SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 19/12/2003
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Impulso para crescer

Pequenas e médias companhias líderes em em crescimento incorporam o receituário da profissionalização na gestão dos negócios, indica levantamento da Deloitte.


Plano formal de negócios e de médio e longo prazos, decisões tomadas com base no desempenho, especial atenção ao relacionamento com os clientes e funcionários, ao avanço tecnológico e às exportações não são mais exclusividade de grandes corporações. Pequenas e médias empresas campeãs em crescimento incorporaram o receituário da profissionalização na gestão dos negócios, como indica levantamento da Deloitte Touche Tohmatsu.

A pesquisa tomou por base companhias no Brasil com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões. Foram convidadas a participar 7.500 empresas privadas e não-financeiras. Das 360 interessadas, 211 cumpriram os critérios de faturamento e enviaram o questionário respondido. Finalmente, foram escolhidas as cem componentes do ranking das que mais cresceram.

Pesquisas anteriores identificaram uma tendência de pequenas e médias empresas com altos percentuais de crescimento utilizarem ferramentas de gestão semelhantes às das maiores empresas no país. "Quisemos, dessa vez, compreender melhor esse movimento - saber, por exemplo, se não se tratava de modismos", diz Heloisa Helena Montes, diretora de marketing da Deloitte e coordenadora da pesquisa. O resultado não deixou dúvidas. Na média, por exemplo, 78% das cem empresas disseram ter uma administração baseada em plano formal de negócio. E delas, 50% indicaram o prazo de 3 a 5 anos como o período de alcance do plano. No caso da amostra de 211 empresas, os percentuais também são relevantes: 72% e 49% em um e outro quesito. "O prazo de 3 a 5 anos é o adotado, em média, por grandes corporações", atesta José Paulo Rocha, sócio-diretor para a área de corporate finance da Deloitte e responsável pela análise financeira da pesquisa.

Entre os fatores de maior influência na tomada de decisões, numa questão com possibilidade de respostas múltiplas, estão os indicadores de desempenho da empresa (71%), respostas às necessidades dos clientes (55%), tendências de mercado baseadas em análises especializadas (50%), movimentação da concorrência (33%) e, por último, as oscilações da economia (31%). As companhias, portanto, decidem principalmente com informações sobre seus negócios e não ficam ao sabor dos ventos da economia - um outro sinal de profissionalização.

As emergentes dizem administrar as incertezas conjunturais buscando novas oportunidades de mercado (90%). Investir recursos no mercado financeiro e não na produção é a última opção (7%). No dia-a-dia, as decisões são tomadas menos com base na opinião de consultores (12%) e muito mais pelo conhecimento do setor de atuação (84%) e consulta a diretores e conselheiros de administração (46%).

Maior competição, num mercado mais aberto a estrangeiros e, portanto, disputado, levam ao emprego de técnicas mais eficientes. "É bom lembrar que 21 das 100 que mais cresceram são companhias estrangeiras", diz Heloisa. "Elas também ajudam a definir um padrão." Grande parte das cem emergentes (73%) faz operações de comércio internacional e precisam se ajustar aos padrões de competitividade do mercado global. Tanto assim que a grande concorrência é apontada como a principal dificuldade para exportar (58% das respostas). Em segundo lugar (21%), numa questão de múltiplas respostas, aparece a falta de financiamento para vendas.

Como pontos determinantes do seu crescimento, as cem companhias do ranking elegeram o relacionamento com os clientes (85%), a tecnologia e know-how (72%) e recursos humanos (62%). Os avanços em relação à gestão de pessoas são evidentes. As cem pequenas e médias que mais crescem oferecem assistência médica (92%), vale-refeição ou restaurante (90%), seguro de vida (82%) e transporte (76%), itens já incorporados ao cardápio das companhias bem administradas. No entanto, em quinto lugar aparece o plano de participação nos resultados (70%).

As cem companhias do ranking tiveram um lucro líquido, em 2002, equivalente a 17% do patrimônio líquido. As outras 111 participantes da pesquisa, não incluídas no ranking, de apenas 7%, insuficientes para cobrir a inflação de 12,5% do IPCA em 2002. Não só o desempenho das cem que mais crescem é superior como tem melhorado ao longo do tempo. Em 2000, por exemplo, o retorno sobre o patrimônio foi de 12%.

Se a variação da rentabilidade do patrimônio é grande entre um e outro grupo de empresas, o mesmo não ocorre em relação à margem bruta, o lucro bruto em relação à receita líquida total. A margem bruta das cem empresas do ranking foi de 28% em 2002. A das demais empresas da pesquisa, de 27%. Em ambiente competitivo, não há muito o que ganhar em preço do lado da receita, de acordo com Rocha. E quanto à negociação com fornecedores, ela também fica complicada num ano como o de 2002, de disparada do dólar e do preço de insumos. Aí, os ganhos têm de ser obtidos nas linhas abaixo do lucro bruto - na gestão da operação e na melhor utilização dos recursos. Por isso mesmo, quando se fala em margem líquida (lucro líquido sobre receita líquida total), a história é outra e a maior eficiência das emergentes se sobressai - obtiveram 5% em 2002 para 1% das outras.

Dado representativo, segundo Rocha, é o fato de as empresas que mais cresceram terem endividamento oneroso - empréstimos tomados em banco - em relação ao ativo total - igual a zero. Mesmo no caso das outras 111 companhias, esse endividamento é baixíssimo, de 8%. Caso os ventos favoráveis se confirmem e os juros e os spreads bancários caiam a níveis suportáveis, o sistema financeiro terá, nessas empresas, seus grandes clientes em termos de crédito. "As pequenas e médias são tomadoras em potencial - as grandes têm outras operações", afirma Rocha.

Todos os indicadores de eficiência das cem empresas que mais crescem refletem-se também nos ganhos de produtividade. A receita líquida por funcionário cresceu 51% de 2000 a 2002 e 16% no caso das demais companhias participantes da pesquisa. Enquanto a receita das emergentes avançou 66% no período, o quadro de funcionários ampliou-se 17%. Estão dadas, dessa maneira, as condições para novos saltos futuros.


MAIOR DESAFIO É CONJUGAR EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

Destaques em gestão Boas práticas incluem investir em tecnologia, pessoas e na responsabilidade social.

Um Brasil pouco comentado, mas capaz de um enorme efeito multiplicador das boas práticas administrativas, vem se fortalecendo entre empresas de pequeno e médio portes. Ações como redobrar os cuidados na escolha de estratégias para a continuidade da expansão do negócio, investir sem medo em tecnologia, valorizar a equipe por meio de desenvolvimento constante dos recursos humanos e adotar o hábito de investimentos sociais ganham raízes nas estruturas empresariais. No levantamento elaborado pela consultoria Deloitte para o Valor, cinco se destacam por reunir práticas que favorecem a consolidação do negócio, paralelamente à expansão.

Duas delas atuam na área de tecnologia da informação, a mineira A&C e a cearense Lanlink Informática Ltda. Duas outras, sediadas em Lençóis Paulista, interior de São Paulo, integram o Grupo Lwart, uma no segmento de química e petroquímica, Lwart Lubrificantes Ltda, e a outra no de papel e celulose, Lwarcel Celulose e Papel Ltda. Por fim, mas não necessariamente nessa ordem, está outra mineira, sediada em Três Corações, a indústria de rações Total Alimentos S.A.

Para se chegar aos destaques foram analisadas as empresas que conciliaram uma gestão ágil e inovadora entre as cem classificadas pelo crescimento em 2002, ante o ano anterior. Foram consideradas as administrações capazes de obter o financiamento necessário para o negócio e que já obtiveram lucro em 2001.

Há 26 anos no mercado, a Total Alimentos obteve uma variação da receita líquida de 51,08% entre 2000 e 2002. O faturamento aumentou de mais de R$ 127 milhões para R$ 192 milhões no período. Reconhecida como fabricante de rações para gado, cavalos e aves, a empresa identificou, em 1995, uma possibilidade de aumentar vendas no mercado de animais de estimação. Abriu frente no segmento alterando até mesmo a cultura empresarial. "Tivemos que encarar profundas mudanças, porque não poderíamos mais ser identificados apenas como fabricantes de ração", explica Edison Albano de Paiva, diretor da Total.

A aposta estratégica da Total mostrou-se acertada. Se quando começou, o mercado de "pet food" respondia por cerca 20% do consumo de alimentos para animais, em relação às rações em geral, hoje, por estimativas de Albano, essa relação subiu para algo entre 40% a 50%. Há pelo menos oito grandes grupos na disputa. "Nas megacidades existe muita gente vivendo só, o que estimula a procura por cachorros ou gatos como companhia", comenta o diretor da Total. Essa tendência segue crescendo, tanto que os projetos para 2004 na empresa estão voltados para investimentos na produção de agrados do tipo biscoitinhos destinados aos animais de estimação. Atualmente, a empresa produz, em três fábricas, cerca de 30 mil toneladas por mês de alimentos e prevê encerrar a no com faturamento de R$ 290 milhões.

Pautar a operação por uma freqüente autocrítica pode parecer apenas receita de manual de bons procedimentos. Mas, no caso da empresa de informática Lanlink, nascida junto a quatro universitários ainda no último ano de Ciências da Computação, na Universidade Federal do Ceará, foi a tática usada para fazer a empresa crescer na melhor direção. E, há 15 anos, vem funcionando. Nos dados considerados pela Deloitte, a Lanlink obteve uma variação da receita líquida de 49,86% entre 2000 e 2002. Foi de um faturamento de R$ 14,9 milhões para R$ 22,3 milhões. Com 140 funcionários e sete escritórios instalados nas regiões Norte e Nordeste, a empresa orgulha-se de ter parceiros como IBM, Microsoft e Cisco.

Prestadora de serviços, tanto na venda de programas desenvolvidos por multinacionais, como em consultoria, implantação e integração de projetos de TI, a Lanlink adotou processos administrativos com poucos níveis hierárquicos de forma a dar maior agilidade à sua atuação. "A velocidade com que tudo acontece na área de tecnologia da informação exige que qualquer empresa que queira ser bem-sucedida no segmento mantenha a mesma rapidez de ação", avalia Cristina Boris, um dos sócios-fundadores, que responde pela diretoria de marketing.

Recente pesquisa junto a clientes e fornecedores indicava a trilha da expansão. Os primeiros pediam que a Lanlink apresentasse ainda mais propostas de negócios. Os outros, que estivesse presente em mais praças. Para conciliar esses interesses, a empresa passou o ano de 2002 redesenhando seu modelo de gestão. "Somos adeptos do princípio de que pequenos gestos podem fazer toda a diferença para quem trabalha com prestação de serviços", diz Cristina. A expectativa é fechar o ano com faturamento em torno de R$ 24,5 milhões.

A discrição tem sido a regra no comportamento dos irmãos Trecenti, desde que deixaram o ramo metalúrgico em 1975, para se dedicar ao rerefino de óleos lubrificantes. Surgiu assim a primeira fábrica Lwart Lubrificantes que tinha por capacidade máxima 80 mil toneladas de óleo básico refinado por mês. Anos de incansável doutrinação pelo reaproveitamento de óleo combustível usado em postos, garagens e oficinas mecânicas em todo o Brasil, resultaram em uma malha de coleta de 60 mil pontos, que viabilizam uma produção mensal de 10 milhões toneladas de óleo reprocessado, a atual capacidade da Lwart. A persistência justifica uma variação positiva de 63,87% entre o faturamento de 2000, R$ 38,12 milhões, e o de 2002, R$ 62,47 milhões.

Sara Margaret Hughes, diretora do grupo que abriga também a bem-sucedida Lwarcell Papel e Celulose (variação de 51,19% entre 2000, receita liquida de R$ 103,3 milhões, e 2002, R$ 156,2 milhões), atribui o crescimento continuo à eficiência em relação a todos os aspectos. "Planejamos estrategicamente pensando no que os concorrentes vão fazer e, lógico, projetando custos e ganhos de produtividade", diz. Um exemplo prático está na preocupação da Lwarcell em dominar técnicas de obtenção de papel a partir de fibra de sisal, ou de caroço de abacate, além de outras matérias-primas menos usuais.

A flexibilidade em produzir celuloses com características especiais em pequenas quantidades garante o crescimento de uma empresa de médio porte em um mercado dominado por gigantes. A projeção para a Lwarcell é chegar em 2005 produzindo 210 mil toneladas de celulose por ano.


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