SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 15/10/2003
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

O empreendedorismo e a gestão da inovação

Existe uma literatura razoavelmente extensa sobre empreendedorismo, inovação e gestão de tecnologia. Claro que há uma relação clara entre esses temas, e, ao nosso ver, o gene dominante é o da inovação. Entretanto, de um modo geral, os diversos conceitos sobre o assunto são nebulosos. Como exemplo, no "Livro Verde Sobre a Inovação", publicado pela Comissão Européia em 1996, encontramos: "o oposto da inovação é o arcaísmo e a rotina". Dezenas de frases similares proliferam na literatura escrita, ou foram pronunciadas por executivos ou estudiosos, entretanto, elas pouco esclarecem ou contribuem para uma ampla compreensão do assunto. O problema de conceituar inovação pode ser bem ilustrado pelo diálogo: "O que é jazz Mr. Armstrong? Minha cara, uma vez que a senhora se viu obrigada a perguntar, é sinal de que nunca saberá o que ele significa".

Como no jazz, podemos identificar os vários sabores da inovação e enumerar sua presença na cronologia da longa jornada de evolução da humanidade. O ponto de inflexão dessa evolução ocorreu em 1637 com a publicação do livro "Discurso sobre o Método" do filósofo e matemático francês René Descartes. Essa obra marca o início do método científico, o pensamento metodológico que possibilitou a passagem do estágio da observação e da lógica para o estágio da experimentação. Nessa metodologia, partindo do nível das idéias e observações, chegamos à experimentação que conduz naturalmente ao desenvolvimento tecnológico. No mundo corporativo a etapa seguinte consiste em levar a tecnologia para o mercado mediante o uso de um modelo de negócios. Essa cadeia de valores, que fornece a metodologia para se passar do nível das idéias para os negócios, constitui o que chamamos de "pipeline" de inovação.

Desse ponto de vista, a inovação é o uso de novas idéias para melhorar os processos ou para diferenciar os produtos ou serviços. Portanto, não basta ter novas idéias, elas devem refletir nos negócios da empresa, e a cadeia de valores que leva do universo das idéias ao dos negócios. Gestão da inovação é, na realidade, a gestão desse "pipeline" que envolve idéias, modelos de negócio e mercado. É uma área multidisciplinar e multifuncional que abrange pesquisa e desenvolvimento, produção, operações, marketing e desenvolvimento organizacional.

Quando nos referimos à inovação no processo corporativo, visando melhorias de processos, diferenciais competitivos ou a diminuição de custos, estamos realmente falando sobre o "pipeline" da inovação: a cadeia de valores que transforma idéias em experimentos que resulta em aplicações associadas a modelos de negócio. Do mesmo modo que a empresa possui um "pipeline" de vendas para alimentar suas receitas, ela deve ter um de inovação como parte integrante da evolução de seus negócios. Ele é a chave para o crescimento das empresas. A ele nos referimos ao afirmar "se não inovar, morre". Assim, o "pipeline" de inovação é o processo pelo qual as empresas evoluem, lançam novos produtos, conquistam novos mercados e criam barreiras estratégicas.

Desse ponto de vista, a gestão da inovação ou, mais precisamente, a gestão do "pipeline" de inovação, é fundamental para desenvolver os negócios da empresa, e o empreendedor é o elo chave nesse processo. Podemos definir um empreendedor como um gestor de inovação. Ele atua em um amplo espectro que vai da estratégia da inovação à estratégia dos negócios. O bom empreendedor não é necessariamente um bom gestor de negócios, uma vez que fazer essa gestão é bem diferente e mais difícil do que fazer a de negócios.

A gestão de negócios está relacionada com qualificação e treinamento nos processos corporativos, enquanto que a da inovação exige uma associação do gene da inovação com o dos negócios. É essa conjunção que caracteriza o DNA do empreendedor. A dificuldade em se treinar e formar empreendedores é amplificada pelo fato de que a grande maioria dos cursos de empreendedorismo ensina na realidade gestão de negócios ao invés de se concentrarem na gestão da inovação. Ao nosso ver um grande equívoco. A gestão da inovação deveria ser parte integrante dos currículos de administração de empresas, dos MBA´s de negócios, bem como dos cursos de empreendedorismo.

Como gestor da inovação, o empreendedor está naturalmente associado a empresas emergentes, as chamadas "start-ups". Entretanto ele é uma figura essencial para a companhia de um modo geral, devido à sua visão estratégica da inovação, associada à capacidade de gerir o "pipeline". Mesmo empresas maduras necessitam do empreendedor para fazer a gestão da inovação de modo a garantir o seu crescimento e longevidade. Muito já se escreveu sobre o fato de que ao surgirem inovações associadas a tecnologias de ruptura-como a internet-as empresas emergentes têm mais chances no mercado por razões diversas, tais como agilidade e falta de compromisso com uma cadeia de valores pré-estabelecida. Na realidade a performance das empresas nesse cenário está relacionada com a gestão da inovação e não com o tamanho.

*Jonas Gomes é doutor em matemática, consultor e administrador de empresa.

*Victor Taveira é analista de investimentos da São Paulo Corretora


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