SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 28/02/2007
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Taxista atento mostra que gestão contábil dá resultados

Daniel Fernandes Macieira é gestor de seu próprio negócio.

Zeloso por ele, segue à risca os princípios contábeis. O da entidade, separando as contas da pessoa física da jurídica; o da prudência, procurando reconhecer pelo menor valor os componentes do ativo e as receitas, e pelo maior valor os do passivo e as despesas; o da competência, com as receitas e despesas sendo contabilizadas no período em que ocorrem. Há também o balanço, registrado em um livro-caixa, com os bens e direitos (ativo) de um lado, e as obrigações a pagar e o patrimônio líquido do outro (passivo).

"Jamais deixo o custo fixo ultrapassar o faturamento-piso que eu tenho, que acontece em janeiro. A cada 30 meses, injeto parte do lucro na aquisição patrimonial, que faço 50% com capital próprio e 50% com financiamentos", reporta o microempresário.

O perfil de Macieira é igual ao de muitos empreendedores, só que com algumas peculiaridades. Ele estudou só até a 5ª série do ensino fundamental e sua empresa é, na verdade, o táxi que dirige pelas ruas de São Paulo. O motorista aprendeu o que sabe na prática. Contribuíram os 12 anos ajudando na adega da família, onde aprendeu a manejar um caixa. Depois em mais dois anos como motoboy, quando abriu mão do contracheque para ganhar mais gerindo o próprio serviço. Finalmente, como taxista, profissão que exerce há 8 anos, registrando tudo no papel - na ponta do lápis.

Macieira organiza suas contas baseado no quilômetro rodado. "Cada quilômetro que eu rodo, custa, em média, R$ 0,15 em manutenção e documentação do carro, mais R$ 0,15 em insumos (combustível). Minha meta é conseguir R$ 1,30 por quilômetro, mas a média tem sido de R$ 1 por quilômetro", diz o taxista-contador. E como valorizar o quilômetro rodado? Corridas com trânsito livre desgastam menos o carro e consomem menos combustível. Ficar parado no tráfego custa mais caro para o passageiro e para o taxista ("só gosta de trânsito taxista que não faz conta"). Andar a esmo à procura de clientes traz a pior relação custo-benefício, ensina ele.

Para chegar ao valor de custo de manutenção de R$ 0,15 por quilômetro (km), Macieira gastou a calculadora. Nele está embutido tudo o que um veículo necessita para manter-se rodando. "Os pneus, por exemplo, duram 60 mil km. A um custo médio de R$ 900, respondem por R$ 0,015/km do custo total", calcula. E vale o mesmo para todas as demais peças. Pastilhas de freio, amortecedores, óleo, tudo tem preço calculado e inserido nas obrigações da empresa móvel de Macieira.

Para manter o negócio com capital de giro e sempre crescendo, o taxista criou seu fundo de manutenção, intocável para qualquer despesa pessoal, não juntando suas contas às do carro. A cada 30 meses, quando este custo começa a aumentar muito, o automóvel é trocado por um de maior valor, "fazendo com que o patrimônio jamais deixe de aumentar". Ele começou com um Corsa usado. Agora já está com um Meriva, o terceiro carro zero-quilômetro que adquire, sempre pagando metade à vista e financiando o restante.

É claro que o sucesso do empreendimento não depende somente de técnicas contábeis de controle, e é por isso que Macieira, como a maioria dos taxistas de São Paulo, trabalha mais de 10 horas por dia. É inegável, porém, que conhecer minuciosamente as fontes de receitas e despesas de um negócio colabora para o seu sucesso.

"Nossa grande luta á para passar aos microempresários as noções básicas de faturamento, lucro, balanço. Para saber se um empreendimento está valendo a pena, há que se ater às minúcias do dia-a-dia, às características do trabalho que se exerce, reconhecendo por onde o dinheiro está entrando e por onde está saindo", prega Gilberto Rose, consultor de orientação empresarial do Sebrae-SP, que completa dizendo que utilizar índices de controle para as finanças pessoais é outra boa medida, que ajuda a não deixar o valor do que se gasta ultrapassar o do que se ganha.

Na vida familiar, Macieira aplica os mesmos preceitos. É contabilizado o que se consome com energia, água, telefone e até a com mesada dos dois filhos, um de seis e outro de oito anos. Este custo, aliás, é variável. "O garoto mais velho recebe R$ 5 todo domingo. Se na semana seguinte ele me mostrar de volta estes R$ 5, recebe R$ 10. Assim eu lhe ensino a poupar e o valor do dinheiro."


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