SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 17/03/2003
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

Liberdade à franquia, mas com limites

Ações locais não podem ser confundidas com independência da rede

Dar liberdade ao franqueado para inovar em ações implementadas na loja pode levar a mudanças que geram benefícios para toda a rede. No entanto, liberdade não significa agir por conta própria, impondo alterações sem o devido consentimento do franqueador. Novidades que surgem sem controle representam um risco à padronização. A rigidez absoluta das redes também não é positiva, na avaliação dos especialistas. É preciso um bom canal de comunicação que permita ao franqueado ser ouvido e receber resposta aos seus questionamentos e sugestões.

Dono de cinco lojas O Boticário no Rio há cerca de 20 anos, Maurício Mezavilla teve que suspender a publicação de anúncios do seu serviço delivery. A medida provocou uma queda de 70% nos pedidos de entrega. "Vinha fazendo publicação independente e direcionada, ou seja, em jornais de bairro de grande circulação. Há quatro anos a rede proibiu a iniciativa, mas em todas as reuniões, abordo o assunto e vou continuar insistindo para que mudem de postura porque a propaganda da rede, que usufruímos, é mais institucional, não serve para divulgar o meu serviço junto ao público consumidor", ressalta.

Diretor do Instituto Franchising, Adir Ribeiro comenta que a liberdade é fator que impulsiona a rede, porém, não deve ser confundida com independência total. Os principais valores da organização têm que ser mantidos para evitar a despadronização.

"Existe uma linha tênue entre o que a rede abre mão e o que não abre. Diria que 90% são negociáveis. Não se pode é mexer na marca, na imagem, que é como se fosse o DNA do negócio. É importante que o franqueado sinta-se estimulado a apresentar novidades porque isto o leva a se sentir mais integrado à rede. Exemplo sempre citado é o McDonald's. O Big Mac, uma invenção do franqueado, hoje é o carro-chefe da rede", ressalta o consultor.

Para evitar estresse entre franqueado e franqueador diante de alterações, é fundamental que toda idéia, antes de ser adotada pela unidade, passe pelo crivo do dono da marca. Regras claras sobre o procedimento é essencial. Se o franqueado quiser criar uma campanha, ainda assim, tem que receber o aval do franqueador. O sistema de franchising precisa seguir normas para que uma unidade não destoe das demais, causando estranheza ao consumidor.

Na rede Yázigi, de Ricardo Young, os franqueados têm liberdade para criar e decidir, sempre dentro do bom senso. Quando a empresa mostra-se irredutível, afirma os especialistas, causa descontentamento entre os parceiros e corre o risco de deixar escapar excelentes idéias.

Ações de marketing feitas de forma independente podem gerar concorrência destrutiva entre as demais unidades. O problema pode ser evitado, na avaliação da consultora de franchising Cláudia Pamplona - que atende as redes Anestec e Car Kids -, se houver orientação para que o preço praticado seja o mesmo em todas as lojas da região. Dono da Multicoisas, de equipamentos de reparo e acessórios para casa, Lindolfo Martim afirma que o franqueador não deve impedir que os franqueados tentem melhorar o lucro de suas lojas.

- Ninguém melhor que o dono da franquia para conhecer o mercado local. Não vetamos a novidade sem conhecê-la. Estamos sempre dispostos a avaliar idéias e implementá-las, se julgarmos que reverterão em maior rentabilidade para toda a rede. Ao franqueador cabe cuidar do negócio em âmbito nacional e ao franqueado, das ações locais, mas temos que dar o aval para não correr o risco de perder o rumo do que foi traçado - diz.

Exemplos de boas idéias aproveitadas pela Multicoisas são o mascote Multico, a lista de chá de panela e os brinquedos pedagógicos. Mas houve ações que não deram certo e que acabaram sendo suprimidas, como o atendimento delivery. A loja vende produtos para a praticidade doméstica e, por isso, depende da presença do consumidor no local, única pessoa capaz de avaliar suas necessidades.

Diretora da rede de fast food Mister Sheik, Renata Gomes, afirma que dar liberdade ao franqueado representa estar mais próximo do público consumidor. No entanto, nada acontece sem um estudo prévio. A rede avalia os preços e produtos sugeridos pelo franqueado antes de aprovar ou rejeitar. "Bebidas alcoólicas são vetadas e se o franqueado faz promoção ou elabora novo produto sem nos consultar, corre o risco, especialmente se a criatividade estiver voltada para produtos da região que fogem ao padrão da rede", acentua.

Práticas bem sucedidas devem ser copiadas, avalia Ribeiro, do Instituto Franchising. "Muitas vezes o franqueador nem sabe o que está acontecendo. Não pode esquecer que o olho do dono é que engorda o negócio, por isso, dar atenção ao franqueado é uma questão de inteligência.

O franqueado quer ser ouvido e precisa obter uma resposta à sua sugestão. O pior que pode acontecer é se sentir ignorado pela rede, que tem que estar preparada para captar as boas práticas e disseminar a sua cultura", acrescenta.

Único franqueado da Kotobuki, de comida japonesa, Guilherme Diniz, que divide a unidade com Richard Haikal, investiu para incrementar a oferta de pratos com peixes exóticos e frutas do Norte. A loja da Barra da Tijuca tem cinco anos e fica na mesma região das duas próprias da rede.

- Vontade, criatividade e persistência explicam a razão de estarmos bem no mercado. Inventamos pratos, mas não os incluímos no cardápio, apenas ficam expostos no quadro para a clientela. Se caírem no gosto do consumidor, comunicamos ao franqueador e pedimos a inclusão no cardápio da rede. O franqueador não gasta com os testes e propaganda. Tudo é por nossa conta. A liberdade nos torna parceiros de verdade porque se é bom, a rede aprova e todos ganham - sintetiza Diniz.

SERVIÇO
Cláudia Pamplona, 9375-0479
Instituto Franchising, 0xx-11-3171-0040
Kotobuki, 2493-8885
Multicoisas, 0xx-67-312-8000
O Boticário, 2576-2198


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