SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 27/10/2003
Autor: Priscila Néri
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

Empreendedorismo, solução para o desemprego

Impulsivas e marcadas pela falta de planejamento, a maior parte das iniciativas empreendedoras no Brasil acaba em morte. De cada 10 empresas que abrem as portas, 7 deixam de existir até o quinto ano de operação. A vida curta não faz jus ao espírito empreendedor tão característico do brasileiro.

Mas o fenômeno pode ser compreendido ao analisar o que leva um novo empreendimento a nascer neste País. O Brasil é campeão mundial de empreendedorismo na modalidade "por necessidade", como revelou uma pesquisa realizada em 2002 pela ONG americana Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 37 países.

Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde as pessoas abrem negócios próprios por vocação, sonho ou "oportunidade de mercado", aqui - assim como em outros países pobres - a decisão é motivada por fome, miséria ou falta de alternativa no mercado de trabalho. O que significa que o empreendedorismo, mesmo que de forma espontânea e um tanto estabanada, acaba sendo a saída para essas pessoas driblarem o desemprego e garantirem o sustento de suas famílias.

Com o avanço da informatização e mecanização, as grandes empresas já não são mais a solução. "As grandes indústrias não geram mais emprego. Ao contrário - elas estão cada vez mais produtivas e lucrativas com cada vez menos trabalhadores", aponta o professor Heitor Peixoto, coordenador do Cento de Empreendedorismo e Inovação da Business School, uma escola de educação executiva. As estatísticas confirmam: nos últimos cinco anos, 96% das novas ocupações criadas no País foram geradas por pequenos empreendimentos.

Assim, o empreendedorismo se consolida como um poderoso antídoto ao desemprego. "Temos 14 milhões de empreendimentos informais. Se cada um deles gerar um emprego, já serão 14 milhões de novos empregos", argumenta Simara Greco, coordenadora-executiva da pesquisa GEM no Brasil e consultora do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade. "Quatro milhões (de empregos) a mais do que o presidente Lula prometeu no seu governo."

Então o que falta para o enorme potencial empreendedor do Brasil deslanchar?

A fórmula, segundo especialistas, é simples: capacitação empresarial e gerencial para o empreendedor e, do lado do poder público, políticas de fomento aos pequenos negócios.

Necessidade - A trajetória de Carlos Alberto Almeida comprova a teoria. Vítima de uma doença hereditária que o deixou cego aos 20 anos de idade, Almeida teve ainda mais dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. "Se para as pessoas chamadas 'normais' já é difícil encontrar um emprego, imagina para nós", diz ele. "Passei muito tempo mandando currículos. Depois percebi que eu tinha de procurar outros meios de sobrevivência."

Com a ajuda do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Almeida abriu uma fábrica de vassouras em Americana, no interior paulista. A fábrica começou com um capital de R$ 1.500 e dois produtos: uma vassoura e um rodo. Cinco anos depois, a Varrelar fatura uma média de R$ 30 mil por mês, fabrica 22 itens diferentes e emprega 6 pessoas (quatro deficientes visuais, como Almeida).

Desde 2000, a empresa é a principal fornecedora de vassouras de piaçaba (usadas por garis) da Prefeitura de Americana. "Vencemos todas as licitações nos últimos três anos por causa da qualidade do nosso produto", explica Almeida. "Agora vamos expandir para outras prefeituras da região." Assim, a Varrelar, um empreendimento nascido da necessidade, vence as estatísticas e cresce um pouco a cada ano.

Oportunidade - Na outra ponta, Marcus Abdo Hadade, de 31 anos, é um exemplo do empreendedor por oportunidade, aquele que investe num negócio próprio por enxergar um nicho de mercado. Junto com o irmão, Alexandre, Hadade foi incumbido pelo pai - um grande empresário do ramo eletroeletrônico - de elaborar um plano de negócios para uma área do grupo que estava dando prejuízo: a Gráfica Arizona.

"Fizemos uma extensa pesquisa de mercado e encontramos muitas oportunidades no setor", conta Marcus, que é formado em administração pela FAAP.

"Decidimos comprar a gráfica do meu pai e focar em serviços que tinham demanda mas não estavam disponíveis nas outras gráficas."

Os resultados falam por si: em cinco anos, o faturamento anual da gráfica saltou de R$ 300 mil para R$ 8 milhões e o número de funcionários da empresa subiu de 6 para 65. Ignorando a crise econômica por que passa o País, a empresa tem registrado um crescimento médio anual de 74%. O segredo? "É preciso investir no planejamento empresarial e acreditar no negócio", ensina o empresário. "O associativismo também é muito importante para compartilhar conhecimento e experiências", diz ele, que aos 31 anos preside a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje).


Destaques da Loja Virtual
LOJA DE SOM AUTOMOTIVO

Este perfil tem como finalidade apresentar informações básicas a respeito da abertura de uma Loja de Som Automotivo. Serão abordados assuntos relacion...

De R$8,00
Por R$6,00
Desconto de R$2,00 (25%)