 12 meses do ano.

A despeito das variáveis potencialmente positivas - inflação em baixa, crédito farto e melhoria da renda - o alto nível das taxas de juros continua impondo um limite à expansão do consumo.

Apesar do ciclo de queda da Selic ter começado em setembro de 2005, os efeitos da redução não chegaram ao consumidor, o que evidencia a necessidade de o governo adotar medidas para estimular a competição bancária e favorecer a queda da taxa.

Em resumo, por todos os fatores mencionados, mais o aumento real do salário mínimo que será inferior ao praticado pela generosidade eleitoral do ano passado, em 2007 o crescimento do comércio varejista na região metropolitana de São Paulo deve se limitar a 3%, a não ser que sejamos agradavelmente surpreendidos pelo deslanchar das reformas.


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