SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/02/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Parcerias são trunfo das novas franquias

Entre as opções para a expansão de uma marca, a abertura de franquias está entre as alternativas que mais rapidamente podem mostrar resultados. O problema é que nem sempre o sistema tradicional atrai candidatos ou oferece a segurança necessária ao franqueador e ao franqueado. É aí que entram os novos modelos de franquias, que vêm ganhando espaço no mercado sobretudo em função de conflitos entre ambos os lados. Nessa linha, empresários de diversos ramos buscam alternativas para crescer a partir de parcerias com seus franqueados.

Para se ter uma idéia do poder de expansão das franquias, o proprietário de uma empresa que esteja disposto a investir no franqueamento da marca consegue inaugurar até 20 estabelecimentos franqueados em um ano, segundo Claudia Bittencourt, proprietária da Bittencourt Consultoria Empresarial & Franchising.

O custo do projeto e da montagem das estruturas necessárias para a abertura de franquias de uma marca gira em torno de R$ 100 mil. Já o investimento em marketing voltado a acelerar a expansão pode chegar em até R$ 30 mil por mês. A questão é que esses investimentos não são capazes de evitar brigas. "A falta de compreensão sobre as responsabilidades que cabem aos dois lados gera conflitos. Cada detalhe do plano de abertura de uma franquia deve estar bem esclarecido, especialmente no que diz respeito ao plano finananceiro", complementa.

Pesquisa – Isabel Barcellos, sócia-proprietária da green4, uma loja de produtos para banho criada no interior de Minas Gerais há dois anos, está em processo de pesquisa para a formatação de um modelo de expansão do negócio e acha que a abertura de franquia pode ser uma boa iniciativa, mas mantém reservas em relação ao tratamento que espera dar aos futuros franqueados. "Quero que o representante da marca se sinta parte da empresa. Considero a possibilidade de abrir sociedade com os futuros parceiros de negócio".

Isabel acha importante considerar as necessidades dos futuros franqueados da green4. "Ouvi falar de franqueador que impõe a compra de uma quantidade definida de produtos por mês, sem se importar se o seu franqueado consegue vender. A posição de vilão está longe do que pretendo estabelecer com meus parceiros. Aposto na pesquisa regional, em que poderemos identificar os itens com mais saída na loja e e aqueles que poderão ser comercializados em uma única região".

Sociedade X Controle – A empresária acrescenta que por meio da participação dos franqueados nas lojas da marca será possível ter um maior controle das operações. "Nesse primeiro momento, sinto a necessidade de estar mais presente no negócio, oferecer um maior apoio aos nossos parceiros", conclui Isabel.

Para Cláudia Bittencourt, o controle por meio da participação direta é parte do processo de aprendizagem para franquear uma marca. "A inauguração de unidades pilotos é um método utilizados por muitas empresas. Trata-se de um estágio para aperfeiçoar modelos de gestão e atendimento", diz.

A consultora alerta, entretanto, para a maturidade que a estrutura de administração do negócio deve oferecer. "Até os sete anos de idade cerca de 80% das empresas desaparecem. Esse é o tempo necessário para desenvolver as bases para a expansão. Tanto é que, no caso de franquias, apenas 20% das empresas fecham as portas antes de completarem sete anos de existência. Quando se abre um negócio franqueado, adquire-se junto com a taxa de franquia e o custo de manutenção da marca a experiência de gestão, o que é uma vantagem".


FUNDO DE PROPAGANDA É UM DOS PRINCIPAIS FOCOS DE POLÊMICA

Embora os contratos de franquia atuais consigam prever a maior parte das questões que regem o relacionamento entre franqueadores e franqueados, ainda há pontos polêmicos. A gestão da contribuição para o fundo de propaganda, geralmente uma obrigação do franqueado, é um dos assuntos que mais provocam intervenções judiciais.

"Nem sempre a franqueadora, responsável pela administração do fundo, presta contas sobre a utilização do dinheiro. Algumas situações privilegiam apenas parte dos franquedos, como os anúncios em publicações regionais. A confusão pode levar o franqueado a desistir do negócio e requerer todo o valor pago ao fundo de propaganda da rede", diz Sidnei Amendoeira, do escritório Amedoeira Advogados, com causas judiciais na área.

Critérios - Para evitar dúvidas sobre o assunto, Amendoeira sugere que o franqueador estabeleça critérios objetivos para a utilização do fundo e uma divisão adequada que não privilegie nenhum dos franqueados em especial. "É fundamental estabelecer em contrato a parte que será investida no marketing institucional da empresa para não haver questionamentos, explica".

Outros pontos polêmicos da relação entre franqueadores e franqueados são a falta de suporte adequado em operações administrativas por parte do franqueador e exigências indevidas, como assessoria tributária e jurídica, por parte do franqueado. Há casos em que franqueados de uma mesma marca fazem publicidades concorrentes ou implementam técnicas de atendimento ao cliente fora do padrão da franquia.

"Um documento importante é a Circular de Oferta de Franquia (Cof). É nele que constam todos as informações relacionadas à empresa, inclusive a cláusula de não concorrência", alerta o advogado.

A Cof deve ser entregue pelos menos 10 dias antes da assinatura de um contrato para a abertura de uma franquia, mas há casos em que isso não acontece. "O franqueador que abre mão do relatório infringe a Lei de Franquias".


CRÉDITO DO SEBRAE É PLANO PARA ATRAIR CANDIDATOS EM NOVA REDE

A abertura de uma linha de financiamento e a eliminação da taxa de franquia foi a fórmula encontrada pelo empresário Enilson Pestana para tornar atrativa a proposta de abertura de franquias da Fast Training Educational Center. O projeto da empresa, especializada em treinamento na área de informática, deve ser lançado no próximo mês.

Para ele, o crédito a que seus franqueados terão direito junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) deve promover o crescimento acelerado da rede. O custo inicial para a montagem da infraestrutura da loja será de R$ 100 mil. "Em substituição à taxa de franquia, que considero um ônus ao franqueado, aplicaremos royalties de 12% do faturamento nos dois primeiros anos do negócio. Após esse período, a taxa cai para 8%".

O empresário afirma que seu objetivo é avançar para impedir que a concorrência ocupe o mercado. "Ao final de 2004 espero contar com 30 unidades franqueadas da Fast Training", planeja.

Cláudia Bittencourt, proprietária da Bittencourt Consultoria Empresarial & Franchising , admite que o plano de financiamento abre possibilidades aos candidatos de uma franquia, mas chama a atenção ao processo de seleção. "Os interessados que não tiverem ao menos recursos para capital de giro podem se tornar um problema. Quando se oferece crédito ao franqueado, todo cuidado na avaliação da planilha financeira deste parceiro de negócio ainda é pouco".


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