SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/11/2003
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Gazeta Mercantil

Empresas familiares, gestão moderna

A governança corporativa chegou às empresas familiares. Ontem, duas grandes companhias de controle familiar, o Pão de Açúcar e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), apresentaram no IV Congresso Brasileiro de Governança Corporativa as medidas que estão tomando para garantir maior transparência de informações e um tratamento igualitário entre os acionistas. Mesmo frisando que não querem sair do controle das empresas, as famílias estão cada vez mais preocupadas com o modelo de gestão das suas companhias.

O Pão de Açúcar prepara adesão ao Nível 2 de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo Ana Maria Diniz, do conselho de administração da Companhia Brasileira de Distribuição (a empresa-mãe do grupo), a expectativa é que a adesão aconteça no próximo ano. Este nível, por enquanto, tem somente três empresas listadas: Net, Celesc e Marcopolo. Outra novidade do grupo é o lançamento de um programa para explicar o funcionamento do mercado de ações para seus fornecedores. "Queremos esclarecer o que é uma ação para depois motivar a compra dos papéis, especialmente as ações preferenciais do Pão de Açúcar", diz. O programa será anunciado hoje.

No ano passado, a família Diniz deixou as funções executivas e profissionalizou a gestão. Atualmente, o conselho de administração da companhia é composto por oito membros externos, quatro da família e dois da associada Casino, rede de supermercados francesa. "Um conselho ideal tem que ser pequeno, com até dez membros, e com visão de longo prazo", diz. Sobre governança, Ana diz que ela só é eficiente se refletir a realidade do organograma da empresa. A executiva ressalta que pelo menos nos próximos dez anos a família não pensar deixar o controle.

Mudança nos dividendos

A VCP está redesenhando sua política de dividendos e pretende completá-la até o final do ano. Segundo Raul Calfat, do conselho de administração da VCP, ela se baseará no fluxo de caixa da companhia - ele prefere não dar detalhes. Além disso, a empresa estuda uma possível adesão ao Nível 2 da Bovespa, mas, segundo ele, ainda não há nada definido.

A VCP também vai mudar sua política de negociação de ações. A idéia é ter uma corretora única, com instruções específicas, que centralize a negociação dos papéis da empresa. O objetivo é assegurar que os "insiders" negociem as ações da VCP em conformidade com a legislação e evitar, por exemplo, que um acionista que tenha alguma informação privilegiada negocie os papéis antes de a informação ficar pública.

Governança nas universidades

A governança corporativa terá que ser uma realidade também nas universidades privadas, que são, em sua maioria, empresas familiares. A idéia é do ex-ministro da educação Paulo Renato Souza, que também estava presente no Congresso, mas apenas como ouvinte.

Randall Morck, da University of Alberta Business School, no Canadá, ressalta a inviabilidade de uma simples cópia do modelo americano, no qual as famílias têm uma participação ínfima. "Os investidores lá encaram o capitalismo de uma forma diferente", diz. Na 3M, por exemplo, a família que criou a empresa tem hoje apenas 1% das ações.

Minoritários desprotegidos

Um estudo do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e da consultoria Booz Allen revela que 46% das empresas não contam com políticas de proteção aos acionistas minoritários. Já 48% das companhias ressaltam que o relacionamento entre controladores e os pequenos acionistas é irrelevante. A pesquisa envolveu uma amostra de 285 empresas de controle nacional, pertencentes às 500 maiores. Integram o estudo cerca de 110 questionários recebidos de 70 companhias. Além disso, foram entrevistados altos executivos de outras 20 empresas.

O conselho de administração não é avaliado sistematicamente por 89% das empresas; do total, 52% das companhias entrevistadas acreditam que é importante a existência de membros independentes no conselho, mas apenas 8% delas efetivamente têm. Para Paulo Conte Vasconcellos, coordenador do comitê de pesquisas do IBGC, um dado que chamou atenção é que 93% das empresas responderam que não possuem um plano para a sucessão do presidente.

Segundo José Coutinho, diretor da Booz Allen, os resultados da pesquisa mostram que as empresas já se conscientizaram dos benefícios da governança corporativa, mas o conjunto destes benefícios ainda não é percebido de forma equilibrada. Assim, os resultados positivos da governança estão mais relacionados à obtenção de investimentos do que à gestão.


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