SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 20/03/2008
Autor: Alexsandro Vanin
Fonte: Revista Empreendedor

O que é necessário para as MPEs crescerem?

Os conselhos não são de qualquer um. Quem faz o alerta é Belmiro Valverde Jobim Castor, quatro vezes secretário de Planejamento do Paraná e uma vez secretário estadual de Educação. Introduzido ao tema planejamento na Cooperation Technique, de Paris, e pós-graduado com louvor na University of Southern Califórnia (USC), nos Estados Unidos, Castor é autor de "O Brasil não é para amadores" e do recém-lançado "Tamanho não é documento: estratégias para a pequena e a microempresa brasileira".

Para Belmiro Castor, o micro e pequeno empresário precisa se livrar do cotidiano, deixar um pouco o dia-a-dia do negócio e pensar nele como um todo, olhar para fora e descobrir que ameaças e oportunidades se apresentam. Essa é a essência do planejamento estratégico, e o renomado consultor, especialista na área, recomenda sua adoção para quem quer fazer sua empresa crescer. Unir-se a outros empresários do ramo e da mesma cadeia de valor, para diminuir custos e riscos, é outro caminho apontado. O esforço conjunto, no entanto, exige a participação do poder público, que Belmiro Castor conhece muito bem.

Ele reconhece um grande avanço na Lei Geral das MPE, ao estabelecer um tratamento diferenciado para o grupo, mas entende que o governo precisa se esforçar para que esses benefícios cheguem rápido e a cada vez mais empreendedores. Com instituições públicas de ensino e pesquisa, o objetivo é buscar capacitação e desenvolvimento tecnológico, tão necessários à longevidade das empresas, mas ainda distantes da realidade de micro e pequenas, apesar dos esforços de entidades como o Sebrae.

Os micro e pequenos empresários têm procurado uma maior capacitação administrativa e o uso de ferramentas como o planejamento estratégico?

O pequeno e o microempresário são reféns do cotidiano. Como passam o tempo todo apagando incêndios, correndo atrás de banco, de procurar clientes, de fornecedores que os tratam mal porque são pequenos, não fazem o essencial, que é pensar sobre seu negócio, e as modificações na sociedade e na economia, que é onde eles encontrarão oportunidades para se desenvolver e identificar ameaças que podem destruí-los. O Sebrae e algumas outras agências têm trabalhado muito bem na capacitação dos pequenos e microempresários, mas ainda há muito a fazer.

Como está o ambiente para as micro e pequenas empresas? O que pode ser feito - e por quem - para melhorá-lo?

De uma forma geral, o ambiente está melhorando. As pessoas e as empresas maiores não vêem mais os micro e pequenos como empresinhas de fundo de quintal, e sim como empresas de nicho e começam a interagir com elas de maneira muito positiva. Para melhorar, há necessidade de um esforço conjunto, dos próprios empresários, do poder público e das universidades, cuja contribuição tecnológica e científica pode ser importantíssima para viabilizar as micro e pequenas empresas.

Que vantagens o associativismo pode trazer às micro e pequenas empresas? O senhor recomenda a adesão a esses grupos?

A vantagem de diluir custos fixos que não poderiam ser suportados por uma micro ou pequena empresa isoladamente. É o caso dos investimentos em design e marketing, de que os clusters italianos são um exemplo muito interessante de trabalho associativo com resultados fantásticos.

As micro e pequenas empresas devem ter um tratamento diferenciado? Por quê?

As pequenas e microempresas nunca foram tratadas como empresas tanto pelo governo como pelo sistema financeiro, por exemplo, e assim não conseguiam competir por créditos e eram submetidas a exigências burocráticas muito semelhantes às que se aplicam às grandes empresas. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas é um enorme avanço, mas devemos ser realistas em relação à rapidez com que os avanços da lei vão se transformar em uma efetiva facilitação da vida dos pequenos empresários.

As incubadoras são ilhas de segurança num ambiente pouco favorável ao empreendedorismo como o Brasil?

As incubadoras são indispensáveis ao desenvolvimento industrial do País e como tal deveriam ser fortemente estimuladas e multiplicadas em número e tipo exponencialmente.

A abertura de capital é uma alternativa de capacitação de recursos para pequenas e médias empresas? Que vantagens e riscos ela pode oferecer?

Não, ainda não. Abertura de capital não é para pequenas empresas. O que deveria ser fomentado é o mercado de capitais típico desse porte de empresa: o cham ado "angel capital", que é aquele aporte inicial de recursos baseado na confiança de que uma determinada idéia do candidato a empresário merece ser apoiada, e o "venture capital", que é o capital aportado por investidores que acreditam na idéia e aceitam correr grandes riscos até que ela dê - ou não - certo em troca de uma parte nos lucros futuros.

Os empregados são um dos elos mais críticos na rede de stakeholders, já que seu comportamento influi diretamente na criação de valor para os demais integrantes. Como uma boa gestão de recursos humanos pode evitar a destruição de valor?

Alguns aspectos são bem conhecidos, como o exercício de uma liderança salutar, a transparência de propósitos dos empresários, a disposição de repartir os eventuais frutos do sucesso com os funcionários. Mas, além disso, é necessário treinar, capacitar as pessoas, coisa que muito empresário míope não faz sob a alegação de que gastará dinheiro com o funcionário e depois ele vai trabalhar para o concorrente, o que é um equívoco enorme.

Quais são os principais números contábeis que um empresário deve saber ler, e para quê?

Todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ser capaz de ler um balanço, um balancete e uma demonstração de resultados. E todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ter preocupação em ter uma contabilidade atualizada, e não apenas a contabilidade fiscal feita por um contador. Ele iria aumentar tremendamente sua capacidade de entender seu negócio e suas dificuldades. Além disso, fazer a contabilidade de uma microempresa é muito fácil, e o próprio empresário deveria aprender como.

A criação de uma cultura estratégica é essencial para o sucesso de um plano estratégico. Mas uma mudança cultural, em geral, demanda tempo. Como intensificar esse processo numa empresa já existente e que se prepara para fazer seu primeiro planejamento estratégico?

Cultura é uma palavra traiçoeira. Uma cultura estratégica se forma praticando a administração estratégica, observando os erros cometidos e os sucessos alcançados, e corrigindo os cursos de ação. Tão logo o empresário sentir que a administração estratégica está sendo útil para impulsionar seus negócios, ele se converterá à cultura estratégica rapidamente.

Confira abaixo trechos da entrevista:

Empreendedor - Os empregados são um dos elos mais críticos na rede de stakeholders, já que seu comportamento influi diretamente na criação de valor para os demais integrantes. Como uma boa gestão de recursos humanos pode evitar a destruição de valor?
Belmiro Castor - Alguns aspectos são bem conhecidos, como o exercício de uma liderança salutar, a transparência de propósitos dos empresários, a disposição de repartir os eventuais frutos do sucesso com os funcionários. Mas, além disso, é necessário treinar, capacitar as pessoas, coisa que muito empresário míope não faz sob a alegação de que gastará dinheiro com o funcionário e depois ele vai trabalhar para o concorrente, o que é um equívoco enorme.

Empreendedor - Quais são os principais números contábeis que um empresário deve saber ler, e para quê?
Belmiro Castor - Todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ser capaz de ler um balanço, um balancete e uma demonstração de resultados. E todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ter preocupação em ter uma contabilidade atualizada, e não apenas a contabilidade fiscal feita por um contador. Ele iria aumentar tremendamente sua capacidade de entender seu negócio e suas dificuldades. Além disso, fazer a contabilidade de uma microempresa é muito fácil, e o próprio empresário deveria aprender como.

Empreendedor - A criação de uma cultura estratégica é essencial para o sucesso de um plano estratégico. Mas uma mudança cultural, em geral, demanda tempo. Como intensificar esse processo numa empresa já existente e que se prepara para fazer seu primeiro planejamento estratégico?
Belmiro Castor - Cultura é uma palavra traiçoeira. Uma cultura estratégica se forma praticando a administração estratégica, observando os erros cometidos e os sucessos alcançados, e corrigindo os cursos de ação. Tão logo o empresário sentir que a administração estratégica está sendo útil para impulsionar seus negócios, ele se converterá à cultura estratégica rapidamente.

Empreendedor - Você concorda que as micro e pequenas empresas devem ter um tratamento diferenciado? Por quê? Qual sua opinião sobre a Lei Geral das MPE?
Belmiro Castor - Concordo. As pequenas e microempresas nunca foram tratadas como empres as tanto pelo governo como pelo sistema financeiro, por exemplo, e assim não conseguiam competir por créditos e eram submetidas a exigências burocráticas muito semelhantes às que se aplicam às grandes empresas. Acho a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas um enorme avanço, mas devemos ser realistas em relação à rapidez com que os avanços da lei vão se transformar em uma efetiva facilitação da vida dos pequenos empresários.

Empreendedor - As incubadoras são ilhas de segurança num ambiente pouco favorável ao empreendedorismo como o Brasil. Qual sua opinião sobre essas instituições?
Belmiro Castor - As incubadoras são indispensáveis ao desenvolvimento industrial do País e como tal deveriam ser fortemente estimuladas e multiplicadas em número e tipo exponencialmente.

Empreendedor - A abertura de capital é uma alternativa de capacitação de recursos para pequenas e médias empresas? Que vantagens e riscos ela pode oferecer?
Belmiro Castor - Não, ainda não. Abertura de capital não é para pequenas empresas. O que deveria ser fomentado é o mercado de capitais típico desse porte de empresa: o chamado "angel capital", que é aquele aporte inicial de recursos baseado na confiança de que uma determinada idéia do candidato a empresário merece ser apoiada, e o "venture capital", que é o capital aportado por investidores que acreditam na idéia e aceitam correr grandes riscos até que ela dê - ou não - certo em troca de uma parte nos lucros futuros.

Empreendedor - Os empregados são um dos elos mais críticos na rede de stakeholders, já que seu comportamento influi diretamente na criação de valor para os demais integrantes. Como uma boa gestão de recursos humanos pode evitar a destruição de valor?
Belmiro Castor - Alguns aspectos são bem conhecidos, como o exercício de uma liderança salutar, a transparência de propósitos dos empresários, a disposição de repartir os eventuais frutos do sucesso com os funcionários. Mas, além disso, é necessário treinar, capacitar as pessoas, coisa que muito empresário míope não faz sob a alegação de que gastará dinheiro com o funcionário e depois ele vai trabalhar para o concorrente, o que é um equívoco enorme.

Empreendedor - Quais são os principais números contábeis que um empresário deve saber ler, e para quê?
Belmiro Castor - Todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ser capaz de ler um balanço, um balancete e uma demonstração de resultados. E todo empresário, de qualquer tamanho, deveria ter preocupação em ter uma contabilidade atualizada, e não apenas a contabilidade fiscal feita por um contador. Ele iria aumentar tremendamente sua capacidade de entender seu negócio e suas dificuldades. Além disso, fazer a contabilidade de uma microempresa é muito fácil, e o próprio empresário deveria aprender como.

Empreendedor - A criação de uma cultura estratégica é essencial para o sucesso de um plano estratégico. Mas uma mudança cultural, em geral, demanda tempo. Como intensificar esse processo numa empresa já existente e que se prepara para fazer seu primeiro planejamento estratégico?
Belmiro Castor - Cultura é uma palavra traiçoeira. Uma cultura estratégica se forma praticando a administração estratégica, observando os erros cometidos e os sucessos alcançados, e corrigindo os cursos de ação. Tão logo o empresário sentir que a administração estratégica está sendo útil para impulsionar seus negócios, ele se converterá à cultura estratégica rapidamente.

*Os textos apresentados são extraídos das fontes citadas ao final de cada matéria, cabendo as fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.


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