SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 04/07/2002
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

O papel do líder em tempos de crise

Para cada duas demissões ocorridas no mercado, uma é gerada por incompatibilidade de convivência com o chefe imediato, segundo estudo realizado pela área de Executive Search da KPMG. Em outras palavras, ao contrário de anos atrás, quando os executivos agüentavam tudo e todos por conta do salário, hoje eles estão mais preocupados em cuidar de sua saúde emocional e mental do que suportar determinadas situações desagradáveis com a chefia no dia-a-dia do trabalho. Outro dado que confirma a tese acima: a permanência média de um executivo dentro de uma organização neste novo milênio é muito menor do que a observada no início dos anos 90. Os motivos são vários. Vão desde o estilo de liderança, falta de envolvimento, satisfação com o trabalho, falta de direção, a famosa cultura da privatização do sucesso/lucro e democratização dos erros/prejuízos até chegar na ausência de maturidade da liderança atual. Em resumo: a causa é o líder. Isso nos leva à seguinte questão: os líderes estão cumprindo seu papel no mundo corporativo?

Um líder precisa guiar, avaliar, aconselhar e gerar duas coisas: comprometimento e, sobretudo, esperança. Os líderes atuais, com poucas exceções, estão muito abaixo do que se espera de um líder. A culpa não é deles. O mercado cresceu muito rápido nos últimos anos. O boom das empresas de telecomunicações e de Internet é um bom exemplo. Para preencher as posições abertas nestas novas organizações, o mercado inteiro foi acessado. Muitas companhias, para reter seus funcionários, acabaram acelerando a carreira destes, instituindo o desempenho como critério de promoção para um cargo gerencial. Durante este período, as empresas também incentivaram as pós-graduações e MBA´s. Enquanto isso, a formação de líderes foi deixada de lado.

Os líderes atuais são pessoas que desconhecem a frustração profissional. Cresceram rápido nas organizações e hoje, com 30 e poucos anos, já ocupam cargos de diretoria e sofrem todo tipo de pressão para alcançar melhores resultados. Mas o quadro mudou. O mercado encontra-se em compasso de espera, reflexo da crise de energia, do atentado contra os Estados Unidos em 11 de setembro, das crises da América do Sul e do atual cenário político eleitoral. Podemos dizer que estamos vivendo tempos de turbulência. E em épocas como esta, a pressão por resultados é extremamente alta e rigorosa. As empresas cortam custos, a equipe é reduzida, mas quem fica é obrigado a produzir os mesmos resultados.

Diante da situação atual, está mais do que na hora de as empresas investirem em seus líderes. Eles terão que aprender na prática como guiar, avaliar, aconselhar, motivar e gerar comprometimento e esperança em tempos de crise e de pressão do mercado. Em primeiro lugar, o líder precisa desenvolver as habilidades de um facilitador, um multiplicador e um coach. Quem está na liderança, precisa tornar os trabalhos em equipe eficazes e fazer com que as pessoas possam contribuir de acordo com suas habilidades e conhecimento, isto é, conforme suas competências. É neste momento que ele precisa ser um facilitador, obtendo consenso, sem deixar os "issues" (assuntos) sem respostas. Precisa saber dizer à equipe o quê e quando fazer.

O líder também precisa gerar comprometimento com seu exemplo e ações, mantendo a equipe sempre junta, procurando entender e questionar os paradigmas da mesma. Precisa aprender a ouvir os problemas dos funcionários e por meio de certas técnicas fazer com que os próprios saibam resolver seus problemas e possam sair do encontro com um plano de ação.

Quando um líder não é procurado, está perdendo a liderança de sua equipe. Oren Hararai, professor da Universidade de São Francisco, mostra isso com clareza em seu livro "The Leadership Secrets of Collin Powell" (editora McGraw-Hill): "O dia em que os soldados pararem de lhe trazer seus problemas será o dia em que você parou de liderá-los. Eles perderam a confiança de que você pode ajudá-los ou então concluíram que você não se importa. São dois casos de falha de liderança".

O líder vai precisar de muita maturidade para lidar com a incerteza e a pressão excessiva. E humildade em reconhecer que muitas vezes necessitará de ajuda de quem tem mais experiência. Ele não tem como impedir a pressão e a frustração. No entanto, a esperança ele pode e deve oferecer, pois ela devolve a fé. O líder deve compartilhar sua visão de futuro e quando todos conseguirem visualizá-la, saberão aonde ir. Poderão sonhar e ter fé no amanhã. Só assim conseguirão sobreviver aos tempos difíceis de turbulência.

*Irene Azevedo é gerente sênior da área de Executive Search da KPMG


Destaques da Loja Virtual
COMO MONTAR UMA EMPRESA DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS


R$2,00