SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/04/2003
Autor: Tania Sztamfater*
Fonte: Business Standard

Inovação e empreendedorismo

Se alguém lhe parasse na rua e lhe perguntasse se você já inovou hoje, qual seria sua reação? Para começar talvez você imaginasse que seu interlocutor não era uma pessoa completamente equilibrada e, se mesmo assim resolvesse responder à pergunta, provavelmente diria que não, ou não conseguiria responder, certo?

A palavra inovação normalmente nos assusta. Parece algo muito distante da nossa realidade. Atribuímos seu sentido à descoberta de uma nova tecnologia, ao resultado de um trabalho sofisticado desenvolvido por alguém muito diferente do brasileiro médio. Muito diferente de nós mesmos. Lembramos da chegada do homem à Lua, da descoberta do aparelho de televisão, do telefone celular e da internet.

O que normalmente não percebemos, porém, é que a inovação não se dá necessariamente com a criação de algo novo e impensado, e sim com a atribuição de uma nova perspectiva a algo já existente. Exemplos simples e concretos? A água de côco em garrafa, o vidro elétrico, a pasta suspensa e o conceito do fast-food são alguns deles. Respiramos inovação todos os dias, o dia todo.

Se passamos a encarar a inovação como uma possibilidade ao alcance de qualquer um de nós, podemos entender então que nos negócios a inovação não é um diferencial, e sim uma questão de sobrevivência. Empreendedores de sucesso pensam e repensam seus negócios constantemente. Desafiam seu diferencial frente aos seus competidores todos os dias.

Tomemos a Gol Linhas Aéreas como exemplo.

A Gol nasceu dentro de uma indústria tradicional que passava por uma forte crise com reputação de empresa inovadora. Foi criada em meio a um ambiente hostil, caracterizado pela forte concorrência e a baixa rentabilidade. Não criou nada novo: o avião, a tecnologia de vôo e as rotas são as mesmas. Então onde está a inovação e a razão do seu atual sucesso? Simplesmente na relação preço/benefício.

Você não ganha milhas, é obrigado a reservar o vôo e não recebe uma refeição completa durante o trajeto. Em compensação, paga uma taxa comparativamente menor do que a cobrada por linhas concorrentes. Com esta visão, a Gol ganhou rapidamente uma fatia de mercado composta por passageiros que não enxergavam nos benefícios oferecidos pelas empresas concorrentes uma razão suficiente para pagar o diferencial de preço que era necessário para garantir a oferta destes serviços.

A Maber, empresa emergente no setor imobiliário brasileiro é outro bom exemplo. Seus fundadores, que são empreendedores seriais de grande sucesso, vislumbraram uma ótima oportunidade neste setor. Caracterizado por uma prestação amadora de serviços e por players de mercado muito tradicionais, o setor imobiliário evidenciava a existência de espaço para alguém que oferecesse um serviço diferente e personalizado, sem a necessidade de cobrar um preço incremental por isto.

Como grande parte das inovações bem-sucedidas, o conceito desenvolvido por eles foi bastante simples: focados inicialmente em apartamentos de padrão A e B, mapearam os principais bairros de São Paulo, e fotografaram todos os edifícios e apartamentos alvo. Criaram com este material um enorme base de dados e uma maneira simples do potencial comprador visitar "digitalmente"e em poucas horas dezenas de apartamentos com as características procuradas, sem necessidade de deslocamento.

A Maber conta hoje com 12.000 edifícios cadastrados, 3.200 imóveis digitalizados e uma carteira de 115 clientes ativos em busca de um apartamento. A empresa, que nasceu em dezembro de 2002, já fechou 7 negócios, totalizando um valor geral de venda 2,1 milhões de reais.

No Brasil, mais de 90% das novas empresas morrem em um horizonte de cinco anos. A falta de inovação é hoje um dos principais fatores responsáveis por este alto índice de mortalidade. Obviamente, não podemos esquecer dos velhos e conhecidos problemas enfrentados pelo pequeno empreendedor, como as altas cargas tributárias, a interminável burocracia envolvida na abertura e manutenção de um negócio e a falta de acesso a conhecimento e capital. A inovação, porém, pode ser vista como um catalisador de todas estas questões, além de ser um dos únicos fatores que só depende do empreendedor. Não é suficiente contornar estes problemas burocráticos para se vencer, porque seu concorrente também pode fazê-lo, e ao mesmo tempo o uso de conceitos inovadores pode vir a oferecer a solução que você precisa para conseguir contorná-los.

Mais arriscado do que inovar é ficar imóvel frente às constantes mudanças no mundo. Se você não for o responsável pela implementação de uma nova idéia, alguém invariavelmente o será. O empreendedorismo deve ser conseqüência da visualização de uma oportunidade, da crença de que há espaço para novos conceitos de negócios. E isto é válido tanto para os funcionários quanto para os donos e potenciais fundadores de negócios.

Não deixe de acreditar em suas próprias idéias. Não deixe de enxergar o mundo com olhos de empreendedor, buscando oportunidades em cada situação cotidiana. Quando você realmente estiver agindo assim, então não será surpreendido quando um sujeito se aproximar de você e lhe perguntar se você já inovou hoje. Mesmo que a resposta seja negativa, poderá dizer "hoje não, mas inovei semana passada".

Tania Sztamfater* é Chief Operating Officer do Instituto Empreender Endeavor, instituição sem fins lucrativos que ajuda empreendedores.


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