SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 05/03/2007
Autor: Camille Csrdoso
Fonte: A Notícia

Não caia na síndrome do homem-máquina

Tecnologias agilizam tarefas, mas não diminuem jornada

A intenção era das melhores, exatamente como aquelas das quais o inferno está lotado. Celulares, pagers, notebooks, palms e internet tinham tudo para facilitar a vida e fazer você ganhar tempo livre, mas... Acabaram fazendo você trabalhar mais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 606 mil catarinenses trabalham mais de 49 horas semanais.

Um dos motivos para tanto é o uso desses aparelhinhos que para muitas pessoas valem quase como extensões do corpo. O resultado dessa simbiose? O brasileiro não se despluga do trabalho nem nas horas vagas. E o que é mais interessante, não parece se importar com isso.

"Celular, internet e toda essa aparelhagem intensificam o relacionamento entre as pessoas, seja no afeto ou na cobrança", afirma o psicólogo Roberto Moraes Cruz, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para o psicólogo, contar a jornada de trabalho por horas não é suficiente hoje em dia, quando o tempo dedicado ao serviço é cada vez mais subjetivo.

"A tecnologia diminuiu a necessidade de esforço físico e a jornada até diminuiu nas últimas décadas. Mas o contrário ocorre com o tempo de trabalho", diz. Cargos de mais responsabilidade tendem a ser mais estressantes e exigem que o profissional se mantenha conectado com a empresa quase o tempo todo.

Na teoria, o publicitário e designer Adriano Ferreira, de Joinville, trabalha oito horas por dia. Mas o tempo dedicado ao serviço vai muito além disso. "Estou sempre pensando no trabalho e levo meu notebook onde quer que eu vá." Ele já perdeu as contas das vezes em que levou o aparelho para a praia, durante as férias, para concluir um projeto urgente. A noiva, Amanda Gonçalves, afirma que é cena comum vê-lo falando ao celular e trabalhando no computador ao mesmo tempo.

Muitas vezes, a responsabilidade e o salário justificam o estresse. Dois celulares - um para uso pessoal e outro a trabalho - e uma série de artifícios para impedir que as baterias acabem são a rotina do gerente de comunicação do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de Santa Catarina (Sebrae/SC), Spyros Diamantaras.

Ter de atender a muitas ligações diariamente não é um fator de estresse para o gerente, que vê a tecnologia como uma facilitadora. "O meu escritório é o celular, mantê-lo ligado é uma condição de sobrevivência", diz.

Além dos aparelhos, dois acessórios são essenciais para Diamantaras: o carregador veicular de bateria e o fone de ouvido. A única situação em que os recursos de nada valem é em regiões em que o sinal de telefonia móvel não pega. "Daí eu me sinto fora do planeta", brinca.

É possível permanecer desplugado

O salário pode compensar, mas o corpo tem um limite, e costuma mandar avisos quando a estafa está para chegar. "É visível quando a pessoa passa a sentir que permanece ligada durante o sono, ou não consegue deixar de checar o e-mail a cada cinco minutos", diz o psicológo Roberto Moraes Cruz, da UFSC.

Atente se anda esquecendo os nomes de pessoas e compromissos que acabou de marcar, ou tem tido dificuldades em se concentrar. Aumento do grau de sensibilidade - a pessoa se irrita ou chora facilmente - também é sinal de estresse.

Quem chega a esse ponto passa a perder produtividade, devido ao acúmulo de informações. "O tempo lógico, racional, tem um limite. Ninguém pode permitir que a tecnologia o ultrapasse", afirma Cruz.

Uma boa explicação de por que tantas empresas dispõem de cargos que pedem o comprometimento total, mantido por meio de celulares e pagers, é a economia. "É mais barato para uma empresa ter um custo fixo com um funcionário, mesmo que isso peça um adicional, do que contratar outro funcionário para cobrir todos os horários", explica o economista José Álvaro Cardoso, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese/SC).


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