SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 18/06/2003
Autor: João Braz da Silva*
Fonte: João Braz da Silva*

Mortalidade das micro e pequenas empresas

O lado bom de termos uma grande participação das Micro e Pequenas Empresas no desempenho da economia nacional contrasta com a alta taxa de mortalidade dessas empresas, sendo que - das empresas que iniciam suas atividades - basicamente 70% delas não completam o 2º ano de existência. É verdade também que essa taxa de mortalidade vai se reduzindo a cada ano de sobrevivência completado pela empresa. No entanto, os problemas enfrentados por elas permanecem durante o período em que continuam operando.

Esses altos índices de mortalidade empresarial (fechamento de empresas) representam um grande desperdício de esforços e recursos de toda sociedade, pois acabam não produzindo o retorno esperado por seus investidores.

A alta taxa de mortalidade das empresas de pequeno porte tem sido alvo de estudos no mundo inteiro. Afinal, esse segmento empresarial é cada vez mais responsável pelas riquezas e empregos gerados pela economia do país.

Em estudo realizado na Austrália em 1997, o Ministro Federal para Ciências "queixou-se da dificuldade em ajudar os pequenos empreendedores, pois esses não sabiam identificar seus verdadeiros problemas".

Esse mesmo estudo "aponta a má administração, o fraco planejamento e um gerenciamento incompetente como faltas graves que levam uma empresa a falir (fechar)".

No Brasil existem pesquisas que comprovam essas afirmações e mostram as possíveis necessidades a serem atendidas para uma melhor sorte daqueles que sonham em ter seu próprio negócio.

Essas pesquisas, no entanto, trazem diagnósticos sob a ótica do empreendedor (dono do negócio), e nem sempre o proprietário da empresa consegue identificar o real problema que ocasiona tantas dificuldades e, muitas vezes, leva a empresa à falência (fechamento).

Temos notado que os empreendimentos surgidos no Brasil basicamente derivam: da oportunidade de colocar em prática todo o conhecimento técnico sobre determinado produto ou processo; da idéia de possuir independência funcional (não ter patrão, nem horários a cumprir); ter sobra de recursos financeiros e ser a única alternativa frente ao grande volume de desempregados.

Essas variáveis que levam ao nascimento de uma nova empresa, na sua grande maioria, não passam por uma avaliação fria e calculada dos riscos e problemas que deverão ser identificados e enfrentados por qualquer empreendimento que deseje obter êxito em suas atividades.

Dentre os principais riscos e problemas enfrentados, podemos destacar: a falta de um plano de negócios devidamente ajustados à realidade do mercado; falta de avaliação das necessidades a serem atendidas para operacionalização das metas estabelecidas; falta de acompanhamento de resultados obtidos e revisão dos processos executados; falta de capacidade para gerenciar as diversas áreas (finanças, contabilidade, compras, vendas, estoques, marketing, recursos humanos, etc.) que envolvem as tomadas de decisão de qualquer empreendimento; falta de perseverança para negócios viáveis; falta de capacidade para lidar com as adversidades e falta de capacidade para adaptar-se e/ou aproveitar as oportunidades que o mercado exige e/ou oferece.

Entendemos que esses sejam os principais problemas enfrentados pelo empreendedor, que muitas vezes aponta para a falta de crédito e de incentivos governamentais como os dois principais motivos para seu fracasso nos negócios. No entanto, não revisam suas práticas de administrar o empreendimento e não percebem que a disponibilização de recursos para projetos e produtos inviáveis (que não geram riquezas) poderá disfarçar os péssimos resultados da empresa e, com isso, contribuir para a falência definitiva, não só do empreendimento, como também do proprietário.

Percebe-se que existe um grande interesse do governo e de entidades de fomento em auxiliar no desenvolvimento dos micro e pequenos empreendimentos. Mas, na verdade, o próprio empreendedor muitas vezes não consegue aproveitar 50% desses auxílios, simplesmente por desconhecer as reais necessidades de sua empresa.
Por isso julgamos necessária uma maior conscientização e qualificação gerencial dos novos empreendedores como forma de alavancar e sustentar o bom desempenho do micro e pequeno empreendedor.

João Braz da Silva* - Bacharel em Ciências Contábeis, especialista em Planejamento Tributário e mestrando em Gestão de Negócios pela UFSC.


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