SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 23/10/2007
Autor: Roberto Adami Tranjan
Fonte: Site Empreendedor

Criatividade: Ouse divertir-se com os problemas

Pessoas motivadas procuram e encaram dificuldades como uma bela oportunidade de se divertir. Todos querem aumentar sua capacidade de resolver problemas e ser mais criativos. A necessidade de criar com desenvoltura não é uma necessidade restrita ao ser humano. As empresas precisam muito gerar idéias com amplo potencial de se transformar em resultados. Você sabia que a maior parte dos resultados da sua empresa, nos próximos cinco anos, virão das idéias geradas por sua equipe de trabalho? Se sabia e concorda, por que boa parte dos problemas não são resolvidos de forma criativa? Por que a maioria das empresas se parece mais com uma oficina de reparos do que com uma usina de idéias?

Confira algumas respostas que, rotineiramente, se pode dar a isso:

Porque as pessoas costumam adotar a primeira solução que lhes vêm à cabeça, quando diante de um problema;
Porque as pessoas não gostam de problemas;
Porque as pessoas não querem perder tempo;
Porque as pessoas não querem despender esforços;
Porque as pessoas estão limitadas nas suas maneiras de pensar.

Todas elas podem estar certas. Mas existe um fator determinante: poucos se preocupam com a maneira como pensam. Na era industrial, o apelo à conquista e à competição, aliado à pressa, fez com que o homem moderno dedicasse pouco tempo à reflexão ou a qualquer outra coisa que não seja fazer. De imediato. Pensar é uma delas! Muitas das nossas limitações, quando nos confrontamos com o desafio de resolver problemas ou produzir idéias, têm relação direta com a nossa maneira de pensar (ou de não pensar). Assim, antes de tudo é preciso ter consciência sobre o nosso estilo de pensamento, encontrando a partir daí a pista sobre os nossos bloqueios mentais. Esse é o primeiro passo para eliminá-los. Ou, quando for o caso, administrá-los e tirar o melhor proveito deles.

Bloqueios para a criação

Existem vários tipos de bloqueio que limitam a nossa capacidade de pensar e criar. Geralmente, todas as pessoas têm alguns deles, mas não na mesma intensidade; há diferenças em sua manifestação. É bom saber quais são os mais acentuados, no seu caso, para atuar sobre eles de maneira bem efetiva. Surgem de diversas origens e são adquiridos durante a vida, sem que a gente perceba muito bem como se instalam. Uma criança de até seis anos de idade possui muito poucos bloqueios e isso demonstra que aperfeiçoar a maneira de pensar e de criar está muito mais relacionado a desaprender do que a aprender. Os bloqueios de percepção são os mais comuns. Têm a ver com os preconceitos (ou seja, os conceitos prévios, que a gente elabora sem base na realidade) e embaçam a visão da realidade. Um preconceito é difuso, sem imagem nítida, porque não resulta de informação clara. Decidir, portanto, a partir dessa base nebulosa não pode gerar decisão de boa qualidade.

Os preconceitos estão lá, armazenados em um banco de dados que acionamos sempre que estamos diante de um problema, de uma decisão, de uma nova idéia. Parecem úteis, na medida em que nos dão a (falsa) impressão de rapidez ao decifrar o enigma. Há, até, um arsenal de recursos criado para "ajudar", inclusive a interpretação da personalidade alheia através de sinais como gestos, modulação da voz, atitude, olhar, roupa etc. Tudo, claro, no mesmo pacote de informações pré-concebidas, que alguns até ousam chamar de feeling. O fato concreto é que os preconceitos impedem a boa percepção dos problemas e limitam (quando não anulam) as possibilidades de solução.

Por essas e por outras, os preconceitos são grandes inimigos da inovação, tanto por seu efeito de pré-conceber idéias como por seu efeito de abortar idéias que poderiam ser originais, mas são negadas a princípio, como negativas, em função desses mesmos conceitos prévios sem base na realidade. E não pára por aí: preconceitos em relação às pessoas também nos impedem de olhar um problema sob vários e diferentes ângulos, fora do que consideramos "normalidade". Uma boa maneira de lidar com isso é abandonar, mesmo que temporariamente, nosso "mapa mental", para utilizar o de outra pessoa - caso não seja, também essa atitude, fruto de preconceito. Para olhar algo sob o filtro de um mapa alheio, é preciso, realmente, olhar com os olhos dela - não os que achamos que são dela. Essa atitude corajosa e despojada é um instrumento formidável para lidar com os nossos próprios bloqueios. Existem também os bloqueios emocionais. Aí entram a autocensura, o medo de que nos considerem ridículos e o constrangimento di ante do absurdo. A defesa veemente do ego e a tentativa de esconder nossas imperfeições conduzem à inibição ao defender idéias. Também o medo de falhar, de se arriscar, de conviver no caos e, principalmente, do julgamento, são fatores que bloqueiam a capacidade humana de criar e resolver problemas.

Acha que é muito? Mas a lista é bem maior, quando a gente acrescenta os bloqueios culturais, como: "trabalho não é brincadeira", "você é um adulto, não pode agir como criança", "brincar é coisa de criança", "empresa é coisa séria". Nessa maneira arcaica de pensar, o que conta é razão e lógica, não intuição e imaginação. Muito comum nas empresas, ainda, são os bloqueios ambientais: chefes autoritários, normas e regulamentos, aversão ao risco, punição dos erros, chacota por parte dos colegas de trabalho e reações desestimulantes por parte da gerência.

Existem também os bloqueios intelectuais pelo pouco uso ou ausência de algumas inteligências. A mente é ainda um fenômeno a ser melhor compreendido. Estudiosos de Harvard descobriram que existem pelo menos nove tipos de inteligência. Há pessoas que se saem bem com algumas delas, outras aproveitam melhor diferentes modalidades. É difícil que alguém use todas, em sua máxima capacidade. Portanto, isso reforça a necessidade ainda maior do trabalho em equipe, pois várias inteligências combinadas podem se unir na busca da solução de problemas e de produção de idéias. No nosso tipo de educação, é muito comum o uso das inteligências lingüísticas e lógico-matemáticas. Bom, quando os problemas apresentados são resolvidos eficazmente com elas; ruim, se o desafio requer qualidades próprias das inteligências espacial ou pictórica, por exemplo. Bloqueios não faltam. Por isso, temos de saber lidar com eles, a partir de sua identificação. É o primeiro passo para, também de maneira consciente, eliminá-los, superá-los. Outra alternativa é usar um tipo de pensamento que lida melhor com os bloqueios mentais.

Pensamento sistêmico

Resolver problemas e criar novas soluções depende de uma linguagem interna muito mais ampla. O pensamento sistêmico cumpre esse papel. Se o pensamento analítico é como uma ferramenta para cavar buracos cada vez mais fundos, o pensamento sistêmico é uma ferramenta para cavar o maior número possível de buracos. No primeiro caso, se o buraco estiver no lugar errado, nada conduzirá você ao lugar certo. Exemplo: o que fazer com um tijolo? O pensamento analítico pensaria em alternativas do tipo: construir um muro, uma casa, uma lareira, uma churrasqueira, uma loja de roupas, uma banca de jornal etc. O pensamento sistêmico seria capaz de criar alternativas do seguinte tipo: barragem para água, nivelamento de barro, matéria-prima para uma escultura ou pintura, decoração, brinquedos para crianças etc. O pensamento sistêmico abre as possibilidades de maneira infinita, ultrapassando o que se conhece, ou seja, o uso convencional.

O pensamento analítico pode julgar uma idéia insignificante. A mesma idéia, porém, relacionada a outras e com mais informação, pode ter extrema importância. Muitas vezes, a combinação de idéias aparentemente absurdas pode levar a uma conclusão espetacular. E isso é que faz, naturalmente, o pensamento sistêmico: interliga diferentes dados, contextualizando-os em enredos e histórias. Costumamos lembrar de informações em contextos, e o contexto entra em nossa memória juntamente com a informação.

O pensamento analítico quer logo investigar causas e providenciar uma solução. Evita o estágio da incubação, em que o inconsciente ajuda na solução de problemas. Quantas vezes solucionamos problemas ou temos idéias sensacionais como num estalo, enquanto vemos um filme ou nos divertimos, com a mente totalmente voltada a outra coisa? É a mente sistêmica combinando naturalmente informações díspares e buscando soluções para os problemas.

O pensamento sistêmico é causa e também efeito de um jeito diferente de viver. Atua como um conjunto de observadores atentos a tudo, capazes de ao mesmo tempo colher informações e dar respostas amplas às demandas de determinados ambientes, os mesmos em que estavam focados. Com isso, cria um universo mais rico. Lida bem com a ambigüidade e não está preocupado em ter convicções ou empacar em determinados pontos de vista. Tem maior capacidade de captar idéias e correlacioná-las. Produz sínteses mais ricas. E consistentes.

A ousadia de ir muito, muito além!

O pensador sistêmico não despreza nenhuma ajuda que possa obter e, por isso, não desperdiça inteligências e conhecimentos de outras pessoas. Reconhece que a solução de problemas e a produção de idéias em equipe são muito mais eficazes do que individualmente. O brainstorming é uma técnica conhecida e consagrada de solução de problemas em grupo. Criada por Alex Osborn, a técnica do brainstorming segue algumas regras:

a) não é permitido nenhum tipo de julgamento. Excluir julgamentos é uma forma muito eficaz de aumentar a capacidade criativa;

b) idéias desvairadas são permitidas e até estimuladas;

c) as idéias devem ser produzidas em quantidade;

d) os participantes devem correlacionar idéias para criar novas.

Os observadores aguçados, que praticam essas regras (na verdade, ausência de preconceitos), podem enxergar muito além do que a maioria das pessoas, convencionais, consegue. São mentalmente desinibidos, mais conectados a seu inconsciente, destituídos de censura, e entregues a fantasias e devaneios, capazes de gerar resultados fantásticos, justamente porque inusitados. Realizam continuamente auto-sessões de brainstorming. Porque estão sempre em atitude inovadora.

Pode parecer paradoxal, mas uma boa estratégia para atingir esse estágio é tentar manter a mente limpa de preconceitos e abastecida de informações ilimitadas. De várias fontes. Não apenas científicas, embora estas devam ser contempladas, obviamente. O pensamento sistêmico, muitas vezes de maneira inconsciente e intuitiva, faz com que vejamos o mundo de outras formas. Quem o pratica vive mais plenamente, porque mantém a abertura para a curiosidade. Está à procura. Com total disposição para descobertas. E pleno de entusiasmo. Criatividade e resolução de problemas estão relacionados com a auto-realização, um dos fatores de motivação das pessoas. E pessoas motivadas procuram e encaram problemas como uma bela oportunidade de se divertir.


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