SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 20/09/2002
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Voluntariado: o melhor negócio do mundo

Imagine-se uma empresa em que os empregados viessem trabalhar de graça. Suponha-se, que um belo dia, do diretor-presidente aos contadores, dos consultores às secretárias, todos recusassem seus salários, declarando-se interessados apenas e tão somente em produzir algo útil à sociedade.

Apresentado deste ângulo, parece uma brincadeira, uma utopia irrealizável e, no entanto, esse tipo de organização está se tornando uma realidade cada vez mais poderosa dentro do capitalismo. Seu crescimento tem sido exponencial, especialmente no Brasil. É o chamado terceiro setor, que congrega as associações civis e as ONGS impulsionadas por voluntários.

Na definição da ONU, "voluntário é o cidadão que, motivado pelos valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada para causa de interesse social e comunitário".

Nesse terceiro setor se inclui o programa Líder Solidário que o Sebrae está lançando a nível nacional. A grande diferença deste movimento é que ele está voltado para a área produtiva, ou seja, os voluntários estarão prestando assessoria empreendedora.

Empresários e executivos bem sucedidos estarão transferindo a experiência empreendedora acumulada durante anos a uma população ávida para melhorar o desempenho de seus negócios.

O Sebrae contará com a experiência e o apoio da ONG Parceiros Voluntários, idealizada e promovida por Jorge e Maria Helena Gerdau, no Rio Grande do Sul. O êxito desta ONG pode ser medida pelo fato de já ter arregimentado, organizado e gerenciado o trabalho de 14 mil voluntários.

Os voluntários, em sua maioria, não estão disponíveis em tempo integral. Nem por isso se trata, como pensam alguns, de atividade amadora ou pouco eficiente. Pelo contrário: Jorge Gerdau, um dos empresários mais bem sucedidos do Brasil, que construiu sua trajetória com os dois pés solidamente apoiados no chão, calcula que para cada real empregado no terceiro setor, a sociedade recebe de volta até 12 reais.

A ausência de despesas com mão de obra explica esse aparente milagre. Caso o mesmo investimento de um real fosse feito através do governo, o retorno iria variar entre apenas 20 e até 80 centavos daquele real, no melhor dos casos. Esse milagre às avessas se deve às despesas que o governo teria tanto para arrecadar o dinheiro quanto para aplicá-lo. Em suma, caso fosse um negócio, o voluntariado, seria dos melhores do mundo. Para a sociedade é.

Através do programa Líder Solidário, o Sebrae pretende aproveitar a experiência de arregimentação e organização acumulada no Rio Grande do Sul e transferi-las para o resto do país.

O objetivo final é lutar contra as diferenças sociais, minorando os sofrimentos dos cerca de 23 milhões de brasileiros, cuja principal dificuldade é a obtenção de dinheiro para a compra de alimentos. Mas isso será feito de maneira indireta.

Desta vez, o trabalho dos voluntários será dirigido mais especificamente para a ajuda a todos os pequenos empreendedores formais e informais, interessados em criar ou desenvolver uma empresa. Graças a essa estratégia, pretende-se não apenas minorar a pobreza já existente, mas interferir no processo econômico para evitar que a pobreza se perpetue.

Participarão profissionais liberais, executivos e pessoas qualificadas de maneira geral. Um papel muito especial está reservado aos empresários de sucesso, que poderão transmitir sua experiência através de consultorias. Assim tem sido feito com muito sucesso nos Estados Unidos, onde a SBS - Small Business Administration - coordena grandes redes de consultores voluntários. Somente a "Score" reúne 12 mil.O objetivo do Sebrae é reunir em dois anos 50 mil voluntários, cujo trabalho resultará em mais de R$ 100 milhões por ano em horas de consultoria.

Boa vontade não há de faltar. Já existe uma parte significativa de empresários nacionais preocupados em transformar a sua relação com o País e com a sociedade através da responsabilidade social.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Social (Ires) houve um expressivo aumento nas verbas destinadas pelas corporações a projetos com foco na inclusão social e formação de cidadania.

No total, as 2.330 companhias analisadas aplicaram R$ 202,8 milhões nesta área em 2001, beneficiando diretamente 38,3 milhões de pessoas. Tem sido excelente a receptividade de programas como o "Junior Achievement" e o "Negócios da Juventude", que buscam despertar e desenvolver vocações empresariais entre os estudantes.

Não será difícil demonstrar o impacto social causado por uma ajuda maior à pequena empresa. O Brasil conta hoje com cerca de 4 milhões de empresas, desse total 99% são micro e pequenas e há ainda 16 milhões de empresas informais, totalizando 20 milhões de estabelecimentos com um número muito superior de empregos diretos. Ajudá-las através do voluntariado é uma aplicação de grande rentabilidade para quem investe. É também um excelente negócio para o País. O Brasil é um país de oportunidades, o que falta em muitos casos é um empurrão solidário.

*Vinícius Lummertz , diretor do Sebrae Nacional, é cientista político, formado pela Universidade Americana de Paris.


Destaques da Loja Virtual
PIZZARIA

Este perfil tem como finalidade apresentar informações básicas a respeito da abertura de uma Pizzaria. Serão abordados assuntos relacionados ao mercad...

De R$8,00
Por R$6,00
Desconto de R$2,00 (25%)