SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 18/06/2003
Autor: Sergio Buaiz
Fonte: Sergio Buaiz

O desafio de fugir à regra

Navegando sobre as ondas de um mercado mutante

Qual a sua profissão? Você escolheu por livre e espontânea vontade? Ou é uma influência dos seus pais, amigos e professores? Você está feliz?

Infelizmente, o mundo evolui mais rápido que a nossa educação. Ainda hoje é possível encontrar jovens em conflito, tentando conciliar sua verdadeira natureza com o desejo dos outros. É o famoso dilema: dinheiro ou realização.

Durante muitos anos, foram poucas as respostas válidas para a famosa pergunta:
— Joãozinho, o que você vai ser quando crescer?

Como conseqüência, vemos um número cada vez maior de engenheiros e doutores em crise existencial. Parece que esses títulos não trazem mais dinheiro e felicidade como antes.

Para a minha geração, um pouco mais nova, o leque de opções é mais abrangente: Administração de Empresas, Comunicação e Informática, entre outras carreiras igualmente reconhecidas como sérias e prósperas. Quem escolhesse fazer uma faculdade dessas recebia o apoio dos pais e era acolhido em seu grupo social.

Hoje, porém, muitos desses pais já provaram o desemprego e a falta de realização. Descobriram, da pior maneira possível, que não existe mais segurança para ninguém.


CARREIRA DA MODA? FUJA!
Nos últimos anos, observamos a formação de algumas ondas no que se refere à escolha profissional. A paranóia do desemprego criou a célebre questão:
— A carreira que escolhi é valorizada no mercado?

É a tal lei da oferta e da procura. Sempre que surge uma necessidade, o mercado avisa:
— Precisamos de biólogos, jornalistas, designers gráficos, projetistas etc.

O salário desses profissionais dispara, fazendo a alegria do papai, da mamãe e da vovó. Daí, o vestibular é polarizado entre as cinco carreiras mais divulgadas na imprensa, no ano anterior, e forma-se uma corrida desenfreada pela miragem de um bom emprego.

Em poucos anos, o número de profissionais especializados na carreira da moda supera as vagas prometidas. O que acontece? Desvalorização, desemprego e falta de oportunidade.

O pior é que o mercado não avisa quando essa relação entre oferta e procura se inverte. Afinal, para os empregadores é ótimo que os salários sejam achatados. Assim, as universidades continuam produzindo fornadas de profissionais com aquela especialização.

Percebeu aonde isso vai chegar? Diploma debaixo do braço, currículos espalhados, mil profissionais por vaga e longas tardes de domingo, garimpando classificados em busca da oportunidade perdida.

Dois anos mais tarde, a grande maioria desses profissionais já está trabalhando em outras carreiras. Desiludidos, seus pais não entendem o que aconteceu e começam a achar que seus filhos são coitadinhos, colocando a culpa no governo.

Tsc, tsc... sabe de quem é a culpa? Da influência externa; dos pais e educadores que tentam orientar o filho visando uma boa colocação no mercado; das revistas e guias de vestibulares que divulgam ostensivamente a carreira da moda; enfim, de todos que tentam decidir o futuro de alguém pela razão momentânea de um mercado mutante.

A verdade é que não há nada pior do que escolher a carreira profissional pelo título, pela moda ou qualquer outra regra imposta pela sociedade, pois fazer o que todos os outros fazem é o caminho mais curto para o desemprego.

Hoje, em pleno século XXI, a única fórmula segura para ser bem-sucedido é fazer o que arde no coração. Especializar-se naquilo que realmente gosta.


SEJA AUTÊNTICO E FELIZ
Se não existem mais garantias de emprego, como orientar nossos jovens?

Será que ainda vale a pena insistir que eles sigam carreiras convencionais como Medicina, Direito e Engenharia, mesmo que eles não tenham essa vocação? Publicidade, Administração de Empresas, Economia ou Informática? Qual é a carreira mais promissora? Qual será a onda do momento, daqui a dez anos?

A resposta é: mude a sua maneira de pensar ou sofra as piores conseqüências. O que era certo há vinte anos, não serve mais. Está ultrapassado.

Não estou dizendo que estas sejam profissões ruins. Muito pelo contrário! As carreiras tradicionais (ou da moda) continuarão sendo sempre boas escolhas para quem gosta. O que não dá certo é pensar que o diploma, pedaço de papel, garante alguma coisa.

É curioso notar como a sociedade é engessada em torno desses paradigmas sobre o que é certo ou errado. São traços culturais fortalecidos pelo tempo, que nos fazem acreditar realmente que existem caminhos legítimos e outros nem tanto.

Mas não existem leis ou atalhos para o sucesso. Da mesma forma, não existem padrões de aparência e conduta ideais. Cabelo arrumado, terno e gravata não significam mais nada. Talvez seja melhor colocar um piercing, pintar a barba de verde e tocar guitarra em uma banda de rock, se tiver talento e disposição para seguir adiante.

Entretanto, mesmo nas famílias mais liberais, atitudes como essas despertam receios e questionamentos sobre o que certo ou errado. Limites são impostos, como se fosse uma escolha menos digna, mais difícil, com pouca ou nenhuma possibilidade de êxito.

A verdade é que, em maior ou menor grau, qualquer carreira que fuja dos padrões da época causa apreensão. Pense bem: salvo os “filhinhos de peixe”, quem recebe apoio quando resolve ser artista plástico, jogador de basquete, roteirista ou mergulhador? Na maioria dos casos, a família rema contra até o sonhador desistir da idéia.

É compreensível que os pais queiram facilitar a vida de seus filhos, mas já vimos que isso não é real. Nada é mais difícil do que se destacar sendo igual aos outros. Seguir a carreira da moda e ser “mais um” é tudo o que o não se deve fazer. Percebe?

Olhe para os lados e veja: só fica desempregado quem faz o que muitos fazem, ou quem tem uma habilidade específica que ninguém precisa mais. O temível mercado segue uma única lei: contratar diferenciais úteis. Por isso, quanto mais necessária e única for a sua habilidade, mais valorizada ela será.

Ao invés de fazer o seu filho acreditar que as coisas podem ser mais fáceis, incentive-o a buscar os próprios sonhos com determinação. Aponte riscos e desafios, mas deixe que ele faça a própria escolha, pois é somente assim que o sucesso acontece.

Se ele for autêntico e estiver feliz, terá vontade de se aprimorar continuamente. Isso aumentará suas chances de conquistar o merecido espaço no mercado.


PAGUE O PREÇO DO SEU SONHO
Limitar seu filho ao que parece fácil é a pior maneira de prepará-lo para o mundo. Basta observar a quantidade de pessoas acomodadas e sem esperança ao nosso redor.

Infelizmente, a educação brasileira forma seguidores ao invés de líderes, mas você pode mudar isso: seja um guerreiro insinuante e responsável. Você só precisa saber o que quer, e uma vez que tenha isso claro em mente, deve estar disposto a lutar bravamente até o fim.

Haverá dificuldade? Muitas. Todos temos ao longo da vida. A diferença é que estando alinhado com seu sonho, nada abalará sua confiança. Suas derrotas serão menos dolorosas, se um objetivo maior estiver em jogo.

Ao invés de querer impor suas crenças ou protegê-lo debaixo de suas asas, deixe que seu filho experimente novos desafios. Faça ele entender que cada sonho tem um preço, mas que tudo é possível se estiver realmente empenhado em conseguir.

Muitas vezes, a escolha por um caminho alternativo ou específico demais implica em enfrentar preconceitos e barreiras culturais. Provavelmente, implicará em renúncias, mas nem sempre o que é essencial para mim tem valor para você.

A pergunta é: do que você está disposto a abrir mão pelo seu sonho? Quanto você está disposto a investir, em tempo, dinheiro e imagem, para chegar lá?

Se for a sua vontade, tenha coragem de pensar diferente. Enquanto a maioria sofre seguindo as leis de mercado, existem as exceções cada vez mais visíveis, encontrando felicidade na contramão. São os diferentes, chamados de vagabundos, rebeldes ou loucos (e depois venerados) pela opção consciente de fugirem às “regras”.

Artistas e empreendedores são grandes exemplos disso. Historicamente, muitos foram questionados e até humilhados por violarem as tais “regras” de conduta. Porém, esse espírito livre é terreno fértil para a felicidade e a realização.

Ao escolherem fugir à regra, cientistas, músicos e empresários de sucesso enfrentaram maiores provações no caminho e se acostumaram a vencer desafios, um após o outro. Isso foi importante para amadurecerem suas idéias, talento e determinação rumo à vitória.

Conheço pessoalmente muitos exemplos, pois tenho essa alma livre. Cultivo desde cedo a crença infantil de que tudo é possível e até hoje nunca me provaram o contrário.

É uma vida maravilhosa e estimulante, mas que exige um grau de disciplina acima do comum. Afinal, temos que construir a própria escada, degrau por degrau.

Quem foge à regra convive diariamente com o pessimismo alheio. A má vontade dos familiares e amigos também costuma ser freqüente, até que os primeiros paradigmas sejam derrubados. Há perdas e sofrimento no processo.

Entretanto, não há nada mais gratificante que alinhar o Sol da oportunidade com o próprio sonho. Por isso, não importa o que os outros digam sobre o mercado. Rasgue o seu diploma, se preciso. Pague o preço de escrever sua própria história de sucesso.

Seja livre e feliz, fazendo bem-feito o que gosta!


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