SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/11/2002
Autor: Jorge Luiz da Rocha Pereira*
Fonte: DCI

Empresário que se planejar vai se sair bem em 2003

Como pode ainda existir alguém que, ciente de seus atos, queira iniciar um negócio na atual situação econômica do País ? Felizmente existe sim. E não apenas um, mas as centenas pelo Brasil, como o exemplo que vou mostrar abaixo.

Um empreendedor, o senhor Paulo, no interior paulista após anos de conhecimento técnico absorvido na área de indústria de confecções resolveu, por livre e espontânea vontade abrir sua empresa e iniciar as atividades, ainda como teste, no final deste ano.

Depois de constatar que sua idéia era realmente boa, visualizando algumas oportunidades de negócios, consultando amigos, lojistas, distribuidores e alguns estilistas de moda, adequou os produtos e realizou alguns protótipos.

Enquanto a indústria estava tomando corpo, ele analisou os custos e os preços de venda que precisavam atender as expectativas do mercado e suas necessidades financeiras e econômicas, visando quais seriam os valores que o consumidor realmente aceitasse como justo.

Bem, a indústria está pronta, os produtos da coleção protótipo primavera - verão para teste de mercado também, ainda em quantidades muito aquém do potencial observado. Os custos e preços direcionados item a item ao nicho mercadológico. Agora é vender e analisar a aceitação real do mercado e preparar a coleção outono - inverno, esperando o sucesso que com toda a certeza irá acontecer.

De forma resumida, mas real, esta cena poderia acontecer mais vezes no Brasil. Não a abertura em si do negócio, mas a preocupação com as oportunidades de negócios e suas variáveis: mercado, custo X preço, aceitação e evolução dos produtos.

Estamos passando por mais um grande teste, que todos os empresários estão bastante capacitados para enfrentar. As incertezas de um novo ano, que queiramos ou não acontecem pela simples passagem de um número para outro, 2002 para 2003, incomoda muita gente e coloca vários profetas de ocasião a postos traçando perspectivas das diversas probabilidades sócio-econômicas do país e de seus 170 milhões de habitantes.

O que precisamos é agir como o empreendedor citado acima, o senhor Paulo. Temos de vislumbrar oportunidades, acreditar na idéia, testar o seu produto, analisar a aceitação financeira e mercadológica e, somente depois de todas essas etapas, se dirigir definitivamente para a comercialização.

Em nenhum momento a oscilação do dólar foi um obstáculo, ou mesmo se um ou outro candidato à presidência vencesse as eleições. Ou ainda se os EUA atacassem ou não o Iraque. Esses pontos se tornaram fantasmas do pessimismo.

0 senhor Paulo faz parte deste cenário, boa parte dele montado de forma especulativa. E em quase nada ele poderia influir a não ser como mais uma importante gota real de otimismo pelo País em um mar virtual de incertezas.

0 que interessava realmente ao senhor Paulo era a análise constante e objetiva das oportunidades de negócios e a aceitação de seus produtos por parte do nicho de mercado escolhido.

Afinal, os consumidores estão por aí querendo encontrar os produtos e serviços que atendam as suas necessidades. Os fornecedores também continuam procurando parceiros e clientes e o senhor Paulo interessado em iniciar um negócio lucrativo e rentável ao longo do tempo.

Em nada os especuladores da bolsa irão cooperar para o novo empreendimento. A empresa do senhor Paulo não pretende ainda exportar seus produtos para o Iraque, por tanto o que poderia a guerra prejudicar suas atividades diretamente?

A variação do dólar interfere em alguns itens dos custos, mas de forma quase imperceptível.

Palmas e vaias - De forma nenhuma o presidente eleito irá torcer contra o sucesso da empresa do senhor Paulo. Portanto, o cenário global faz parte do show, mas somente isto. As palmas ou vaias são direcionadas para os atores que, de alguma forma, desejam mostrar o seu produto à platéia. A qualquer momento outro espetáculo será encenado, com os mesmos atores inseridos em outros cenários, mais caprichados ou toscos, isto não importa, o que interessa é o desempenho do artista e sua interpretação convincente para os seus consumidores-fãs.

*Jorge Luiz da Rocha Pereira é consultor especialista do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de São Paulo, e-mail: jorgep@sebraesp.com.br


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