SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 02/09/2003
Autor: Isabela Barros
Fonte: DIÁRIO DO COMÉRCIO

Sem medo das oportunidades

Criador da metodologia Adizes de Diagnóstico fala sobre medos, oportunidades, mudanças, mulheres e meditação. Conceitos gerais valem para empresas, governos e pessoas.

É tudo uma questão de descobrir onde estão as oportunidades. E aprender a lidar com elas sem medo de mudar. Criador do chamado método Adizes de diagnóstico e terapêutica para transformação organizacional, lchak Adizes é um homem que acredita no poder das mudanças como estratégia para o crescimento de empresas e pessoas. Fundador do Adizes Institute, em Santa Bárbara, na Califórnia (EUA), o consultor tem seu método utilizado por empresas de Israel, Espanha, México, países escandinavos, Estados Unidos e Brasil. A Associação Comercial de São Paulo, ACSP, é uma das instituições que seguem esses conceitos no País. Na última terça-feira, Adizes esteve na ACSP para explicar os detalhes da sua metodologia a profissionais de diferentes áreas. "0 importante é aprender a gerenciar as mudanças", disse.


A base da metodologia Adizes está na necessidade de aprendera lidar com as mudanças de modo geral. Por que as empresas têm tanto medo de mudar?

As mudanças podem significar problemas ou oportunidades, depende do ponto de vista de quem analisa a questão. Em chinês, por exemplo, as duas palavras são sinônimos. É importante ter em mente que, de problemas em problemas, nos tornamos mais fortes. Não existem, oportunidades sem problemas. São as "OporAmeaças". Quem trabalha com comércio, por exemplo, vive de tentar solucionar os problemas de outras pessoas. Não há como escapar desse tipo de conflito necessário ao crescimento. A mudança é a vida, no fundo uma grande cadeia de problemas. A estabilidade total só acontece mesmo com a morte. Tenho como cliente uma empresa de software que reclama muito dos problemas que enfrenta. O detalhe é que essa empresa passou de zero para US$ 180 milhões em vendas em três anos. Como não ter problemas com um salto desses?


E qual a melhor forma de lidar com as mudanças?

O segredo é acelerar as mudanças da maneira correta. É
aí que entra a nossa metodologia. Acredito que as empresas e pessoas devem ser medidas pelos tipos de problemas que elas têm: idéias pequenas, problemas pequenos. Idéias grandes, problemas grandes. A estratégia é aprender a analisar os conflitos vendo os setores da empresa como subsistemas dentro de um sistema maior. Sempre que há mudanças, tudo muda junto. Curar é juntar, evoluir preservando a união do todo, a harmonia. A chave é mudar sem desintegrar.


A metodologia Adizes possui uma fórmula para explicar esses procedimentos?

Possui sim. A fórmula diz que o sucesso de uma empresa vem em função do equilíbrio entre os marketings externo e interno. O externo representa a necessidade de integrar as capacidades da empresa às possibilidades oferecidas pelo mercado. Já o marketing interno está ligado ao poder de convencimento dentro da organização, ao respeito e à confiança mútuos dentro da empresa. Os árabes, inclusive, têm um hábito corriqueiro capaz de explicar essa idéia. Ao cumprimentar os amigos, esses povos mostram as mãos com todos os dedos juntos. Para maldizer algum desafeto, os dedos são separados, numa prova de que a integração faz a diferença.


A que situações se adaptam esses conceitos?

São idéias que valem para agentes tão diversos como empresas, governos e pessoas. A autoconfiança a que me refiro no marketing interno é fundamental para o sucesso pessoal de cada um de nós. Dinheiro e boa educação, por exemplo, não valem nada sem auto-respeito. Falando em governos, países como o Japão, que não possuem riquezas como ouro ou diamantes, cresceram baseados numa cultura de confiança e respeito.


De que forma esses valores podem ser trabalhados no cotidiano das empresas?

São detalhes simples, como a noção de que não se deve chegar atrasado a uma reunião na empresa. Se o colega teve que fazer todo um esforço para chegar na hora, eu não tenho o direito de agir de outra forma.


Como orientar os funcionários sobre a necessidade de mudar mantendo a integração?

As pessoas têm que ser convencidas a mudar. É preciso que os funcionários e colaboradores tenham a mente aberta, sabendo que tipos de problemas a empresa enfrenta e o que devem fazer para transformá-los em oportunidades. Ainda há muitos líderes que guardam os problemas da organização numa folha de papel para si mesmos, o que é uma falha. Quando todos sentem que podem resolver os problemas juntos, trabalham juntos da forma mais natural possível.


Que tipos de problemas e oportunidades o senhor identifica nas empresas e no povo do Brasil?

O Brasil tem uma sociedade muito amigável, muito disposta a colaborar. O que mais me chama a atenção nesse País é que aqui faltam as duas palavras citadas na bandeira nacional: ordem e progresso. Quando há ordem, não há progresso e vice-versa. Falta um pouco mais de produtividade às empresas e às pessoas no Brasil.


Quais são os principais medos das empresas brasileiras?

Muitas empresas ainda têm medo de crescer para não ter que enfrentar os problemas.


Como o senhor lida com os seus próprios problemas e oportunidades?

Me esforço para manter a minha autoconfiança das mais diversas formas. Uma delas é meditar todos os dias pela manhã e à noite. Pela manhã, o foco é me sentir fazendo parte de um todo, integrado ao mundo e aos elementos que compõem a minha vida. À noite o objetivo é limpar a mente antes de dormir. Desse modo consigo lidar com o fato de que tenho dentro de mim uma série de desentendimentos. Sei que o meu espírito precisa estar acima das minhas emoções e não me sinto atacado pelos problemas do cotidiano se estou em paz comigo mesmo. Trabalho com mais energia desse jeito. Acho que todo executivo deveria meditar.


O senhor já viveu momentos decisivos de mudanças na sua vida pessoal?

Sim, muitos. Descobri muito cedo a necessidade de mudar. Nasci na Macedônia, numa família judia. Durante a Segundo Guerra Mundial vivi escondido na Albânia. Aos 25 anos, era um jovem que falava mais de três línguas, tinha contato com muitas culturas diferentes e já tinha vivido nas mais diversas condições. Foram experiências práticas e fortes de mudança, mais baseadas em situações concretas do que exatamente em figuras da minha família.


Como o senhor analisa a maior participação das mulheres em esferas como o mercado de trabalho e a vida política? As mulheres estão se esforçando mais para mudar do que os homens?

Não tenho a menor dúvida. Tenho seis filhos, dos quais duas mulheres e quatro homens e percebo claramente que eles estão numa posição subalterna hoje. As mulheres estão ganhando espaço nas empresas, nas universidades, na política e onde quer que queiram. E cheias de energia para conseguir ainda mais no futuro. No passado elas eram impedidas de mudar e eles eram os mais agressivos. Essa situação já se inverteu e os homens estão perdidos, sem saber o que fazer diante de tantas mudanças.


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