SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/08/2007
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

A fúria que mata

Pessoas de temperamento hostil e irritadiço têm mais chances de morrer antes dos 50 anos por doenças cardíacas

Se você é do tipo que se irrita com facilidade e costuma explodir diante dos percalços cotidianos, acalme-se e leia esta reportagem.

Preste atenção no que especialistas têm a dizer: pessoas do seu tipo, de temperamento hostil, têm cinco vezes mais chances de morrer antes dos 50 anos por doenças do coração.

Um dos pioneiros no estudo da relação entre raiva e doenças cardiovasculares vem a Porto Alegre nesta semana. O psiquiatra americano Redford Williams, autor do best-seller Anger Kills (A Raiva Mata, em tradução aproximada), participou do 7º Congresso da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A Isma é a mais antiga associação internacional voltada à pesquisa e à prevenção do estresse no mundo.

Williams é professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Duke University (Estados Unidos) e diretor do Centro de Pesquisa de Medicina Comportamental. Em entrevista, Williams afirma que o sistema nervoso da pessoa agressiva funciona de maneira diferente.

- Esses indivíduos, quando começam a produzir adrenalina em excesso, mantêm-se alterados por muitas horas e tendem a se relacionar com o mundo externo de maneira diferente - diz o psiquiatra, que também é presidente da Sociedade Internacional de Medicina Comportamental.

O que ele e outros pesquisadores da área afirmam é que, quando associada com alta ingestão de calorias, a raiva aumenta a probabilidade de infarto aos 45 anos. A agressividade provoca uma descarga constante de adrenalina, noradrenalina e cortisol.

Manter-se calmo faz bem à saúde

Com o tempo, esses hormônios causam pequenas lesões na parede do vaso sangüíneo, criando um ambiente propício para o surgimento da placa de gordura (aterosclerose), que entope as artérias e provoca o infarto do miocárdio. As chances de o ataque cardíaco ocorrer mais precocemente aumentam quando já há gordura acumulada no vaso. A descoberta dessa íntima relação entre agressividade e morte também sepulta uma idéia muito presente no senso comum: a de que botar a raiva para fora faz bem à saúde.

- Manter-se calmo faz bem à saúde. Quem explode de raiva agride a si próprio. Existem pelo menos dois estudos mostrando que o explosivo raivoso morre mais de infarto do que o engolidor de sapo. O equilíbrio está em fazer valer nossos direitos sem agressões de parte a parte - ensina o cardiologista Fernando Lucchese, professor da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas e autor do livro Fatos e Mitos Sobre sua Saúde (LePM Pocket, 144 páginas).

"Os efeitos são cumulativos"

Entrevista: Redford Williams, psiquiatra professor da Faculdade de Medicina da Duke University (EUA) e Diretor do Centro de Pesquisa de Medicina Comportamental

Pessoas hostis e irritadiças têm cinco vezes mais chances de morrer de infarto antes dos 50 anos. Essa conclusão é do autor do livro Anger Kills (A Raiva Mata), que participou do 7o Congresso de Stress da International Management Association no Brasil (Isma). Confira a seguir os principais trechos da entrevista concedida por e-mail em que Redford Williams detalha como a agressividade causa danos ao coração:

Diário Catarinense - Quando e de que forma os médicos se deram conta de que a raiva aumentava o risco de desenvolver uma doença cardíaca?

Redford Williams - Essa idéia teve origem na pesquisa nos anos 1970 que identificou o comportamento Tipo A e sua relação com doenças do coração. Pessoas do Tipo A são preocupadas, raivosas, ambiciosas e, por esse motivo, sofrem mais infartos.m

DC - Quanto tempo leva até a pessoa raivosa perceber os efeitos nocivos no organismo?

Williams - Os efeitos danosos da raiva crônica para o organismo são cumulativos. Leva anos para a raiva se transformar em angina (dor no peito) e levar a um ataque cardíaco. Mas os sinais começam a aparecer na idade dos 40 anos e início dos 50 anos. O sistema nervoso induz a secreção de adrenalina no sangue e para vários órgãos, obrigando o coração a bater mais rápido para transportá-lo. Isso também mobiliza os depósitos de gordura, usados para prover energia para atitudes agressivas, o que causa danos às artérias e cria um ambiente propício para o acúmulo de gordura. Com o tempo, essa placa pode obstruir a artéria, impedindo a passagem do sangue e ocasionando o infarto.

DC - É possível tornar-se uma pessoa mais calma para evitar danos ao coração?

Williams - Há uma pesquisa mostrando que pessoas mais hábeis em lidar com o estresse e com as situações que causam raiva são capazes de reduzir tanto os níveis de agressividade quanto a pressão arterial. No entanto, não existem evidências de que isso evitaria um infarto e a morte porque ainda não temos estudos de longo prazo.

Agressividade está presente em todas as idades

Uma pesquisa inédita realizada em Porto Alegre e em São Paulo revelou que a agressividade está presente em pessoas de todas as idades e profissões. Após entrevistar mil indivíduos entre 25 anos e 60 anos, de ambos os sexos, constatou-se que 47% deles tinham personalidade agressiva.

Do grupo dos agressivos, 92% admitiram sentir dores musculares. A pesquisa também descobriu que 54% deles tomavam remédios para controlar esse comportamento.

- Eles sentem os reflexos desse temperamento no organismo - diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), que realizou a pesquisa.

É consenso entre especialistas que a atribulada vida moderna disseminou a agressividade. Segundo o cardiologista Fernando Lucchese, a disputa por lugares para estacionar, por mesas em restaurantes, por lugar na fila do banco faz com que tenhamos de enfrentar diariamente conflitos que no passado não existiam. Algumas pessoas até vêem vantagens em ter esse tipo de comportamento. A presidente da Isma-BR afirma que é comum pessoas irritadiças atribuírem o sucesso em algumas ocasiões ao fato de não levarem desaforo para casa:

- Pessoas com essa característica não percebem isso por conta própria. Está tão enraizado esse jeito de ser que não se dão conta. Até acreditam que ser agressivo ajudou a ser atendido mais depressa.

O que os médicos descobriram há muito tempo é que esse modo de agir cobra o seu preço. E eles sabem disso há pelo menos três séculos. O primeiro estudo que relacionou raiva com o infarto data do século 18. Sabendo que as palpitações e a ansiedade que sentia quando algo o irritava tinham efeitos nefastos para o seu coração, o médico inglês John Hunter profetizou: "Minha vida está na mão de qualquer salafrário". Ele estava certo.

Depois de sair exasperado de uma reunião, Hunter teve um colapso e morreu. No século seguinte, o pesquisador inglês John Williams aprofundou as pesquisas de seu antecessor e se dedicou a detalhar como sentir mão fria, palpitações e falta de ar era comum a pessoas irritadiças. Williams dizia que a vítima da angina (dor no peito) era aquela que estava sempre ajustada na voltagem total.

Há três anos, o Interheart, maior estudo realizado até hoje sobre os fatores de risco para doenças cardíacas, constatou que o estresse emocional é mais perigoso que o diabetes. Publicada na revista científica The Lancet, a pesquisa comparou o impacto das adversidades e das preocupações na vida de mais de 11 mil pessoas que sofreram infarto e comparou com os resultados de 13 mil sem a doença.

Especialistas afirmam que o estresse tem efeitos tão nefastos quanto fumar e ter colesterol elevado. Não é à toa que, quando questionadas, as próprias vítimas dos colapsos cardíacos põem a culpa no excesso de preocupações.

Mas como parar de se estressar? Essa definitivamente não é a pergunta certa. A sabedoria está em saber com o que vale a pena gastar a sua saúde.

- Para reduzir o nível de agressividade é preciso avaliar racionalmente as situações e decidir se é melhor agir para mudar a situação ou agir para mudar sua reação frente a ela - recomenda o psiquiatra Redford Williams, autor do livro Anger Kills.

Situações triviais como ficar parado em um congestionamento, diz Williams, não merecem atenção porque não podem ser modificadas. Logo, não desperdice sua raiva, ensina Williams. Além disso, acrescenta o psiquiatra, é importante cultivar boas relações. Saber ouvir, ser solidário e ter empatia com os outros são atitudes de duas vias: fazem bem para quem está sendo ajudado e para você mesmo.

Você é uma pessoa raivosa?

1) Abandona o local se uma pessoa que chegou depois de você é atendida primeiro?

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2) Esbraveja se a fumaça do cigarro de um fumante vem na sua direção?

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3) Ofende um vendedor que insiste para você levar uma mercadoria que não quer?

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4) Revida quando um motorista corta a frente do seu carro?

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5) Exalta-se quando a pessoa com quem você marcou um encontro se atrasa?

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6) Irrita-se se alguém segura o elevador mesmo quando não está com pressa?

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7) Xinga o dono do cachorro que não limpou o cocô que o totó fez na frente do seu prédio?

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8) Grita com o despachante que lhe comunica que seu vôo foi cancelado?

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9) Vai embora se é atendido num restaurante por um garçom mal-humorado?

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10) Parte para a briga se alguém discorda do seu ponto-de-vista?

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Responda aos itens abaixo pensando como reage normalmente, sendo:

1= Raramente 2= Às vezes 3= Freqüentemente

Pontuação

Até 12 pontos: você está em controle das suas emoções.

De 13 a 21 pontos: observe como reage aos estímulos,identifi que as situações que servem de gatilho para você se descontrolar e pratique maneiras mais
eficientes de reagir a elas.

Acima de 21 pontos: você está se deixando manipular pelo mundo a sua volta. Avalie a razão de estar reagindo de forma tão freqüente a essas situações e pratique técnicas de autocontrole. Também verifique como anda a sua auto-estima. Talvez esteja precisando ser vitaminada. E lembre-se de que a raiva é um passaporte para a morte prematura.

Fonte: Ana Maria Rossi, Ph.D., presidente da International
Stress Management Association no Brasil (Isma-BR)


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