SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 28/10/2003
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

A moçada quer empreender

Estudo realizado pela EmpresaBrasil! em parceria com a Invent mostra que a grande maioria dos estudantes universitários pensa em empreender. A pesquisa foi realizada junto a universitários de todo o país (100% via Internet) com vistas a entender o que pensam do empreendedorismo, como se posicionam, quais os fatores motivadores e os limitadores, onde vêem as dificuldades e o que esperam de suas carreiras face ao empreendedorismo.

Convenhamos que não é óbvia a cena de um jovem estudante, preocupado com suas festas, namoradas, roupas que usa, marcas que consome, carro que tem (ou quer ter), parar o que estiver fazendo para responder nove perguntas sérias sobre o que pensa de um assunto qualquer, concorda? Ainda mais sem nenhum benefício visível e palpável sendo oferecido, além de um muito obrigado ao final.

Logo no terceiro dia após o disparo dos e-mails, uma surpresa muito animadora: 2750 respondentes o que dá uma taxa excepcional de quase 14% da base. É importante lembrar que não houve qualquer tipo de motivação especial como prêmios, concursos.

Fomos ao ponto logo na primeira pergunta: você pensa em empreender? Estarrecedores 86,1% disseram que sim, sendo destes, 42,8% (sim, muito). Sabemos que declarações desse tipo em sondagens são sempre subjetivas pois estamos perguntando coisas hipotéticas e tentando inferir sobre atitudes futuras mas, mesmo assim, esse resultado é muito importante. Sabíamos, ou quem sabe intuíamos, que a questão do empreendedorismo vinha crescendo muito na cabeça dos estudantes, o que não tínhamos noção é que esses índices já fossem tão altos a ponto de investirem (não acho que pensaram estar perdendo) tempo para responder o questionário.

Respondida a primeira pergunta, dividimos os entrevistados em 2 grupos: aqueles que pensam em empreender e os que não o querem. A seguir apresentamos as conclusões mais importantes. Caso seja de seu interesse, disponibilizamos a apresentação completa do estudo em www.empresabrasil.com.br/frame.htm

Ao contrário do que se pudesse pensar, as maiores razões para empreender apontadas pelos jovens são Realização Profissional (35%) e Desejo de Ter o Próprio Negócio e não a Falta de Emprego (11%). É interessante como, ao menos na cabeça dos entrevistados, eles não percebem o empreendedorismo como uma saída, ou a última saída, para suas vidas profissionais.

Perguntamos onde eles julgam estar a maior dificuldade para realizar seus sonhos de empreender. Naqueles que querem empreender, uma parcela significativa (46%) acredita que a falta de capital é a principal dificuldade a ser superada.

Quando perguntamos o que eles esperam do governo, os jovens (de ambos os grupos) dividem suas respostas de forma quase que igualitária entre: Facilite a Entrada de Capitais (25%), Fomentador - Sebrae (24%), Financiador - BNDES (26%) e Faça as Reformas (19%). A alternativa Não se Meta foi escolhida por 6%. Essa pergunta não nos reserva grandes surpresas. Reserva lamentações, contudo, pois vemos que os jovens ainda estão muito influenciados por décadas de governos paternalistas e que coisas como o velho coronelismo ainda fazem parte de nossa cultura. Infelizmente ainda esperamos que alguém faça tudo por nós.

Perguntamos o que eles julgam ser mais importante para o empreendedorismo. Capital aparece em primeiro lugar (38%), coerentemente com a resposta da maior dificuldade. Em seguida, encontramos Acesso à Informação (32%). Educação é o próximo item, com 18% apenas. Alarmante? Talvez, mas buscando refletir sobre o que esses números nos dizem, pensamos que eventualmente a melhor tradução desses resultados é a de que os jovens não vêem na educação um caminho natural para o empreendedorismo e, quando pensam em se preparar para empreender, pensam mais em cursos, leituras, etc que podem ter sido englobados em Acesso a Informação (32%). Seja como for, é para se pensar.

Para terminar, perguntamos como eles vêem o Empreendedor Brasileiro. Criativo (39%) responderam os que pensam em empreender. Competente (21%) e Inovador (20%) vêm em seguida. Já os que não pensam em empreender não consideram o empreendedor brasileiro tão criativo (26%) e o vêem mais Competente (25%) e Inovador (25%). A diferença me parece mais relacionada ao próprio respondente (como ele se vê a si próprio) do que de fato a alguma diferença do empreendedor. Em ambos os grupos, no entanto, há uma auto-estima muito positiva do empreendedor brasileiro. Incompetente aparece com apenas 6% e 7% (nos 2 grupos).

Há coisas importantes que brotam do estudo. Em primeiro lugar, não dá mais para esconder de ninguém que o que seus pais esperam deles, ou seja, que arrumem um bom emprego, não vai acontecer. E não é culpa deles. Apenas esse tal do bom emprego é animal em extinção, acabou, desapareceu!

E empreender passou a ser uma boa opção, estão pensando nisso sim, buscando se informar, discutir. Recentemente participei de dois encontros empolgados de universitários sobre o tema (ECA Ribeirão e FAAP SP) e, num deles, havia uma audiência de mais de 50 jovens me ouvindo na numa noite de sexta feira!

Isso nos coloca cara-a-cara com outras várias questões: como ajudar esse jovem a se formar? Como ajudá-lo, posteriormente, a empreender? Como mudar nossa mentalidade "assistencialista"? Como fomentar o empreendedorismo no país? Como?

Mais de 80% dos estudantes está contemplando essa possibilidade, a busca de algumas dessas respostas é urgente!

*Bob Wollheim é diretor da ideia.com
E-mail: bob@ideia.com


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