SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 02/06/2003
Autor: Inês Migliaccio
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

Aprender fazendo é método que dá os melhores resultados

Especialistas advertem que os gestores devem ser criteriosos na maneira de passar e absorver conhecimento para moldar competências.

Gestão do conhecimento é o termo das modernas teorias de administração para identificar a necessidade de desenvolver competências nas empresas. Há muitas maneiras de fazer com que esse conhecimento circule no ambiente corporativo, via cursos, reuniões, eventos. O desafio é escolher a mais adequada.

Segundo recente pesquisa realizada pela diretora da Faculdade de Economia Administração da Universidade de São Paulo (FEA/ USP), Maria Tereza Leme Fleury, o grau de aprendizagem por método de ensino varia bastante. Em palestras, capta-se apenas 5% do conteúdo. Com leitura, 10%. Recursos audiovisuais, 20%. Discussão em grupo, 50%. O tipo de atividade em que se "aprende fazendo" gera 75% de compreensão, ao passo que o ato de ensinar responde pelo mais alto nível, 90% de aprendizagem.

Nessa linha de raciocínio, a melhor forma de aprender uma tarefa é ensiná-la. Mas, de acordo com a diretora da FEA/USP, tornou-se lugar-comum afirmar que o recurso mais valioso das organizações em um cenário de mudanças são as pessoas. “Capital humano, inteligência competitiva e mesmo gestão do conhecimento tornaram-se expressões de ordem nas empresas, embora com significados e implicações diferentes”, diz. Maria Tereza avalia que a maioria das instituições é orientada a "controlar" em vez de "aprender", recompensando o desempenho das pessoas pela mera obediência a padrões já estabelecidos.


Por outro lado, há um processo permanente de mudança nas organizações. O diretor comercial da Telefônica, Alexandre Bonfim de Azevedo, considera que a gestão de conhecimento é um "processo de ganha-ganha": ganha o funcionário que transmite sua experiência, ganha a empresa que adquire eficácia em sua gestão. Azevedo analisa que com a velocidade da circulação de informações no mercado, o privilegiados em curto prazo tem um diferencial estratégico. "Já participei de reuniões programadas com antecedência, mas cuja pauta girou ao redor de dados obtidos minutos antes. Quem consegue dominar esse processo, vence", considera.

A atitude do executivo atesta a tendência de empregabilidade e independência de vínculo com a corporação. Até a década de 90, conta Maria Tereza, o modelo da “empresa-mãe”, em que "um não existe sem o outro" era a tônica. "Hoje, o funcionário tem mais certeza de si mesmo." O que não significa, na visão da especialista, que a auto-suficiência impere sobre a gestão do conhecimento. "Um executivo, por mais prestigiado que seja, não consegue, por si só, deflagrar uma nova corrente de pensamento na área da administração se não encontrar ressonância com as necessidades da empresa naquele momento", afirma a professora.

Natureza do conhecimento - Para elaborar um programa de distribuição de informações no ambiente corporativo voltado a ações estratégicas é preciso observar três pontos: a definição do que realmente vale a pena ser desenvolvido pela empresa; a maneira pela qual as pessoas podem compartilhar o conhecimento que sustentará sua vantagem competitiva; e as formas de proteger esses dados.

Recentemente, a Fundação Getúlio Vargas lançou o curso de Circulação de Capital Intelectual entre os CEOS para suprir a falta da troca de experiências entre os profissionais de alto escalão. De acordo com o organizador Heliomar Quaresma, a proposta inclui semanas de imersão entre presidentes e vice-presidentes; diretores e gerentes com vivência estratégica. Eles são instruídos a motivar, liderar, criar uma estrutura para a tomada de decisões e trabalhar com pessoas de diferentes perspectivas.

A partir do desenvolvimento de novas habilidades e aptidões altera-se a compreensão dos indivíduos sobre a realidade, bem como os modelos mentais, compostos por “idéias arraigadas, generalizações ou mesmo imagens que influenciam nosso modo de encarar o mundo", explica a diretora da FEA.

De acordo com Maria Tereza, embora o conhecimento operacional seja essencial para o funcionamento de qualquer empresa, cada vez mais, deve-se associá-lo ao conhecimento conceitual, geralmente pertencente ao quadro diretivo. Entre os primeiros, Maria Tereza engloba a experimentação e a inovação, que implicam a geração de novos conhecimentos e metodologias, que levam a novos conhecimentos e metodologias que levam a novos produtos ou serviços; já a experimentação em geral é motivada por oportunidades de expandir horizontes, não por dificuldades.

A especialista explica que a aquisição de conhecimento e o desenvolvimento de competências podem se dar por meio de processos reativos e proativos. Assim, ela alerta que as organizações devem ter em mente que além de estabelecer rotinas e procedimentos para lidar com problemas internos e externos, o indivíduo é capaz também de dividir o conhecimento que possui com os demais membros da organização. “Assim, vai se criando a memória organizacional”,conclui.


Destaques da Loja Virtual
INOVAÇÃO COM RESULTADO : O OLHAR ALÉM DO ÓBVIO

Todos os dias, muitas empresas desaparecem por não conseguir se reinventar. Com as dificuldades do mercado e as pressões competitivas sem precedentes,...

R$40,00