SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 27/06/2003
Autor: Mariana Barbosa
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

Criar cooperativa de crédito é fácil, difícil é fazer funcionar

As medidas anunciadas pelo governo para estimular as cooperativas de crédito e aumentar sua participação no Sistema Financeiro Nacional correm o risco de provocar um crescimento insustentável. "É muito fácil criar cooperativas, difícil é fazê-las funcionar", alerta especialista em microfinanças da Agência de Desenvolvimento Solidário, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Reginaldo Magalhães. Na sua avaliação, a falta de exigência para estimular os associados a poupar pode deixar o sistema vulnerável. Hoje as cooperativas de crédito respondem por 1,5% do sistema financeiro e já há quem estime que essa participação pode crescer para 5% a 10% em cinco anos. Para efeito de comparação, na Alemanha elas representam 20% do sistema.

"As cooperativas vão poder emprestar muito mais do que dispõem de recursos.

Isso pode fazer com que elas não se esforcem para mobilizar poupanças locais", diz Magalhães. Enquanto as cooperativas de crédito rurais que repassam recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) só podem emprestar até 10 vezes o valor de seu patrimônio, as cooperativas de livre associação, cujas regras foram anunciadas na quarta-feira, não têm nenhum limite.

Para aqueles que moram em cidades com até 100 mil habitantes, bastam 20 pessoas e R$ 3.700,00 para montar uma cooperativa de crédito (desde que filiada a um sistema central). É só fazer uma assembléia, reunir os documentos necessários - modelos de estatuto estão disponíveis na internet -, e enviá-los para a aprovação do Banco Central, e depois registrar em uma junta comercial. O problema começa na hora de tocar a cooperativa.

As medidas anunciadas prevêem estímulos para formação e capacitação. No entanto, esse estímulo esbarra na falta de pessoal. "Não há hoje no País técnicos suficientes para atender a um aumento de demanda de novas cooperativas", afirmou.

Outra questão apontada por Magalhães é a necessidade de políticas de capacitação para os empreendedores que tomarem empréstimos. Isso vale tanto para cooperativas quanto para qualquer banco que repasse recursos de fundos públicos, como os mais de R$ 2 bilhões anunciados na quarta-feira. "Em muitos casos os empreendedores têm de passar por treinamento, mas a qualidade costuma deixar a desejar", disse. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) mostra que mais de 50% dos microempreendimentos beneficiadas pelos R$ 891 milhões liberados em 2000 pelo Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), com taxas de 2% a 6% ao ano mais TJLP, regrediram depois de dois anos.


Destaques da Loja Virtual
GERÊNCIA FINANCEIRA PARA MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Com este livro empresários, administradores e estudantes terão oportunidade de aprender, de forma prática e didática, como organizar, acompanhar e con...

R$47,00