SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 30/10/2002
Autor: Vinícius Lummertz*
Fonte: Gazeta Mercantil

Vinícius Lummertz: um BNDES para os pequenos

Pouco adianta repetir que a taxa de juros é "imoral". Um dos maiores bancos brasileiros costuma enviar periodicamente a seus clientes vips uma carta de congratulações pela manutenção de seus investimentos em carteira, acompanhada por uma oferta de cheque especial à "excelente" taxa de 5% ao mês, em vez dos 8,4% cobrados dos clientes normais. Para os bancos é um negócio miraculoso. Para o pequeno empresário é um grande passo no caminho da falência.

O que fazer?

Pouco adianta repetir que a taxa de juros praticada no País é "imoral", como já admitiu o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. Sugerimos algo prático: a criação de um banco de "segundo piso", voltado exclusivamente para as pequenas empresas. O modelo seria o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma das poucas instituições brasileiras que atravessaram décadas cumprindo muitíssimo bem o papel de impulsionar o desenvolvimento.

Ultimamente, o BNDES tem penetrado no universo das pequenas empresas, contribuindo, por exemplo, para o microcrédito e os chamados arranjos locais. Dirá alguém: se o BNDES já se ocupa das pequenas empresas e funciona tão bem, qual a necessidade de se criar outra instituição?

A resposta é que o BNDES pode muito, mas não pode tudo. O banco atinge milhares de empresas, mas deixa de fora as 4 milhões de empresas formais e 15 milhões de informais, que continuam necessitando de proteção especial.

Em suma, o BNDES é tão bom que os pequenos desejam um só para eles. Essa nova instituição poderia nascer das costelas do próprio BNDES. O Sebrae também poderia prestar uma ajuda valiosa aos pequenos empresários com recursos e o conhecimento desse universo.

Trata-se de um universo diferenciado, com uma infinidade de necessidades específicas a atender. Por exemplo, o apoio às associações e cooperativas industriais. No comércio e nos serviços, o apoio financeiro viria apressar tendências que nasceram espontaneamente, como a crescente formação de redes de negócios entre farmácias ou pequenos supermercados.

Naturalmente, uma atenção especial seria dada a convênios com as instituições de microcrédito. Embora com uma história de mais de duas décadas, a indústria de microfinanças, segundo uma análise do próprio BNDES, encontra-se em estado embrionário. Outro caminho altamente promissor e que nem sequer começou a ser explorado é a formação legal de associações de emprestadores (lenders), cooperativas de crédito e casas de comércio.

A pequena empresa clama por alternativas de crédito e emprestar a elas, mesmo a uma taxa muito inferior à praticada atualmente pelos bancos, seria um investimento de retorno fantástico. Entre as funções do novo banco da pequena produção deveria estar a montagem de redes de lenders em regime de finanças de proximidade. Financiar máquinas e equipamentos de forma rápida significa não descartar o pequeno do giro, que é tão caro. Além disso, sobre martelos, foices, tratores, arroz, feijão e sabão, por que cobrar impostos?

Todos querem ser Juscelinos e Vargas, sinônimos de desenvolvimento e inclusão. Uma coisa é falar, outra é fazer. A criação do banco da pequena produção é uma necessidade. Quem se habilita?

*Vinícius Lummertz - Diretor do Sebrae Nacional.


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