SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 24/01/2003
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Abrir negócio só sem dívida, orienta Tanaka

Como quase todo descendente de japoneses, Wilson Tanaka, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Alimentos (Sincovaga) e diretor-tesoureiro da Fecomércio–SP , aparentemente joga na retranca. Líder de mais de 30 mil pontos-de-venda de alimentos na capital, desde uma mercearia, mercadinho, pequenos supermercados até os hipermercados, ele tem um conselho para quem quer ser comerciante. “Ninguém deve contrair dívidas para abrir um negócio, porque o comércio é uma atividade cheia de percalços e não se deve contar com o sucesso antes de um bom tempo de trabalho.”

Tanaka é uma pessoa comedida como empresário, proprietário de um pequeno supermercado, o Almar , no Bosque da Saúde, que ele administra, há oito anos, ao lado da mulher, Mara Cristina. Mas a sua história como pequeno supermercadista teve início em 1969, quando abriu o Supermercado Niterói , também no Bosque da Saúde, que acabou vendendo. “Como nunca me arrisquei demais, tenho apenas um supermercado e não quero mais, pois ele garante a sobrevivência da minha família.” Nesse período em que se firmou como proprietário de pequenos pontos-de-venda, Tanaka viu um grande número de supermercados quebrarem. “Existe uma lógica para tudo, se dou um passo maior que as pernas, acabarei esborrachando no chão.”

Com sua expressão de nissei sério, o presidente do Sincovaga é uma pessoa que nunca perde a calma. Mas a sua tranqüilidade se altera quando defende o pequeno varejo, do qual virou uma espécie de porta-voz no Brasil. Se ele não é uma pessoa notada de imediato, em uma reunião do setor, essa situação se inverte quando começa a falar. Conhece a realidade do segmento como ninguém, tem números exatos na cabeça e conhecimento das práticas existentes nos outros países para sobrevivência dos pequenos pontos-de-venda. “Tenho que me voltar para a defesa dos pequenos, porque as grandes redes não precisam de quem as defenda. Não tenho nada contra as grandes empresas, mas não me canso de denunciar que elas têm condições privilegiadas de compras, abastecimento, por parte da indústria, em detrimento das micros e pequenas empresas.”

Apesar de estar por trás de ações do pequeno varejo, como a associação de várias lojas do mesmo segmento, para conseguirem melhores condições de compras com os fornecedores, ele não faz questão de “aparecer”. Foi o grande incentivador da união de 50 supermercados na Rede Supervizinho , mas batalhou para que Lucia Morita, proprietária do Supermercado Portal , assumisse a presidência.

Tanaka se tornou um líder nacionalmente conhecido, em 1986, quando reuniu 200 pequenos supermercados para, juntos, denunciarem que seus estabelecimentos seriam fechados se o governo federal persistisse no tabelamento de preços, enquanto a indústria continuava aumentando os valores dos produtos, “tornando inviável a reposição”. O congelamento foi suspenso e o pequeno varejo conquistou seu espaço.


DO CINE NITERÓI PARA O SUPERMERCADO

Wilson Tanaka não se cansa de repetir: “ser dono de um ponto de comércio é desgastante, exige dedicação integral do proprietário e da sua família”. Para administrar o seu supermercado, dar expediente no Sincovaga e comandar a sua equipe na Fecomércio–SP , ele trabalha diariamente das 8h às 19h, “quando não tenho reuniões”, comenta.

Sua história começa quando seu pai, Iwao Tanaka, e a mãe, Kimie, vieram como imigrantes para o Brasil, em 1933. Tanaka nasceu em 1949, em Cambará, Paraná, onde seus pais trabalhavam na lavoura. Posteriormente, a família enveredou pelo ramo de serraria, até mudar para a capital paulista.

Na capital, seu pai e um tio, Ioshikezu Tanaka, abriram o Cine Niterói , em 1954, no bairro da Liberdade, “que só passava filmes japoneses e, por esta razão, agregou ao seu redor a colônia japonesa”. Conta que foi esse fato que transformou o local em um bairro de orientais, “pois todos queriam morar perto do cinema”. Com a desapropriação do terreno do cinema, Tanaka e o pai partiram para o ramo de supermercados, a partir de 1969. “Fui aprendendo tudo o que sei na prática e também porque sempre me interessei em participar de eventos, cursos, onde pudesse tomar conhecimento de alguma novidade”. Tanaka foi conselheiro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e, depois, seu diretor. Participa da diretoria do Sincovaga desde 1972 e, na entidade, exerceu várias funções até ser eleito presidente em 1998 e reeleito em 2002. Tanaka tem como único hobby pescar com os amigos no interior, e teve vários cargos na Federação do Comércio, da qual atualmente é o diretor tesoureiro.


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