SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/04/2007
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

Ajuda que vem do céu

Investidor-anjo auxilia novos empresários inovadores na gestão financeira e operacional da empresa

Eles têm mais de 40 anos, dinheiro, são bem-sucedidos e possuem conhecimento sobre o mercado e suas estratégias. Para os empresários que pretendem abrir uma empresa ou expandir os negócios, eles estão dispostos a ajudar, investindo e repassando experiência. O perfil, traçado por Ernesto Weber, da Gávea Angels, são dos investidores-anjo, pessoas que investem recursos próprios em empreendimentos que sejam rentáveis e inovadores. De acordo com ele, esse aporte financeiro visa à troca de participação societária temporária, associada a uma expectativa de ganho de capital compatível com o risco assumido.

Weber explica que o objetivo não é ter o controle do negócio e, sim, ter uma participação importante. "O investidor-anjo dedica seu tempo para a empresa, ajudando no planejamento, nas estratégias de marketing, no controle de processos, enfim, atua como um conselheiro. Por isso, é necessário que haja sinergia entre esse investidor e o empreendedor", ressalta.

Na Gávea Angels, associação privada que, atualmente, tem quinze associados, o processo seletivo das organizações que serão beneficiadas segue um rigoroso rol de requisitos. Weber destaca que a seleção inclui apresentação do plano de negócios, o qual será analisado pelo Comitê de Operações; reuniões de sabatina; e avaliação da proposta.

"O empreendimento tem que estar em um raio de 200 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, pois o investidor precisa estar próximo do projeto. Além disso, o limite de investimento é de, no máximo, R$ 1 milhão e o tipo de negócio é minuciosamente pesquisado. Dificilmente investimos em franquias ou no setor de gastronomia, por exemplo, pois buscamos produtos ou serviços inovadores. Projeto de TI (Tecnologia da Informação) e de biotecnologia são os que mais atraem nossa atenção", explica Weber.

Expansão. Para André Figueiredo, diretor da Publit, editora focada no mercado científico, a entrada de investidores-anjo foi fundamental para o crescimento da empresa. Ele diz que havia a percepção da necessidade de expansão e que, no Brasil, buscar aporte nos bancos é gerar capital de risco. "Um grupo de anjos estava dentro do que queríamos, até porque o valor de investimento que buscávamos não era grande. Com a entrada dos recursos investimos nas áreas de marketing e vendas e em infra-estrutura. Com isso, nossa receita, no ano passado, foi 50% superior a de 2005", observa o empresário.

A Publit recebeu a acolhida de quatro investidores-anjo que, além de injetarem recursos financeiros, atuam como um conselho de administração. "Eles agregam valor à empresa, pois possuem um olhar crítico, focado em estratégia e nos pontos que precisam ser aperfeiçoados. É mais um fator de cobrança em relação à profissionalização global da corporação. Daí a importância deles. Não são apenas pessoas que trazem dinheiro, mas que, principalmente, trazem experiência", opina Figueiredo.

Cuidados. O consultor Francisco Barone, coordenador do Programa de Estudos Avançados em Pequenos Negócios, Empreendedorismo e Microfinanças (Small) da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ), aponta que, apesar dos benefícios, a escolha de um investidor-anjo requer alguns cuidados. Ele orienta que é preciso verificar se o profissional possui segurança jurídica, gerando, assim, maior confiabilidade. Ainda assim, o contrato precisa ter cláusulas bem determinadas, com a atuação de cada parte, e, principalmente, trazer as condições de saída do investidor no futuro. Bons investidores, diz ele, são encontrados nas empresas tradicionais ou nas universidades que, muitas vezes, possuem empresários com perfil de anjo.

Na opinião de Barone, a busca por um investidor-anjo é mais vantajosa para quem quer abrir um negócio, mas não possui estrutura de capital. "Se o empreendedor tiver recursos não precisa de um sócio. Só vale a pena buscar um investidor-anjo se não houver capital suficiente ou um sócio que complemente a capacidade de gestão. No caso de uma empresa que já seja constituída, os recursos via financiamento são mais vantajosos, pois as taxas são baixas. É melhor do que ter um sócio na estrutura de capital", afirma o consultor.

A Brazil Pass é um exemplo de empresa que buscou o investimento de um anjo para iniciar as operações. Com sete meses de mercado, os recursos investidos já alcançam o equilíbrio, conforme festeja o sócio-diretor Lauro Velho. "A receita já sustenta os custos mensais. Começar do zero e maturar costuma ser um processo demorado, mas estamos superando expectativas. Quando comecei o sonho de abrir o negócio, busquei informações sobre investimentos e, ao descobrir os anjos, apresentamos o planejamento a duas sociedades. Em 2006, conseguimos o capital-semente, como gosto de chamar", diz ele.

Processos. Todos os processos de abertura da empresa foram bem estudados e pesquisados para garantir a viabilidade do negócio. Velho acrescenta que, se não tivesse partido para o investimento via anjo, certamente a Brazil Pass não estaria no mercado. "Essa é a melhor forma de financiamento que existe. Não só pela questão financeira, mas também pela operação pente fino que temos que passar. O risco é mínimo, o que não acontece quando se recorre a uma instituição bancária", ressalta ele.

Na PV Inova, o know-how e os recursos vindos de um investidor-anjo também foram determinantes para o nascimento da empresa. Responsável pela instalação de telefones públicos em veículos de transporte coletivo, a empresa existe, há dois anos, com projeto de expansão de serviços. "No Brasil é difícil conseguir verba institucional para financiar um projeto em estágio embrionário. E é para preencher esse vácuo que existe o investidor, que participa do dia-a-dia das empresas", destaca o empresário.

Para atender a uma demanda de mercado cada vez mais crescente, a Bizvox, de Flávio Osso, buscou o investimento-anjo, após quatro anos de operação. O sócio-fundador da empresa explica que estava na hora de expandir a empresa e os serviços oferecidos por ela. "Precisávamos de fôlego para galgar passos mais largos. Apresentamos o plano de expansão para a Gávea Angels que se interessou e, hoje, possibilita a seqüência aos projetos. A entrada deles ajudou, inclusive, a captarmos clientes de portes que não imaginávamos alcançar", comemora ele, acrescentando que, em termos de faturamento, também houve crescimento significativo.

Como conquistar um investidor-anjo

Entenda seu negócio: mostre que você pensou sobre o que irá oferecer aos clientes. Demonstre motivação: mostre um compromisso real com o projeto e demonstre a sensação de que esta é uma oportunidade boa. Seja aberto: ser desnecessariamente circunspecto sobre seu negócio pode causar uma má impressão. Identifique os riscos: uma avaliação honesta da concorrência cria credibilidade. Procure uma parceria de verdade: uma boa química e compatibilidade são ingredientes importantes no desenvolvimento e manutenção de uma parceria forte e duradoura.

Fonte: Bob Kagle, sócio da Benchmark Capital.


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