SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/09/2007
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Capital de giro deve ser usado com cuidado

Quantia deve equivaler a, no mínimo, um terço do valor do aporte inicial na empresa

Para garantir crescimento sustentado, uma empresa precisa contemplar, em seu plano de negócios, percentual relativo ao capital de giro, o qual deve equivaler a, no mínimo, um terço do valor do investimento inicial. Mas não basta apenas separar esse recurso. É imprescindível que os empreendedores tenham sistema eficaz para gerenciar os compromissos financeiros da empresa.

"Não precisar operar com o capital de giro é resultado de plano de negócio bem desenvolvido. É necessário primeiro criar condições para entrada de recursos. O investimento em ativos, como reformas ou compra de novos equipamentos, só deve ser feito sob segurança financeira. É recomendada a administração do fluxo de caixa, para evitar a utilização do limite do cheque especial ou ter que se submeter a uma operação bancária, a qual, certamente, terá juros altos", aconselha Claudia Bittencourt, presidente do Grupo Bittencourt, consultoria especializada em expansão de redes.

Observar o mercado, principalmente a concorrência, avaliar os serviços que estão sendo prestados, perceber se os clientes estão satisfeitos e montar sistema de avaliação de custos são outras ações importantes para garantir a lucratividade e, assim, evitar ter que mexer no fundo de reserva. Claudia alerta que os empresários não devem ceder às tentações ofertadas pelas instituições bancárias, pois podem prejudicar o negócio. "Utilizar esse recurso só com a certeza de que haverá cobertura das parcelas acordadas. Mas, se não houver outro caminho, não estender por muito tempo a dívida", ressalta a executiva.

EMERGÊNCIAS. Na Overboard, loja especializada em surf e streetwear, o capital de giro só é utilizado em situações emergenciais. O diretor-geral da marca, João Luiz Perez, explica que todas as transações comerciais e as expansões são feitas com recursos próprios, sem que haja necessidade de mexer na reserva. "Felizmente, temos tranqüilidade financeira. Depois que acertamos o fluxo de capital e mantivemos reservas para realizar coleções futuras, conseguimos trabalhar com pagamento dos fornecedores à vista, o que também nos permite estender prazos para acerto de contas", destaca ele.

Com oito lojas espalhadas por São Paulo e 17 anos de mercado, a inauguração de novas unidades sempre envolve forte negociação do estoque, para garantia do pagamento à vista e não utilização do capital de giro disponível. "Negociamos prazos maiores de pagamento, o que é importante para se tomar fôlego. Não somos tomadores de empréstimos. Fazemos a programação de vários meses, antecipadamente. Assim, independentemente das condições do comércio, podemos negociar com fornecedor quanto à entrega de mercadorias, retardando o fornecimento ou diminuindo o estoque em caso de desaquecimento de vendas", revela o empresário.

EXPANSÃO. Cautela é a palavra-chave da XSITE, quando o assunto é capital de giro. Dessa forma, a estratégia de crescimento da empresa é baseada na resposta da clientela. Ricardo Nunes, diretor-geral da marca de moda feminina, explica que, à medida que a marca ganha mercado, as expansões vão acontecendo. "Nossa proposta é desenvolver expansão pausada, justamente para manter o equilíbrio e não precisar se valer do capital de giro. Evitamos ter que injetar dinheiro de mercado, pois este suga o dinheiro da empresa. Dessa forma, conseguimos expandir com capital próprio, de maneira sustentável, pois a própria operação alimenta a receita", observa ele.

Entendendo que utilizar o capital de giro permite lucratividade em médio prazo, Elvio Paladino ressalta que essa reserva é utilizada sempre que surgem boas oportunidades oferecidas pelos fornecedores. "Não trabalhamos com estoque, mas existe a possibilidade de comprarmos produtos que estejam com preços especiais ou com desconto. Assim, disponibilizamos o capital de giro para aproveitar a oferta", diz o franqueado da Portobello Shop, loja especializada em revestimentos cerâmicos, lembrando que para reinvestir em melhorias na loja também é feito o uso desse dinheiro.

RENTABILIDADE. Na opinião de Paladino, quanto mais uma loja vende, mais há necessidade de ter capital de giro. Isso porque, quando da encomenda feita por um cliente, essa pode ser paga à vista para o fornecedor, ainda que a venda seja paga em parcelas, utilizando-se o dinheiro extra. Outra situação apontada pelo franqueado é a de que o valor das vendas parceladas em cheques são recebidas integralmente, via financeira, para quem são repassados os cheques. "Assim, conseguimos manter a margem de contribuição e garantir rentabilidade melhor, já que compras à vista proporcionam preços mais em conta", explica ele.

Para Fábio Ramos, diretor comercial da Sport Nutrition Center (SNC), o capital de giro é visto como margem de segurança. "A SNC, como qualquer outra franqueadora, exige que o investidor disponha do capital todo para abrir uma unidade e que tenha também 10% do valor total do investimento, que atuará como fundo de reserva. No início de qualquer negócio é necessário fazer uso desse capital, até tomar fôlego. É importante levar em consideração que, muitas vezes, os valores calculados em um plano de negócios podem não valer mais depois de certo tempo, uma vez que a entrada de novos lojistas do mesmo segmento pode baixar a lucratividade, por exemplo. Quando o negócio estiver se pagando, o dinheiro fica reservado para qualquer eventualidade.", afirma o empresário.


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