SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 13/08/2007
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

"O nosso agronegócio é exemplo"

Filho de agricultores, Neivor Canton teve seu primeiro contato com o campo trabalhando para ajudar a família.

Se envolveu tanto com o setor que nunca o deixou de lado, nem mesmo quando, por quase 12 anos, dedicou-se à vida pública, entre 1977 e 1988, como vice-prefeito e prefeito do município de Ipumirim, próximo a Concórdia, no Oeste do Estado.

Antes de assumir a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), há quatro anos, foi dirigente da Cooperativa de Produção e Consumo de Concórdia (Copérdia), por 16 anos, de onde só saiu para assumir uma diretoria na Coopercentral Aurora, acumulando a função à frente da Ocesc.

Aos 52 anos, Canton ainda participa da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (Fecoagro) e preside o Conselho do Serviço de Aprendizagem de Cooperativas.

Com tanta experiência no setor, Canton se orgulha de seguir o exemplo de Auri Bodanese, pioneiro em levantar a bandeira do cooperativismo no Estado.

- Bodanese, sem dúvida, é um Norte para todos e muito nos inspira, mesmo não estando mais entre nós, pela sua correção e convicção no cooperativismo - afirma.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Neivor Canton ao Diário Catarinense na sexta-feira passada, por telefone.

Cooperativismo

- Santa Catarina tem o cooperativismo mais plural do Brasil, pois são contempladas várias áreas, não só no setor agropecuário, mas também no crédito, infra-estrutura, saúde, trabalho, educação, consumo, ramos habitacional, mineral, especial, de transportes e turismo. Todas as atividades econômicas podem ser desenvolvidas pela via do cooperativismo. Acredito que cada vez mais esta ferramenta será utilizada. Os países mais desenvolvidos são justamente os que mais utilizam o cooperativismo, porque é uma prática democrática, com distribuição de renda e na qual a educação é um dos princípios básicos.

Desenvolvimento

- O cooperativismo pode ser a solução para o desenvolvimento porque é uma ferramenta que tem nas pessoas o seu objetivo maior. Exige educação para o convívio em sociedade. A partir de uma idéia, as pessoas se reúnem e transformam isso num negócio, gerando crescimento econômico. Agora nossa luta é por cooperativas auto-sustentáveis. Não se trata de filantropia ou caridade, como muita gente pode pensar. No país, o setor responde por 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Em SC, é o dobro.

Ideologia

- O cooperativismo existe há mais de dois séculos no mundo. Mas ainda é uma grande descoberta para as sociedades do futuro, porque tanto o capitalismo, quanto o socialismo, podem convergir para o cooperativismo. O grande capital, claro, nunca vai aderir ao cooperativismo. Isso porque o capitalismo gera riquezas mas não sabe distribuir estas riquezas para a população de um modo geral. Enquanto o socialismo prega a distribuição de renda mas não sabe como gerar riqueza. O cooperativismo é uma ideologia que faz as duas coisas. Mas esta demora em aceitar o cooperativismo é natural porque existem correntes ideológicas milenares e as cooperativas são as filhas caçulas.

Cenário

- O agronegócio de Santa Catarina é o mais bem desenvolvido do país. É o berço de grandes empreendimentos, fruto da somatória de pequenos produtores que, alinhados a empreendedores, fazem de Santa Catarina o verdadeiro exemplo do agronegócio nacional. O setor lida com o enorme desafio de ser eficiente num cenário, muitas vezes, adverso.

Guerra fiscal

- Precisamos também de condições tributárias adequadas para o setor do agronegócio. Isso porque outras unidades da federação brasileira, que querem desenvolver o agronegócio, oferecem atrativos e existe um movimento de migração para outros estados, principalmente da região Centro-Oeste do país. Isso é guerra fiscal e estas regiões realmente tem potencial considerável. Portanto, nós aqui precisamos ter estratégias, estímulos para nortear o agronegócio de Santa Catarina. O agronegócio deve estar a serviço das pessoas e não o contrário. O compromisso é com as pessoas e os produtores da base catarinense.

Governo Federal

- O governo tem se limitado a discutir a adotar políticas que são resumidas no plano de safra. O último avanço que houve foi quando se criou o Pronaf (Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar). Fora isso, o crédito é escasso e chega em momentos inadequados. Mas são distorções que vem melhorando a cada ano e podem ser aprimoradas ainda mais.

Governo Estadual

- Com cada um dos governos estaduais, o agronegócio sempre conseguiu diálogo, aliás bastante intenso. E o setor tem colaborado também com o Estado. A iniciativa privada foi grande parceira do Estado, por exemplo, na questão sanitária. As agroindústrias são vigilantes e ajudam o governo a superar problemas. Mas o governo do Estado sempre tem alegado limitações orçamentárias para ajudar o setor e o retorno não se dá na mesma intensidade.

Transgênicos

- A tecnologia, uma vez aprovada pela ciência, deve ser incorporada. Não podemos nos privar dela. A gente vê debates mais ideológicos do que lógicos sobre os transgênicos. Mas vamos nos alinhar à tese de que homem deve aproveitá-las.

Conjuntura

- O Brasil cresce e é candidato a ser líder no setor do agronegócio. Porém há fatores conjunturais, como juros e carga tributária, que comprometem a competitividade. Mesmo assim, apesar das adversidades, se tem crescido. Imagina o crescimento que teríamos com juros mais adequados ao cenário mundial e com infra-estrutura.

Mercado externo

- O mercado externo sempre apresenta riscos. Mas o mercado interno tem crescido a taxas muito tímidas. Já o mercado externo tem problemas de ordem cambial, que retira os ganhos que em outro momento se teria. Mas SC pode comemorar com o aceno de novos mercados para novos produtos. Há um otimismo em função do status concedido pela OIE (único estado do país de livre de aftosa sem vacinação). Só que se tinha uma expectativa de que o mercado fosse mais ágil e não é. Precisamos dar transparência aos nossos processos para ganhar confiabilidade.

Neivor Canton, Presidente da Ocesc é entrevistado pelo telefone


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