SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/02/2004
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Corte de custo é defesa contra alta de tributo

A onda de repasse de preços provocada pelo aumento da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social pode ser fatal para as micros e pequenas empresas. Mas há uma saída: cortar custos e negociar com fornecedores, alertam especialistas em gestão empresarial consultados pelo DCI.
Segundo os consultores, o primeiro trimestre é o melhor período do ano para colocar a empresa em ordem.

Diante do repasse planejado pelas indústrias, eles aconselham as micros e pequenas a negociar bastante e não aceitar aumentos superiores a 15%, que deve embutir o aumento da Cofins e o dissídio dos funcionários.

Para Raul Corrêa da Silva, da RCS Consultores , o repasse é preocupante pois cria uma cadeia de aumentos que vai impactar as tarifas públicas. “Parte dos repasses são necessários, mas é preciso evitar abusos, visto que a inflação medida pelo IGP-M em 2003 não chega a 8%, e tem empresa repassando mais de 15%”, diz.

Gabriel Peres, da ONG Endeavour, de apoio ao empreendedorismo, diz que o primeiro passo para se cortar custos é analisar os números da empresa. “Comece olhando os dados de 2003, para ver onde é possível cortar custos”, diz.

Reduzir os custos fixos

A principal lição que todos os consultores enfatizam é: tenha o mínimo possível de custos fixos e, sempre que der, transforme seu custo fixo em custo variável.

Por exemplo: se a empresa tem sede própria, é preciso ver se o tamanho está adequado e se não vale mais a pena alugar um local, visto que não há depreciação e manutenção.

A mesma idéia vale para linhas telefônicas e frota de veículos. “Opte por uma frota menor, e alugue quando a demanda exigir”, aconselha Peres.

Outra forma de reduzir custo fixo é diminuir os custos financeiros. Quando a empresa tem muito capital imobilizado, por exemplo em imóveis, máquinas, estoque, etc, ela acaba buscando capital de giro nos bancos. “Transformando custo fixo em varíavel liberamos recursos que podem ajudar a quitar a dívida no banco e assim eliminar juros da sua estrutura de custos”, ensina Peres. Ficar atento à atividade principal do negócio é muito importante também na hora de cortar custos. A empresa deve calcular a rentabilidade e a importância de cada produto ou serviço. “É interessante cortar parte da linha e enfocar no que é rentável”, diz Peres.

Cortando os custos “ocultos”

Os custos “ocultos” são outro ponto que exige atenção. Medidas simples podem representar uma bela injeção de capital no fim do mês.

Por exemplo: há o caso de uma empresa que conseguiu reduzir sua conta de telefone de R$ 13 mil/mês para R$ 3 mil, apenas reduzindo o uso do telefone e utilizando sistemas de comunicação instantânea pela Internet (MSN, ICQ, etc), e trocando telefones comuns por operação em radiofreqüência.

Os gastos com papel e tinta para impressora são crescentes. Uma forma de otimizar as impressões e evitar cópias à toa é criar uma central com uma única impressora, ou limitar o número de impressoras.

Silva dá outra dica: não misture as contas da pessoa física com a da empresa. Isso é muito comum entre empresas de pequeno porte e dificulta na hora de cortar custos.

Outro conselho: só invista agora se for com recursos próprios. “Quem não tem dinheiro deve gerar margem para investir e se modernizar, mas não deve buscar os bancos”, afirma.

Outro consenso é a terceirização, sempre que seja viável legalmente. “Concentre-se na atividade fim e terceirize o restante”, diz.

Vale até negociar com os funcionários e diminuir o salário fixo e elevar o variável, como uma comissão. “Contrate novos funcionários com a parte variável maior que a fixa, que varie de acordo com o desempenho da empresa”, diz Silva.

Planejar é preciso

Gabriel Perez, da Endeavour, enfatiza que para economizar é fundamental planejar. “Mensure no começo do ano os projetos e os recursos que serão aplicados”, explica.

Ele aconselha deixar para 2005 os projetos com menos chance de serem concluídos este ano. “Se não a empresa corre o risco de iniciar vários projetos e não terminar nenhum, o que significa prejuízo na certa”, diz.

O planejamento exige dados, por isso é importante investir em um sistema de informação sobre seu negócio, como um software. “Eles ajudam a enxergar as gorduras e a gerenciar melhor o negócio”, diz Peres. Outra dica é a contabilidade. “Ter um bom contador é essencial”, diz Peres.

Silva aconselha também planejar as compras em escala, via cooperativa, central de compras ou parceiros: “O que vale é ganhar poder de compra”, diz.


TRATAMENTO DE CHOQUE PARA QUEM TEM RISCO DE FALÊNCIA

Se nenhuma das medidas citadas pelos consultores para cortar custos tiver efeito, Gabriel Peres, consultor da Endeavour, aconselha uma espécie de tratamento de choque: orçamento base zero.

O plano é enxugar a empresa de tal forma que só fique o que é vital para seu funcionamento mínimo. “Deixe apenas o necessário para sobreviver e descarte tudo que é desejável, ou seja, é bom ter”, ensina.

Por exemplo: corte o departamento de marketing, consultorias, café e regalias, etc. Faça com que os funcionários paguem por suas ligações pessoais e diminua gastos desnecessários, como carimbos, brindes.

Quando a empresa começar a se recuperar, iniciam-se as recontratações, devidamente planejadas.


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