SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 12/11/2003
Autor: Luciano Cavenagui
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

Como investir no sonho e abrir uma empresa

VOCAÇÃO COMERCIAL CRIA NOVOS EMPRESÁRIOS

Wirthmann foi dos computadores aos salva-vidas; acabou como consultor.

Há pessoas que sonham em deixar de ser empregados e virar patrões. Outras nem imaginam que isso possa acontecer. Foi o caso de Arnaldo Wirthmann, que planejava tornar-se salva-vidas e, quando se deu conta, era um empresário. "Uma coisa foi puxando a outra. "Formado em economia, pensou por certo tempo que o ideal era trabalhar com computadores. Então, fez um curso técnico e trabalhou como estagiário no Banco do Brasil. A experiência durou um mês. "Cheguei a uma conclusão: entre o Arnaldo e o computador só poderia existir relação de usuário".

Nessa época, praticava natação e adorava o esporte. Um dia, seu professor resolveu ajudá-lo na escolha do que seguir. "Já que você sempre comentou que queria ser um salva-vidas, por que não vai atrás disso?" Entusiasmado, Wirthmann foi ao Parque da Água Branca, passou pelo curso e se tornou um salva-vidas. Posteriormente, trabalhou por dois anos no Clube Indiano.

No entanto, não se satisfez. Como nova tentativa, foi trabalhar como vendedor de planos de saúde. "Foi aí que percebi que queria trabalhar me relacionando com clientes. Despertou em mim a área comercial”.

O tempo foi passando, teve um conhecimento aqui e outro ali, até que um amigo de Wirthmann que trabalhava no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) - Distrital Sul comentou que estava precisando de uma pessoa para trabalhar na área de relações públicas. "Resolvi fazer o teste e enfrentar o desafio. Visitar empresários me permitiu conhecer o outro lado da moeda e observar as dificuldades que todos têm como patrões".

SUCESSO - A trajetória no Ciesp foi um sucesso a tal ponto que o diretor sugeriu que montasse uma empresa de prestação de serviços, a princípio atendendo ao centro. "Naquele momento, senti um buraco no chão. Deixar de ser empregado para virar empresário era tentador, mas dava muito medo".

Assim, ele "abraçou" a idéia e montou há três anos a Kawir Comercial (na Rua Princesa Isabel, 247, conjunto 17, no Brooklin, telefone 5542-0049), juntamente com o sócio, Newton Kasuo. A empresa realiza consultoria empresarial e administra cursos e treinamentos voltados especialmente para quem deseja melhorar a forma de atender a clientela.

Como todo começo é difícil, a falta de experiência causou muitos erros. Um desses foi superdimensionar a estrutura imediata, contratando seis funcionários e alugando um espaço físico maior do que o necessário. "Tivemos que um ano depois rever tudo. Brecamos o carro. Mudamos para um local menor e ficamos com dois funcionários", diz Wirthmann.

Para ele, quem tem a idéia de que virar patrão significa reduzir carga de trabalho e horário muito se engana. A responsabilidade fica bem maior, porque outras pessoas dependem de você. “É preciso conhecer bem a atividade que se vai desenvolver e ser feliz no que faz. Deve-se “colocar o coração”.

Depois de escolher o ramo de atuação, o consultor considera essencial a pessoa fazer uma pesquisa de mercado para escolher o local onde vai abrir as portas. "As pessoas precisam escolher um local estratégico. Um advogado, por exempIo, deve dar prioridade a um escritório perto de um fórum. Além disso, o lugar deve ser de fácil acesso para os clientes", ensina.

XADREZ - A elaboração, a pesquisa e a estrutura do negócio são fatores importantes, mas o sucesso consiste em não ter medo de arriscar. "Antes de abrir uma empresa, aprenda a jogar xadrez. Esse jogo incentiva a pessoa a aprender uma visão ampla. Não é simplesmente empurrar as peças. Mas pensar e ter estratégia para ser um vitorioso”.


PLANEJAMENTO É ESSENCIAL NA HORA DE MONTAR EMPRESA

Especialista do Sebrae dá dicas para obter sucesso e se manter por mais tempo em atividade.

Ao montar uma micro ou pequena empresa, é preciso tomar alguns cuidados para que a empreitada tenha sucesso. De acordo com estatísticas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), 30% das pequenas iniciativas quebram no primeiro ano de atividade, 40% no segundo ano e 70% até cinco anos.

Ao mesmo tempo em que é difícil manter a empreitada, a sua importância no cenário brasileiro é fundamental, pois as micro e pequenas empresas respondem por 67% dos empregos de carteira assinada no País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o consultor contábil e tributário do Sebrae, Júlio César Durante, o mais primordial dos conselhos se resume a uma palavra: planejamento. "Esse quesito engloba o nível de conhecimento que o empreendedor possui do assunto e se ele realmente vai gostar de trabalhar com o produto", afirma.

0 desânimo inicial, por causa da competitividade do mercado e da carga tributária, acaba fechando várias pequenas portas após poucos meses da abertura. "Por isso, há o planejamento inicial. É preciso compreender que o retorno financeiro só vem depois de um tempo de trabalho", ressalta o consultor.

Como passo seguinte, sugere-se estar atento aos aspectos legais, como verificar se a Lei do Zoneamento permite a instalação da empreitada em determinado local, se o imóvel está regularizado (especialmente quanto às diversas taxas municipais) e se existe a intenção de dividir o controle com outros sócios.

"Outro aspecto importante é o que chamamos de ‘validar a oportunidade’, isto é, verificar se a nova empresa obterá espaço no mercado, se o serviço prestado terá alguma chance de vingar e se há clientes disponíveis", enumera Durante. A etapa seguinte fica na análise de aspectos econômicos, por meio de informações, sobre as empresas líderes do segmento que se deseja entrar e sobre os principais concorrentes, diretos e indiretos, no segmento.

LEGISLAÇÃO - De acordo com a legislação vigente, as empresas podem enquadrar-se como micro e pequenas segundo vários dados, dependendo do segmento. Na área de prestação de serviços, o limite é de até nove empregados. Na indústria, esse número sobe para 20. Também há o critério de faturamento anual, que é de R$ 244 mil para qualquer atividade, menos, sociedades anônimas e bancos.

Uma das principais reivindicações, especialmente de profissionais liberais, é o acesso ao sistema Simples, com relação ao pagamento de taxas. Segundo legislação federal, só têm direito ao benefício as empresas com faturamento de até R$ 120 mil por ano. "A reforma tributária pode eliminar algumas dúvidas sob aspectos complexos, nos quais muitas vezes as empresas se enquadram, e atender a alguns setores, como empresas de construção civil e administração de condomínios, que não têm direito ao Simples", informa Durante.


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