SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/02/2004
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

Brasil conquista pequeno empresário estrangeiro

Assim como há milhares de brasileiros que deixam o País em busca de prosperidade, há estrangeiros que se instalam no Brasil com este mesmo sonho. Presentes em praticamente todas as áreas de atuação, os estrangeiros são unânimes ao louvar a receptividade do povo brasileiro e o potencial da área de comércio e serviços. Mas também fazem coro ao reclamar da lentidão e burocracia para abrir uma empresa.

Uma verdadeira mistura cultural é a melhor definição para a loja Ruppe Ruppe, de artigos orientais, do músico inglês Robert Lancaster. O músico veio para o Brasil há dez anos, depois do casamento com uma brasileira que morava em Londres. A inspiração para a loja surgiu da paixão do casal pela Índia. A primeira Ruppe Ruppe foi aberta em Salvador. Hoje, a marca tem três lojas no Rio, duas no Rio Design (Barra e Leblon) e outra no Shopping da Gávea.

– O mercado brasileiro é promissor. Tem muito espaço para produtos diferenciados, de qualidade. O fato de ser estrangeiro ajudou. As pessoas ficam mais interessadas, querem saber por quê vim para cá. Isso é bom para os negócios – comenta Lancaster, acrescentando que o investimento em marketing contribuiu para o sucesso da empresa.

Autor do livro O Empreendedor (Editora McGraw-Hill), o suíço Ronald Degen conta que o Brasil sempre foi um dos países mais apreciados pelos estrangeiros. “Os chineses com suas tinturarias e pastelarias, os portugueses com as padarias e os italianos com pizzarias. A vinda de estrangeiros para o Brasil não é novidade. A diferença são os imigrantes que conseguem dar certo no País”, observa Degen, que é presidente da Amanco Brasil.

O know-how no segmento de atuação, conta Degen, é o que faz a diferença e ajuda o negócio a decolar no país estrangeiro. “A maioria dos imigrantes compensa a falta de conhecimento do mercado trabalhando. Os estrangeiros que conhecem o mercado saem na frente”, explica, acrescentando que a grande maioria dos estrangeiros atua na área de comércio e serviços.



empreendedor deve conhecer o mercado

Know-how não falta para o suíço Felix Opitz, proprietário do Felice Caffè. Graduado em Hotelaria e com ampla experiência em gastronomia, o empresário conta que a natureza brasileira e a qualidade de vida, especificamente no Rio de Janeiro, foram os pontos que mais o atrairam. Inicialmente, o Felice, que é um misto de café e restaurante, seria uma sorveteria. Um estudo do mercado do Rio fez Opitz mudar de idéia.

– No início, queria comercializar apenas sorvete, mas notei que não faz parte da cultura carioca. Então, optei por um restaurante que também fosse bar e onde pudesse vender sorvetes. Criei o Felice considerando o estilo de vida da população da Zona Sul do Rio – explica Opitz, que vende sorvetes italianos de fabricação própria, produzido no segundo andar do restaurante, em Ipanema.



Diferença cultural afeta relação com funcionários

O suíço Felix Opitz, que abriu o restaurante Felice Caffè há sete anos, conta que a parte técnica foi fácil. A principal dificuldade, conta o suíço, foi o relacionamento com as pessoas. As diferenças culturais eram muito grandes, principalmente nos primeiros anos, lembra.

– Os funcionários diziam que eu nunca estava satisfeito. Realmente, o padrão que eu tinha era muito alto. Outro ponto que me incomoda é o tal jeitinho brasileiro. Há um problema de transparência. Parece que para fazer qualquer coisa tem a necessidade de conhecer alguém importante – reclama Opitz.

A burocracia para abrir a empresa no País é outra reclamação do proprietário do Felice Caffè. Segundo Felix Opitz, enquanto na Suíça o processo dura dois dias, no Brasil o tempo de espera é de, pelo menos, dois meses. “É preciso muito dinheiro e paciência”, acredita.

Robert Lancaster, da Ruppe Ruppe, também reclama da economia instável e da burocracia. Segundo ele, a diferença em relação à Europa é assustadora. “Na Inglaterra, as regras são feitas a favor do empresário. No Brasil, tudo é mais complicado. Tem que ter muito entusiasmo”, diz Lancaster, que atuava como empresário da área musical em Londres.


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