SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/01/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Rumo à sociedade do conhecimento

Cooperar e compartilhar. Não faz muito, esses dois verbos passaram a dar o tom do uso das tecnologias de informação, como conseqüência da união com as tecnologias de comunicação. Desde então, o mundo ideal das tecnologias da informação e comunicação, as famosas TICs, passou a ser o mundo das redes, da circulação e troca de dados, a tempo e a hora. E nos colocou diante de um enorme desafio: disseminar democraticamente as informações. Utilizá-las para gerar conhecimentos que nos levem à uma sociedade mais justa.

Mês passado, durante a realização da primeira etapa da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, em Genebra, esse desafio tornou-se mais evidente. Enquanto delegações nacionais de dezenas de países-membro da Organização das Nações Unidas avançavam pouco nas negociações que levaram à redação da "Declaração de Princípios" e do "Plano de Ação", dezenas de representantes da sociedade civil demonstravam, na prática, caminhos para superação, na exposição paralela "ITC for Development". Quase todos baseados na educação, em valores locais e práticas sustentáveis consistentes com a realidade global, e no acesso ao conhecimento para todos os seres humanos. A mensagem explícita? Precisamos construir uma sociedade sem limites ao conhecimento.

Parece utópico demais, idealista demais, especialmente a setores da sociedade pós-industrial que consideram o conhecimento seu principal insumo. Na carta contribuição do Clube de Roma, por ocasião de outra cúpula da ONU - a Global sobre Desenvolvimento Sustentável - a questão é abordada de forma bastante pragmática.

"O surgimento de uma sociedade do conhecimento em rede nos próximos 20 ou 30 anos representa uma grande mudança de paradigma desde o modelo industrial dos séculos 19 e 20. Ela pode ser parte da solução de nossos problemas, ou ser parte do problema.

É simplista esperar que a dinâmica do desenvolvimento da tecnologia da informação e da comunicação dentro dos mercados globalizantes contribuirá sozinha para a riqueza geral e para a redução da pobreza.

Com as políticas corretas, ela pode fortalecer e integrar bilhões de pessoas, mesmo nos países mais pobres, oferecendo novo acesso à educação, à informação e ao conhecimento até nas mais remotas regiões e ajudando a erradicar a pobreza e a construir comunidades sustentáveis. Sem eles, pode simplesmente contribuir para os enormes investimentos e para o "fardo" ambiental e social da industrialização centralizada."

De fato, o avanço tecnológico acelerado tem permitido o crescimento industrial continuado; mas a lacuna entre os ricos e os pobres tem se acentuado. Na era pós-industrial, abraçamos um modelo produtivo no qual o trabalho físico foi delegado às máquinas e o mental também, aos computadores.

Aos homens coube o desempenho de tarefas para as quais os seres humanos ainda são imbatíveis: ser criativos, ter idéias. Neste cenário, o capital humano ou intelectual sobressaiu. A informação pela informação sucumbiu. Começou a ser considerada inútil sem o conhecimento do ser humano para aplicá-la produtivamente. Nessa sociedade onde as idéias ganharam grande importância, o conhecimento passou a ser o bem mais precioso.

O botão vermelho que acaba de ser apertado alerta para o fato de que o conhecimento precisa ser distribuído para assegurar a construção de uma sociedade mais justa, menos concentradora, mais saudável do ponto de vista econômico e social, que possa proporcionar uma melhor qualidade de vida. Conclama governos, empresas e organizações da sociedade civil para a realização da mais difícil das tarefas: buscar um equilíbrio - um elo de ouro - entre as ambições de crescimento da humanidade, a eqüidade social e os limites do uso dos recursos. Não à-toa, os programas de "responsabilidade social" cresceram em importância nas empresas, chegando mesmo a serem incorporados à gestão dos negócios.

A "Declaração da Sociedade Civil" entregue ao presidente da cúpula na última reunião plenária, a qual o Comitê para Democratização da Informática (CDI) apóia, defende que a sociedade do conhecimento em rede tem que integrar a riqueza do conhecimento e as práticas regionais. Que a sociedade global do futuro tem que se basear em comunidades locais assentadas em sua herança cultural, que participem da sociedade do conhecimento.

Ao abrir a conferência, em seu discurso oficial, o presidente da ONU, Kofi Annan, lembrou a todos os delegados que "estamos atravessando uma transformação histórica na maneira que nós vivemos, aprendemos, trabalhamos, comunicamos e fazemos o negócio". Que não devemos atravessá-la passivamente, mas como fabricantes, construtores do nosso próprio destino. "A tecnologia produziu a era da informação", disse Annan. "Agora é nossa tarefa construir a sociedade da informação." Vou além! Precisamos, desde já, construir as bases da sociedade do conhecimento.

A jornada rumo à sociedade do conhecimento não começa em Genebra nem termina na Tunísia. Precisa ser planejada no âmbito local, regional e nacional. Por meio de ações como as que promovemos em nossas Escolas de Informática e Cidadania (EICs) e nos muitos projetos de inclusão digital Brasil afora. Todos valorosos em seus propósitos, mas pouco dedicados à construção das tais "comunidades de aprendizagem, embrionários na troca de experiências, expertises e disseminação de soluções para o desenvolvimento local sustentável, que além de abrir novos postos de trabalho e oportunidades de geração de renda, promovam o bem estar coletivo e o aumento da qualidade de vida das comunidades menos favorecidas. E isso só será possível se aprofundarmos cada vez mais os vínculos entre pessoas, entidades, empresas e governos. A profundidade desses vínculos determinará a qualidade da futura sociedade do conhecimento.

*Rodrigo Baggio é empreendedor social, fundador e diretor-executivo do Comitê para Democratização da Informática – CDI.


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