SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 30/09/2003
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Empresa familiar já fatura R$ 163 bilhões

As empresas familiares têm peso significativo na riqueza do País medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) e têm receita líquida de R$ 163,44 bilhões, segundo dados da Bernhoef Consultoria.

Para se manter ativa no mercado, no entanto, esse tipo de empresa deve profissionalizar a família. A dica é do consultor Renato Bernhoef, um dos proprietários da Bernhoef Consultoria.

Ele observa que um número crescente de empresas privadas toma esse tipo de decisão. É o caso da proprietária da Auto Viação ABC, fundada em 1908, Maria Beatriz Braga, que não encontrou problema na transferência de controle da companhia.

“Eu e meu irmão somos sócios em diversos pequenos negócios, por isso, sempre dividimos bem o controle das empresas”, garante.

No entanto, de acordo com ela, a idéia é procurar uma consultoria para aprimorar o gerenciamento da companhia. “Mesmo trabalhando com negócios pequenos, me preocupo em estabelecer um modelo de governança”, afirma.

Beatriz explica que sentiu necessidade de procurar consultores depois que criou uma tecnologia para ônibus de transporte público. “

Fundei uma nova empresa, a Electra. Nós criamos um ônibus híbrido, que produz um índice pequeno de poluição”.

O veículo funciona com energia elétrica e diesel. “Há um motor de combustão que faz com o que o gerador funcione. Já patenteamos e começamos as exportações para o Chile, Panamá e pretendemos ingressar na União Européia e China”, comenta.

Até agora, a nova empresa já faturou R$ 10 milhões e vendeu 70 veículos. “Rodamos 1,5 milhão de quilômetros para garantir o funcionamento do motor.”

Já a Cerâmicas Eliane, fundada em 1959, criou seu modelo de governança em 1995.

Hoje, a empresa é controlada pela segunda geração, enquanto a terceira se prepara para assumir a companhia.

Associação de herdeiros

Segundo André Gaidzinski, membro da terceira geração, a empresa conta com 20 herdeiros, organizados em uma associação.

A segunda geração, os pais e tios de Gaidzinski, compõe o conselho administrativo e acionário da empresa. “Toda a nossa diretoria é profissionalizada”.

De acordo com Gaidzinski, o próximo passo da família será montar um código de ética e normas de comportamento da família. “Com isso, evitamos diversos conflitos entre os parentes”, explica.

Para ele, não importa o tamanho da empresa, se ela for familiar, deve procurar uma consultoria e estabelecer regras que impeçam a falência do negócio.

“Começamos como uma microempresa. Hoje, temos 10 fábricas e faturamos R$ 450 milhões no ano passado. Cerca de 35% da nossa produção é exportada, incluindo para EUA e Canadá”.

Gaidzinsk esteve em uma conferência para empresas familiares na Suíça e avalia que, a grande vantagem “é conhecer empresas que já estão, por exemplo, na 15ª geração, pois cada uma das gerações enfrenta diferentes problemas”.

Segundo ele, com isso, a Eliane pôde conhecer melhor que eventuais disputas poderá enfrentar e evitar que aconteçam.

A primeira passagem

Para Renato Bernhoef, uma das grandes dificuldades é a passagem da primeira para a segunda geração. “É necessário estabelecer um modelo de governança, ou seja, como as empresas serão gerenciadas e os direitos e deveres de cada membro”.

Para ele, se existe qualquer empecilho familiar, a atenção é desviada da empresa para o problema.

De acordo com Bernhoef, hoje, as empresas familiares não esperam que os conflitos apareçam para resolvê-los. “Elas estão procurando a consultoria de forma preventiva”.

Os membros da família são, primeiramente, preparados para serem acionistas das empresas, aprendendo como avaliar resultados e balanços, por exemplo.

Assim, a diretoria da empresa é profissionalizada e os familiares passam a integrar os conselhos administrativo e acionário. “Cada um conhece o seu papel na empresa e não disputa poder”, afirma.

Para o consultor, esse tipo de problema aparece em qualquer tamanho de empresa.

Ele cita as empresas Matarazzo, Metal Leve e Bombril como exemplos de problemas familiares que acabaram levando os proprietários a vendê-las ou fechá-las.

“Mas grandes empresas como Cargill, Wal-Mart, Gerdau e Sadia continuam aí, com os familiares orientados”, afirma.


BRASIL TEM 22 EMPRESÁRIOS NA REUNIÃO MUNDIAL DAS FAMILIARES

O Brasil teve 22 representantes na 14ª Conferência Mundial das empresas familiares The Family Business Network, que aconteceu em setembro na Suíça. O País mandou mais empresários que países ricos como França e Reino Unido.

O programa é dirigido a empresários, acionistas e herdeiros de empresas.

Wagner Luiz Teixeira, consultor da Bernheoft Consultoria, conta que “as empresas que foram ao encontro puderam aprender com a Mams, distribuidora de produtos da Lacoste, que tem 16 herdeiros, faturou 2 bilhões de francos e mais de 20 mil empregados”.

Segundo Teixeira, essas empresas mostram aos brasileiros que é possível ter um negócio familiar bem-sucedida. “A companhia percebe que é capaz de internacionalizar seus negócios”, afirmou o consultor.

Assim, acabam com a impressão de que empresa familiar deve ser limitada a seu território de origem.


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