SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 01/10/2002
Autor: Gabriela Gemignani
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

O que analisar antes de definir o tipo de negócio

Abrir o próprio negócio requer uma série de decisões por parte do empreendedor. Uma delas é a escolha entre montar uma franquia ou uma empresa independente. Segundo especialistas, a melhor forma de tomar essa atitude é avaliar bem cada tipo de atividade e descobrir qual o perfil adequado ao que se procura.

Para o consultor de Marketing do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) José Carmo de Oliveira, a liberdade é o principal quesito a ser avaliado. "No caso de um negócio independente, você só deve satisfação ao cliente, tem total liberdade sobre a empresa. Já na franquia, o contrato impõe algumas limitações." Ao mesmo tempo, ele lembra que, no caso da franquia, o empreendedor compra uma fórmula já testada e aprovada pelo consumidor.

O consultor de franchising Marcelo Cherto compara o dono de uma franquia com o proprietário de um apartamento. "Não há espaço para rebeldia. Mesmo o dono do apartamento tem de respeitar as regras do condomínio. Assim é uma franquia", afirma.

Segundo ele, o que deve pesar na decisão é como o futuro empresário pretende agir em relação aos negócios. "Uma franquia tem mais chances de sucesso, segundo as estatísticas, mas o empresário tem de estar disposto a aceitar as limitações. Em contrapartida, ele tem a vantagem de não precisar ter experiência no ramo, já que terá todo o suporte da franqueadora, além de outros benefícios, como preços melhores por se tratar de uma rede", diz.


Mortalidade - De acordo com o diretor de Marketing da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim, o índice de mortalidade das franquias em cinco anos é de 10%, contra 70% das empresas independentes. "Uma das melhores maneiras de o empreendedor avaliar uma franquia é procurar os franqueados da rede. Essa conversa dá uma noção de quem já está com o negócio montado", diz.

Para ele, a legislação inibiu muito a ação de aproveitadores, mas eles ainda existem. "Os amadores acabaram, mas ainda há quem queira tirar proveito da situação, que não tem estrutura para vender franquias, mas convence com uma boa lábia."

Segundo o diretor, os ramos que merecem destaque são estética, saúde e beleza e a área de entretenimento e lazer. Mas os especialistas advertem que uma franquia não é garantia de sucesso. "O trabalho é o mesmo de um negócio independente, o bom andamento da empresa depende sempre do proprietário", afirma Oliveira, do Sebrae-SP.

Informações nos sites: www.sebraesp.com.br e www.abf.com.br


SUCESSO INDEPENDE DO FORMATO ADOTADO

Há os que optam pelas franquias e os que decidem se arriscar por conta própria. De acordo com esses empresários, a escolha do setor é importante, mas não é o principal motivo de sucesso. Em outubro de 1999, a ex-professora de educação artística Áurea Zila Andrade montou sua primeira loja da rede Imaginarium. "Estava aposentada, mas não queria parar de trabalhar, então guardei um capital para investir no comércio", afirma.

Segundo ela, a falta de experiência no setor a fez buscar uma franquia.

"Precisava de respaldo. O suporte do franqueador me ajudou muito. Mesmo assim, fiz diversos cursos no Sebrae e na ABF para decidir o que fazer." A escolha da rede se deu pela sua identificação com os produtos vendidos. "É mais fácil vender algo que gostamos e nos identificamos." Aos 52 anos, Áurea é um dos destaques da rede e acaba de inaugurar sua segunda loja.

O franqueado da Amor aos Pedaços Cassio Porto Adri também comemora a abertura de sua segunda loja em sociedade com o também franqueado da rede Miguel Salguero. "Antes de optar pelo ramo de franquias conversei muito com franqueados da rede e descobri que, mesmo com a fórmula pronta, o sucesso do negócio depende de quem administra", afirma.

Apostando nisso, ele não hesitou em adquirir uma franquia que não estava muito bem e investir nela. "Quando decidi pelo repasse da loja, investi em sua reforma e em novos serviços, como a entrega de bolo em pedaços." Segundo ele, só no primeiro ano registrou um crescimento de 70% na franquia.


Independente - Quando decidiu largar o emprego de bancário e montar seu negócio, em 1995, Marco Aurélio Roberto, atualmente com 34 anos, foi em busca de uma franquia.

"Tinha vontade de montar uma loja de presentes com preço fixo (as conhecidas R$ 1,99) e fui em busca de uma empresa franqueadora. Quando escolhi o ponto comercial do negócio eles não aprovaram, mas, como eu acreditava nesse local, decidi investir mesmo assim", afirma.

Ele tinha razão, montou sua loja independente, com perfil semelhante das franqueadas, e depois de sete anos, hoje ele é dono de 12 unidades da Cash Box, sendo uma loja atacadista, todas em Belo Horizonte. "Agora, sou eu quem recebe pedidos de interessados em franquear minha rede", comemora.

Roberto afirma que ainda não decidiu se vai ampliar a rede dessa maneira, mas destaca algumas vantagens de ter apostado em um negócio independente. "A mobilidade é bem maior, é possível mudar as coisas que não estão dando certo rapidamente, sem esperar que elas cheguem prontas até você."


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