SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 20/03/2003
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Guerra exige mais atenção ao caixa

Os especialistas alertam: o andamento da guerra no Iraque terá influência no gerenciamento do caixa das empresas. Em caso de duração mais prolongada, o conflito vai exigir ações rápidas dos empreendedores, para que não aconteçam prejuízos. Mesmo que a guerra seja curta, é preciso manter a atenção.

Tomar empréstimos rapidamente, aproveitar oportunidades de negócios, observar o comportamento do consumidor e usar linhas de crédito para exportação são algumas das alternativas apontadas para que se tenha melhora de caixa no período.

Toda a economia afetada

No caso de uma vitória rápida das tropas norte-americanas e aliadas, os impactos para a economia brasileira deverão ser mínimos. Porém, se a guerra durar mais de duas semanas, toda a economia será afetada.

Para começar, o preço do petróleo no mercado internacional deve aumentar, pressionando os preços dos derivados internamente, o que pode gerar mais inflação – em um momento em que os preços começam a dar sinais de queda.

A alta do combustível também deve influenciar a cotação do dólar, que pode subir, provocando aumento da taxa de juros.

Diante desse cenário de incertezas, a recomendação para as empresas é rever estratégias. Na opinião do economista e cientista político Carlos Manhanelli, sócio da consultoria Manhanelli & Associados , caso a tomada de empréstimos seja inevitável, o ideal é que a operação seja feita o mais rápido possível, pois a tendência é de aumento dos juros.

Além disso, as instituições financeiras devem se tornar ainda mais seletivas na concessão de crédito.

“Por outro lado, para quem tem dinheiro em caixa, o momento pode ser positivo, já que normalmente boas oportunidades de negócios surgem em momentos de crise”, acredita Manhanelli.

Se a guerra for curta, deve-se ter atenção porque o quadro muda. O assessor econômico da Fecomércio–SP, Fábio Pina, com um conflito breve é provável que a estrutura de juros caia a partir do segundo semestre.

"Portanto, nesse caso, se o empresário puder, seria melhor esperar mais alguns meses para buscar empréstimos”, diz.

Pina lembra também que “é preciso perceber o básico: o consumidor pode ficar menos afeito a comprar. E se o consumidor vai ficar mais cauteloso, o comerciante também tem que ficar".

Preservar o caixa

O analista-chefe da Corretora Coinvalores , de São Paulo, Marco Aurélio Barbosa, também recomenda cautela. “Em uma crise desse porte, o comércio mundial tende a ficar prejudicado. O ideal é preservar o caixa, adiando possíveis investimentos e tomadas de empréstimos”, afirma.

Outro ponto que merece atenção é o comércio exterior. O crescimento do crédito para exportação pode ser aproveitado pelas empresas, porque a guerra pode ampliar o leque de opções para os produtos brasileiros.

O professor de economia internacional da FGV–EASP (Fundação Getulio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo), Evaldo Alves, diz que o sentimento anti-Estados Unidos pode crescer bastante no Oriente Médio, reduzindo a penetração dos produtos fabricados por companhias norte-americanas.

“As exportações brasileiras para a região vêm crescendo sistematicamente e podem crescer ainda mais após o final do conflito”, diz.


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