SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 28/05/2003
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Consultoria mapeia e formata novo negócio

No intuito de fugir dos riscos inerentes aos novos empreendimentos, empresários buscam cada vez mais as pesquisas de mercado com a intenção de localizar pontos promissores e descobrir a formatação ideal para seus negócios. A escolha pode ser na rua ou no shopping, mas deve obedecer a rigorosos critérios e análises mercadológicas. De acordo com Francisco José de Toledo, da Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme) e diretor da Toledo & Associados, especializada nesse segmento, os estudos de localização geográfica são essenciais para quem vai investir em um negócio próprio. “Em São Paulo, a demanda por este tipo de pesquisa cresce cerca de 10% ao ano”, diz.

Para solicitar uma consultoria nessa área, o empreendedor vai desembolsar uma quantia considerável. Dados do setor mostram que varia entre R$ 4 mil a R$ 20 mil, dependendo do tamanho do universo pesquisado e do local onde está sendo realizada. “Este valor pode chegar até R$ 150 mil, dependendo da amostra”, diz Toledo.

As pesquisas de mercado correspondem a 100% da receita anual da Toledo, que segundo o diretor, cresceu na proporção de 10% em 2002. “Atualmente, estamos realizando 22 pesquisas de mercado, além de quatro pré-eleitorais”, diz Toledo. Estima-se que este ano, esses institutos avancem 30%, puxados por este tipo de pesquisa.

A padaria expressa Une&Due, por exemplo, a fim de ampliar sua rede de franquia — que ao todo tem 43 lojas em todo o Brasil — recorre ao mapa geográfico da região onde pretende instalar um ponto. “A estratégia é olhar a área e saber se o local tem potencial. Por isso, contamos com empresas que nos fornecem os dados”, diz Renato Mateus, responsável pelo departamento de expansão da rede.

Recentemente, a Une&Due inaugurou uma loja na Rua Verbo Divino e outra dentro do Centro Empresarial São Paulo, ambas na zona Sul. De acordo com Mateus, foi necessário, antes da abertura, comparar o fluxo de pessoas desses locais em relação a outra loja da rede nas redondezas, na Avenida Luiz Carlos Berrini.

O trabalho da consultoria contratada mostrou que, das 12 horas às 14 horas, nos dias de semana, 1,9 mil pessoas passam diante da loja da Berrini e 1,5 mil na da Verbo Divino. O perfil dos pedestres foi igual: funcionários de escritórios, justamente o público-alvo da Uno&Due. “A conclusão foi que as lojas, agora abertas, tinham potencial semelhante à da Berrini. Caso houvesse erro na escolha do ponto, não haveria outro modo senão sair do local o mais rápido possível.”

Mesmo com preços altos, a tendência da contratação de pesquisas é crescente. A Technikas Pesquisas teve um aumento na demanda estimado em 20% desde o início do ano. Segundo a sócia Vera Caldas, a perda de poder aquisitivo da classe média e a necessidade de investir em um próprio negócio são os fatores que estão contribuindo para este aumento de procura pelas consultorias. “Embora o serviço seja caro, é fundamental para quem vai abrir um estabelecimento comercial” diz Vera. A empresa realiza neste momento pesquisa para 10 clientes. Esse segmento corresponde a 70% do faturamento da Technikas, que em 2002, viu seus negócios crescerem 15% em relação ao ano anterior. A expectativa para 2003 é avançar mais 30%, segundo Vera, por conta da demanda.

Já a canadense Addexo conta com 150 projetos em andamento, no Brasil e na sede no Canadá. De acordo com André Nudelman, diretor geral no Brasil, as pesquisas realizadas hoje exigem mais informações do que há uma década. “A metodologia de avaliação tornou-se global, mais ampla, sem deixar de levar em conta o comércio local”, diz Nudelman. Esse tipo de pesquisa de mercado representa 60% da demanda da Addexo. “Em 2003, esperamos crescer 200%. Para isso, vamos abrir escritórios nos Estados Unidos e Europa”, diz.

Para a rede de vestiário infantil Green, com 11 unidades próprias e 19 lojas franqueadas, o ponto é definido com rigor praticamente científico. “A intenção é verificar até o índice de natalidade de lojas na região”, conta Antônio Bruno de Carvalho Júnior, responsável pelo departamento comercial.

Com duas unidades de rua e o restante em shoppings, a Green descobriu que o público-alvo da empresa não é apenas as crianças, mas também as mães.

“Mulheres entre 25 e 45 anos, das classes A e B, são potenciais compradoras. Por isso, a loja busca pontos em shoppings onde há grande variedade de lojas de roupas femininas”, diz Carvalho. “O ponto é definido em reunião conjunta com o franqueado”, observa. Mas, de acordo com ele, a palavra final é dos especialistas em pontos comerciais, ou seja, dos consultores que irão dizer se o franqueado deve ou não abrir a sua loja.

Na avaliação da consultora Ana Vecchi, a identificação de uma boa localização, com facilidade de acesso, densidade de público, infra-estrutura apropriada e nível da concorrência só podem ser mostradas com a aplicação de uma pesquisa. “Não existe ponto mais ou menos bom. Tem de ser ótimo, para tornar viável o negócio”, diz. A importância estratégica do ponto cresceu tanto que a próxima feira do franchising, que será realizada entre os dias 4 e 7 de junho, terá o ‘Salão do Ponto’, espaço para dar dicas sobre o tema.


PEQUENO FAZ SUA PRÓPRIA PESQUISA

A auto-suficiência dos negócios também pode dar certo, mas é necessário saber onde vai instalar sua empresa. A afirmação é do consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae), Wlamir Bello. A entidade oferece palestras gratuitas a micros e pequenos empresários sobre como elaborar uma pesquisa de mercado e escolha de pontos para os negócios. “A análise do mercado, concorrência, satisfação do cliente, entre outros são temas abordados”, diz Bello, que em média realiza dez palestras ao mês em regiões distintas da grande São Paulo.

Um exemplo de que em algumas ocasiões os negócios podem ser dirigidos internamente, é a loja de moda masculina Aramis. Embora tenha no começo de suas atividades recebido orientação profissional, atualmente, quem dita as decisões são os donos da rede, que em sete anos de vida, já conta com cinco lojas próprias e cerca de 200 pontos-de-venda em todo o Brasil. “Por meio da mala-direta podemos traçar o perfil do público-alvo e direcionar nossos pontos-de-venda”, diz Paulo Cortez, gerente de vendas e marketing. A expectativa é de avançar em 20% sua receita este ano.


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