SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 30/07/2002
Autor: Fábio Telles
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

Passos básico para o empreendedor

"Ser empreendedor no Brasil equivale a ser um amante de esportes radicais". Com esta frase, Marcos Schlemm, coordenador do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Paraná (IBPQ-PR), definiu a atividade no País. A avaliação do doutor em administração de empresas pela University of Southern California, dos Estados Unidos, leva em consideração resultados apresentados na última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 29 países, que averigua anualmente a atividade empreendedora nesses locais.

A posição brasileira no ranking de países empreendedores - o País caiu da primeira para quinta posição na comparação entre os resultados de 2000 e 2001 - pode parecer confortável. Mas, na condição de coordenador brasileiro do estudo, que conta com o gerenciamento e modelo global de uma parceria entre a London Business School e a Babson College, de Boston, nos EUA, Schlemm se sente à vontade para apresentar uma realidade bem menos alentadora para quem pretendem abrir uma empresa. "Tem-se de lutar contra tudo e todos para dar certo. Leis frágeis, tributos absurdos, humor do governo, mão-de-obra incapaz, falta de linha de crédito, falta de proteção à propriedade intelectual e às patentes", enumera.

A posição do Brasil só é elevada por causa do tipo de empreendedorismo chamado de necessidade, aquele decorrente da falta de opção. São negócios pequenos, formados por pessoas que não conseguem trabalho e são obrigadas a sustentar a família. "Este empreendedorismo não é saudável para a economia, pois, na primeira oportunidade de emprego, a pessoa abandona a iniciativa", conclui.

Segundo o responsável pela parte brasileira do GEM, o empreendedorismo por oportunidade é o que agrega empregos, amplia negócios e ajuda a economia de um país. No Brasil, ele corresponde a 52% do total, contra 90% nos Estados Unidos e 98% na Noruega.

Um exemplo de que o que vale mesmo é o empreendedorismo por oportunidade é o trabalho da Endeavor, uma organização não-governamental com sede em Nova York, e com atuação em países como Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e México. "Só levamos adiante projetos de empreendedorismo por oportunidade, que são mais consistentes, geram mais empregos e renda e atraem investimentos públicos e privados", afirma a diretora da Endeavor no País, Marília Rocca.

De acordo com uma recente pesquisa do Sebrae, feita em parceria com a Confederação Nacional da Indústria, a maioria dos empresários (57%) enfrenta dificuldades por falta de crédito. O porcentual cresce entre os menos escolarizados (78%), que mais iniciam um negócio por necessidade.

Crédito, aliás, é um dos maiores empecilhos para o empreendedorismo no País, segundo os entrevistados. Aqui, o capital de risco é praticamente inexistente na comparação com outros países que fazem parte da pesquisa GEM.

Além disso, no Brasil quase não existe o "angel investor", um investidor informal, presente em diversos países por meio de parentes e amigos que auxiliam a empreitada de algum conhecido.

Em 2001, a taxa média de investimentos provenientes destas fontes representou 3,1% do total. No Brasil o porcentual foi de 0,9%, a menor taxa, contra 6,2% na Nova Zelândia, o terceiro país mais empreendedor do mundo de acordo com a pesquisa GEM.

Mesmo tendo um desempenho pífio no País , o "angel investment" superou, não só aqui como em todos os pesquisados, o total investido por bancos, fundos ou empresas - o chamado capital de risco. Para cada US$ 1,6 de investimentos informais, US$ 1 de capital de risco foi colocado à disposição do empreendedorismo.


Iniciativa - Para aqueles que, mesmo diante das adversidades, têm uma idéia que pode resultar em negócio próprio, o caminho das pedras é tortuoso e, muitas vezes, sinistro. De acordo com o Sebrae, cerca de 70% das empresas não resistem até o quinto ano. Mas, segundo Schlemm, o otimismo dos brasileiro compensa as dificuldades. "Este ímpeto de não ter medo de dar a cara para bater e de ir aprendendo coisas ao longo da empreitada é realmente diferenciado no nosso País", diz.

Ele lembra que o empreendedor, ao iniciar um negócio, deve saber que terá, praticamente, de viver em função da empresa pelo menos nos três primeiros anos. Segundo Schlemm, isso ocorre por causa da falta de capital para investir em mão-de-obra especializada em gerenciamento, marketing e vendas.

O empreendedor tem que contar com um pouco de experiência em cada uma das áreas. "Isso faz com que a pessoa transfira sua casa para o escritório, o que pode prejudicar o desenvolvimento da companhia."


MULHERES ABREM MAIS EMPRESAS

O papel das mulheres no desenvolvimento de atividades empreendedoras no Brasil é cada vez mais relevante. Depois de décadas de subserviência ao poderio econômico masculino, elas sustentam famílias e tomam iniciativas empreendedoras como nunca. A atividade empreendedora feminina brasileira foi particularmente elogiada pelo estudo sobre empreendedorismo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizado no País pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Paraná (IBQP-PR).

De acordo com o estudo, 38% da atividade empreendedora realizada no Brasil no ano passado ficou sob responsabilidade das mulheres. Este porcentual é bastante elevado em relação à maioria dos países pesquisados. As mulheres brasileiras ficam próximas das italianas, que apresentam a maior taxa de atividade empreendedora (50%) do mundo.

Para o coordenador do estudo no País, Marcos Schlemm, este diferencial é explicado por vários fatores. O primeiro deles é o empreendedorismo por necessidade. Muitas mulheres são obrigadas a buscar alternativas para auxiliar no sustento da família ou são sua única fonte de renda. Além disso, o Brasil conta com um péssimo sistema de seguridade social, que dá pouca ajuda a pessoas com necessidades básicas. "Na Europa, as pessoas se sentem mais seguras e não precisam correr desesperadamente atrás de alternativas", afirma.

O perfil de empreendedoras no Brasil visto com outros olhos, no entanto, pode não significar motivo de orgulho nacional. Um estudo realizado pela norte-americana Korn/Ferry International para avaliar o perfil empreendedor das mulheres nos Estados Unidos apresenta diferenças profundas entre os dois países.

Lá, as mulheres com maior grau de instrução são responsáveis por mais atividades empreendedoras, o que difere do Brasil, onde o nível de estudos é mais baixo tanto para homens quanto para mulheres. "O empreendedorismo feminino por oportunidade precisa ser mais incentivado no Brasil", avalia Marília Rocca, da ONG Endeavor, que auxilia o desenvolvimento de empresas em diversos países.

Um dos exemplos mostrados por Marília é o da empreendedora Ana Luiza de Almeida, uma das assessoradas pela Endeavor. Nascida em Marília, no interior de São Paulo, a dentista decidiu criar, no fim dos anos 80, uma loja de sapatos femininos de couro. Depois de quatro anos, Ana Luiza tinha quatro lojas na cidade. O problema é que ela, sem orientação, quis aumentar a qualidade, a produção e melhorar o design dos sapatos.

Com altos investimentos e uma série de erros, Ana teve de vender até bens pessoais para tentar sustentar a empresa, que em 1995 veio a falir. Mesmo assim, Ana não desistiu. Pegou o que tinha restado de seu empreendimento, simplificou a estrutura de produção e focou-se num nicho de mercado, fugindo da concorrência de grandes empresas. Fundou a Grudy, especializada em sandálias e bolsas de plástico para classe média-alta e alta.

A Endeavor decidiu então auxiliar Ana com um plano de negócios focado em vendas e marketing direto, além de apresentar parceiros para a Grudy em todo o País. Hoje, a empresa vende produtos para diversas regiões do Brasil e também para o mercado externo, como França, Portugal e Itália.

A loja de bolsas e peças de vestuário artesanais Lavaimaria ainda não atingiu essa fase de expansão do número de clientes, até mesmo para garantir que os produtos não percam sua característica de criação exclusiva. Há cerca de três anos, Vânia Alves começou a "inventar" bolsas com tecidos antigos e aplicações coloridas para uso pessoal com ajuda da mãe, que é costureira. Aos poucos, amigos e conhecidos começaram a se interessar pelas criações e a encomendar peças.

O trabalho continuou informal até que, no fim de 2000, Vânia participou do Mercado Mundo Mix, uma feira de produtos alternativos realizada periodicamente em São Paulo. "Lá meus produtos ganharam visibilidade e pude definir meu público alvo, que são pessoas alternativas que gostam de coisas divertidas", diz.

Há quatro meses Vânia instalou um quiosque no Shopping Frei Caneca e há duas semanas conseguiu mudar para uma loja no local. Tudo com investimento pessoal e com a eventual ajuda de uma irmã. "Só não cresço mais por falta de crédito, porque público eu tenho." Para produzir as peças da loja, Vânia mantém um ajudante e conta com a mãe e com uma costureira para as épocas de maior movimento. Como quando recebeu um pedido de uma loja de roupas de grife para fabricar modelos exclusivos de bolsa. No entanto, na estação seguinte teve de recusar a encomenda porque não conseguiria produzir o número de unidades solicitado.

Ter de se desdobrar para criar as peças, cortar os moldes e também costurar, e ainda administrar o negócio é o grande desafio da empreendedora. "Nos últimos anos tenho deixado minha vida pessoal de lado", admite. Mas ela nem pensa em desistir. "Vou continuar levando enquanto agüentar." (Colaborou Marina Pauliquevis)


EVENTO TRAZ OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS

O 11.º Salão de Novos Negócios, que será realizado de hoje a sábado, das 16 às 22 horas, no pavilhão vermelho do Expo Center Norte, em São Paulo, traz novidades para empreendedores de vários segmentos do mercado, além de oferecer diversas formas de estratégia de marketing para as empresas.

Algumas instituições financeiras, como o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal irão pôr à disposição linhas de crédito para quem deseja abrir, ampliar ou modernizar seu negócio. O evento terá mais de mil sugestões em máquinas e acessórios de pequeno, médio e grande porte, serviços, franquias, segurança, saúde e beleza, pet shop, bufê infantil, cursos e bijuterias. Segundo a diretora de Marketing da Lemos Britto Multimídia Congressos e Feiras, Andrea Lemos Brito, os visitantes terão a oportunidade única de encontrar desde pequenas máquinas para fabricação de fraldas e outros itens, até cursos para quem deseja trabalhar com velas ou artesanato.

Serão realizadas, ainda, palestras de como o empreendedor pode atuar, além de sugerir como iniciar um novo negócio ou ampliar um já existente. A expectativa da Lemos Britto Multimídia Congressos e Feiras, organizadora do evento, é a de que cerca de 100 mil pessoas visitem o salão. A entrada é gratuita, aberta a todos que queiram empreender.

Informações: (0--11) 3253-2133


DICAS PARA QUEM QUER SER PATRÃO

Em um primeiro momento, pode parecer que qualquer negócio empreendedor começou apenas com uma boa idéia na cabeça e algum dinheiro no bolso. Para que o negócio sonhado transforme-se em realidade, no entanto, é preciso seguir algumas regras básicas. Fazer um projeto, com base em um público-alvo definido, permite que o empreendimento seja estudado com mais profundidade e ajuda na hora de obter os recursos necessários para começar a trabalhar.


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