SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 05/11/2007
Autor: Camille Cardoso
Fonte: A Notícia

A ética vai da prática para o papel

Códigos viram ferramenta das empresas para melhorar a imagem e educar funcionários

Você sabe que, para ser um bom funcionário e garantir o seu emprego, tem de fazer bem as suas tarefas e agir com ética. Ou seja, respeitar colegas, ser honesto, proativo e se vestir e comportar de forma adequada no ambiente de trabalho. Então, por que cargas d¿água as empresas insistem em pôr todas essas lições no papel? Pode mudar o título - manual, guia, código; de conduta, de ética e de normas internas e externas. O fato é que, hoje, diferente é a empresa que não dispõe dessa ferramenta para orientar as relações de trabalho.

Conselho

Código de ética precisa ser detalhado e incisivo ao proibir o suborno, recomenda o Instituto Ethos

A têxtil Marisol, de Jaraguá do Sul, tem 42 anos, mas seu código de ética é mais recente, de 2004. Antes desse ano, o gerente de recursos humanos Marcos Roberto Zick conta que a empresa já divulgava entre os empregados uma lista de princípios. "Resolvemos compilar num código porque muitas dessas coisas não estavam escritas em nenhum lugar. E gostaríamos de ter uma forma mais fácil de informar os funcionários", argumenta.

Alguns princípios regem a indústria desde a década de 60. Entre eles, o respeito por informações sigilosas e o hábito de manter a chefia informada de situações que possam prejudicar a empresa. O que fez a diferença nos últimos três anos foi a criação de um comitê de ética, que se reúne uma vez por mês para discutir sugestões dos funcionários.

"São propostas para melhorar o ambiente de trabalho ou o uso de recursos da empresa", diz Zick. Isso porque - está no código - o lema número um da Marisol é a liberdade para críticas construtivas e sugestões. Os cerca de 5,7 mil funcionários da têxtil, no Brasil e no Exterior, estão sujeitos às orientações.
O gerente de parcerias do Instituto Ethos, Caio Magri, acredita que os códigos podem, sim, ser ferramentas eficazes no combate à corrupção.

"Todo manual resulta de uma reflexão interna para construir um conjunto de procedimentos. Mas se estão sendo aplicados ou não, só uma auditoria pode constatar", analisa. Ele acredita que, quanto mais generalista o manual, maior a chance de esse documento ser inútil no dia-a-dia da companhia. Para valer como instrumento anticorrupção, precisa ser detalhado. Além de incisivo ao proibir a prática do suborno.

Empresas preocupadas em orientar a conduta

A dona de salão de beleza Vânia Amaro, de Joinville, costuma reunir seus 13 funcionários periodicamente para discutir regras de trabalho. Mesmo assim, decidiu pregar na parede algumas normas que considera essenciais. Entre elas, até onde deve ir a barra das saias e os decotes dos vestidos. "Só ficar no verbal não funciona. Como temos clientela masculina, uma calça muito baixa e ou uma fenda pronunciada pode deixar o cliente constrangido", acredita. Ela pretende também pôr no papel outros princípios, como o de que não se deve comer enquanto atende clientes.

A lista de "não-pode" das empresas pode ir longe. Há empregadores que proíbem que os funcionários namorem no ambiente de trabalho ou sejam fumantes. Ou estipulam condições rígidas para o uso de internet e telefone. Por mais que possa parecer abusivo, existe liberdade jurídica para essas restrições. "O regulamento empresarial diz que o empregador tem poder de estabelecer suas regras. Quem está a trabalho, recebe por hora e por isso deve se dedicar exclusivamente ao serviço. A empresa só não pode ir contra direitos constitucionais", explica a advogada Alexandra Candemil. O que significa impedir os direitos de ir e vir e de expressão, ou ainda discriminar funcionários. O excesso de proibições vira gol contra quando chega ao ponto de influenciar a motivação.

Na Softplan, empresa de softwares de gestão de Florianópolis, o uso de internet dos 200 empregados é controlado. "Durante o expediente, só é permitido acesso a sites de pesquisa. São bloqueados sites de notícias, e-mails pessoais e de jogos", enumera o coordenador de qualidade Marcelo Cestari. A empresa ainda rastreia a navegação dos empregados, não só como forma de policiamento, mas para poupar a banda larga.

Quando o profissional é admitido, assina um termo de conduta em que afirma que conhece essas políticas e concorda em obedecê-las. A Softplan, no entanto, não costuma restringir o namoro entre funcionários. "Existem casais na empresa. Para nós é normal, nem é levado em consideração. Não é necessário influir tanto na esfera pessoal dos empregados", sustenta Cestari.

Código de Ética - Opção para atrair investidores

Documento funciona como promessa que empresas seguem princípios

A idéia do código de ética não é nova, surgiu na década de 70. Ganhou força com o aumento do interesse das empresas em abrirem capital na bolsa de valores e atrair investidores. Atualmente, há 27 companhias na lista de espera da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pôr à venda suas ações. Como parte da política de governança corporativa, os códigos de ética funcionam como uma promessa, feita aos possíveis investidores, de que as empresas seguem princípios e são transparentes.

Esse é uma das etapas que a Embraco está pondo em prática. Até o final do ano que vem, a fabricante de compressores para refrigeração pretende deixar todos os seus 10 mil funcionários a par do seu código de ética. Não são poucas as línguas para o qual esse manual terá de ser traduzido. A indústria, sediada em Joinville, faz parte do grupo norte-americano Whirlpool e tem fábricas na Itália, Eslováquia e China, e escritórios nos Estados Unidos e México. "O código surgiu de um conjunto de seis princípios que foram diagnosticados em todas as nossas unidades. Valores como inovação, respeito e excelência fazem sentido em todos os países onde estamos" diz o diretor corporativo de pessoas, Luís Figueiredo.

A empresa dá sinais de levar a iniciativa a sério. Até 2004, os empregados encararam salas de aula, para aprender como as seis palavras abstratas podem se manifestar no cotidiano de trabalho. Cada um dos princípios recebeu uma semana de campanha, que incluiu palestras até a segunda semana de novembro. A Embraco também achou forma de incentivar o interesse dos funcionários pelo código de ética. "ossa avaliação anual de desempenho vai ter os valores como itens. Essa análise influencia a remuneração variável de todos os funcionários" conta Figueiredo.

Princípios corporativos

Códigos de ética falam em:
- Honestidade
- Integridade
- Comprometimento
- Liderança
- Inovação

Na prática, querem impedir

- Desrespeito e discriminação entre os funcionários, atitudes capazes de render ações judiciais.
- Situações em que interesses pessoais se chocam com os da empresa, e que o funcionário tenha de decidir entre um ou outro.
- Funcionários e gerentes que recebem presentes ou outro benefício pessoal. Isso pode favorecer parceiros em relações comerciais.
- Ter seu nome vinculado a atividades políticas por conta da atuação de algum funcionário.
- Competitividade desleal entre colegas - as sem extinguir a ambição por destaque.
- Parecerem desatualizadas. Uma empresa que não se preocupa em ser ética não está conectada com o tempo atual, em que a corrupção é malvista como nunca.

As normas que estão na moda

- E-mails monitorados. Mesmo empresas que dão acesso ilimitado à internet rastreiam a navegação de seus funcionários.
- Vida pessoal do lado de fora. As organizações costumam ser tolerantes com relacionamentos nascidos no ambiente de trabalho. Mas a discrição é norma inviolável: manter ou tentar manter relação sexual no serviço dá demissão por justa causa.
- Vestuário sóbrio. A maioria das companhias veta o uso de bermudas e chinelos para homens e de minissaias para mulheres.
- Tolerância. Uma das características das empresas socialmente responsáveis é a abertura de vagas para minorias. Profissionais preconceituosos têm menos vez no mercado.
- Foco na preservação da natureza. Reutilizar papéis de rascunho e restringir cópias e impressões está no cotidiano de organizações ecologicamente corretas. E das que querem cortar custos.


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