SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 19/10/2007
Autor: Paulo Skaf
Fonte: Gazeta Mercantil

Protagonista do desenvolvimento

O enfrentamento de tal desafio, em especial nos países emergentes, como o Brasil, passa, necessariamente, pela indústria

Estratégias para atualização da base técnica da indústria são imprescindíveis. A expressão que melhor define os fatores condicionantes à longevidade do ser humano no contexto de uma sociedade global mais próspera, justa e feliz é "desenvolvimento sustentado". Ou seja, não há dúvida de que a sobrevivência da presente civilização depende de sua capacidade de reduzir de modo drástico as estatísticas da miséria, algo somente possível com substantivo crescimento do PIB, em harmonia com a proteção ambiental e dos recursos naturais. O enfrentamento de tal desafio, em especial nos países emergentes, como o Brasil, passa, necessariamente, pela indústria, permitindo supor que seu futuro esteja intrinsecamente ligado ao próprio destino da economia.

Essa afirmação encontra respaldo no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega as nações mais ricas. Sim, pois a maioria de seus integrantes, em paralelo ao discurso da liberalização, tem nas políticas industriais o meio mais eficaz de promoção do bem-estar socioeconômico. Considerado esse modelo, já testado com sucesso no laboratório da História, o Brasil tem imenso potencial para emergir como potência, pois oferece respostas muito eficazes à equação da sobrevivência: alta capacidade de produção de energia renovável e mais limpa (hidrelétrica, etanol e biodiesel, dentre outras), tecnologia industrial própria para utilização dessas fontes e apta a prover a apropriação das novas patentes viabilizadas pela maior reserva mundial de biodiversidade, que é nossa!

Como se vê, a indústria é protagonista do desenvolvimento brasileiro e seu futuro depende essencialmente do grau de sucesso que terá no cumprimento dessa enorme responsabilidade. Assim, não há dúvida de que o País precisa de uma consistente política industrial. É imprescindível viabilizar estratégias capazes de levar à atualização da base técnica do setor em segmentos tradicionais e naqueles situados na fronteira tecnológica. Estes são cada vez mais dependentes de ativos intangíveis e do conhecimento, como as nanotecnologias, informática, biotecnologia e as energias renováveis. Exatamente por essas razões, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem defendido políticas públicas para o setor, incluindo a definição de metas e prioridades nos órgãos governamentais.

No Brasil, há numerosas empresas capazes de competir nos mercados externos e obter o chamado "preço-prêmio" em suas exportações, por agregarem inovações. Elas pagam salários melhores (pelo menos 50% acima daquelas que fabricam produtos padronizados), empregam mão-de-obra mais qualificada e têm presença mais destacada nos mercados internacionais. O quadro institucional do País no período recente tem apresentado avanços favoráveis à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, mas num volume aquém do necessário.

Em resposta a tal demanda, a Fiesp elaborou propostas para o estabelecimento de um Programa de Aceleração da Inovação. As sugestões começam pela necessidade de apoio governamental, tornando pesquisa e desenvolvimento (P&D) prioridade e alocando recursos disponíveis sob estrutura profissional de gestão. Outra medida é melhorar o desempenho das empresas em termos de inovação. Os mecanismos já existentes nesse escopo devem ser mais acessíveis e ter maior volume de crédito.

Outra proposta da Fiesp é avançar na mudança estrutural da indústria. Para isto, universo produtivo, governo e instituições de pesquisa devem identificar oportunidades adequadas de inserção do setor no mercado internacional e, ao mesmo tempo, formular estratégias de atração de investimentos em atividades de engenharia, design, pesquisa e desenvolvimento. Também deve incluir-se no programa a meta de consolidar o Sistema Nacional de Inovação, pois o País precisa superar as assimetrias advindas das relações ainda incipientes entre os diversos atores, em especial empresas e universidades.

São preponderantes, ainda, duas outras medidas: criar ambientes propícios e estabelecer programas de extensão, implantando-se mais parques tecnológicos, Arranjos Produtivos Locais (semelhantes aos clusters europeus) e rede de incubadoras de empresas. Nestes dois itens, a Fiesp já tem programas em curso, com bons resultados. Também é decisivo apoiar estratégias de proteção à propriedade industrial e de combate à pirataria, ações nas quais a entidade tem-se empenhado com firmeza, incluindo entendimentos com organismos de outras nações, como o governo norte-americano.

Cabe inexoravelmente à indústria e a uma política eficaz para seu fortalecimento, acelerar os processos de mudança estrutural que as forças de mercado podem operar, mas que ainda o fazem de modo lento. A boa notícia é que - a despeito de enfrentar os obstáculos do Custo Brasil, de equívocos da política econômica, dos sustos da corrupção e outras mazelas - o setor está preparado para cumprir esse compromisso com o presente e o futuro.


Destaques da Loja Virtual
COMO TRANSFORMAR SEU TALENTO EM UM NEGÓCIO DE SUCESSO

Este livro foi elaborado especialmente para aquelas pessoas que sonham em ter o próprio negócio mas não sabem como fazer para ter sucesso. Nele, a au...

R$45,00