SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/06/2003
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

As pequenas e o desenvolvimento

A influência das Micros, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) no desenvolvimento regional, embora significativa, ainda não é tratada de forma adequada. Se considerarmos que apenas 20% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial é comercializado internacionalmente, podemos ter uma clara visão da importância da atividade econômica local no desenvolvimento dos países. Adicionalmente, devemos considerar que, ainda que a América Latina tenha um comercio internacional muito importante, este se encontra concentrado basicamente na grande empresa e, em alguns países, na industria de maquilagem.

Os dados anteriores sinalizam claramente que, ao menos pôr enquanto, a globalização é um processo que atinge "diretamente" somente a um segmento relativamente pequeno das empresas latino-americanas; porém, sem dúvida, este fenômeno exerce influência em toda a atividade econômica de diversas formas.

Consideremos outros fatores a respeito. De acordo com o informe do FUNDES para 10 países da América Latina (não inclui o Brasil), temos que a microempresa representa 93% das unidades econômicas, a pequena e a média empresa representam 6,7% e a grande corresponde a 0,4%.

Embora seja um fenômeno observado na maior parte dos países da região, a maioria das empresas concentra-se nas grandes cidades e quanto menor seja o porte da empresa, maior é o seu grau de dispersão regional. Isto não é casual, o impacto das microempresas no desenvolvimento regional é um fato observado na prática.

Porém, para entender a problemática das empresas de menor tamanho e sua inserção como elementos-chave no desenvolvimento regional, é necessário dispor de uma ferramenta metodológica que permita descrever e discriminar entre políticas, atores e âmbitos de ações. Neste sentido, a competitividade sistêmica propõe determinadas condições necessárias para tornar a economia "competitiva" no seu conjunto, por meio das empresas. Estas condições se dão em quatro áreas principais: meta, ou dos valores e cultura; macro, ou das grandes decisões de política; médio, ou das decisões de política regional ou setorial e finalmente micro, ou das decisões ao interior da empresa, as quais interagem permanentemente.

Um desenvolvimento regional com um alcance além de políticas setoriais isoladas em função unicamente dos mercados externos e que tenha realmente uma visão de conjunto, supõe a promoção das micros, pequenas e médias empresas (particularmente, o que temos denominado empresa média), fundamentalmente pela sua maior dispersão geográfica — contribuição à geração de empregos e a um maior equilíbrio no desenvolvimento regional.

Contudo, para promover as empresas de menor tamanho, é fundamental reduzir ou eliminar os obstáculos para melhorar a competitividade. Somente as empresas que podem concorrer com eficácia nos mercados locais podem atuar a nível internacional.

Para alcançar uma maior competitividade, devem agir em várias frentes de maneira simultânea e permanente. A tarefa de longo prazo é a que se refere ao câmbio de atitude da sociedade frente ao empresário (meta-nível). A imagem negativa que se tem do empresário é um fator que inibe o potencial empresarial da região; e ao mesmo tempo, tem o efeito de promover o trabalho assalariado.

No macro-nível, embora existam avanços significativos, é importante a consolidação com projetos nacionais abrangentes; não só para o setor empresarial mais dinâmico e integrado ao comercio internacional (a grande empresa), como também para a MPME, como um estrato empresarial muito prometedor e parte essencial da estrutura produtiva.

Para isso, as políticas setoriais (médio-nível) devem apoiar os resultados macro com uma visão das necessidades geosetoriais da MPME; convertendo — nesses âmbitos — as necessidades da mesma em objetivos estratégicos das políticas. É neste nível que se observa o ambiente em que as empresas operam. Isto implica, por exemplo, a geração da infra-estrutura necessária para reduzir custos à empresa, conseguindo por sua vez, uma maior competitividade.

No aspecto micro, se deve gerar um esforço permanente e consistente — desde as próprias empresas — para melhorar sua competitividade (a partir de um processo efetivo e contínuo de inovação), sem descuidar do elemento humano como eixo e beneficiário do crescimento econômico.

Finalmente, a promoção da empresa média é uma tarefa que exerce influência decisiva no desenvolvimento regional. Uma visão da estratificação das empresas de menor tamanho a nível nacional mostra como este conjunto de unidades econômicas pode ser capaz — com uma visão de conjunto — de gerar o desenvolvimento e a descentralização necessária para melhorar as condições de vida das sociedades.

*O autor é mestre em Economia e Política Pública, consultor Senior do Programa Entorno, FUNDES Internacional.


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