SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/03/2004
Autor: Raúl Candeloro
Fonte: Raúl Candeloro

Mulher no volante

Afinal de contas, as mulheres não ocupam mais cargos da alta direção na empresa porque não podem, não querem ou não deixam?

Num artigo de capa publicado recentemente na revista Fast Company (www.fastcompany.com), foram ouvidas várias CEOs e ex-CEOs sobre o que pensavam do assunto. O resultado foi surpreendente: todas concordaram que o que realmente vale é a competência, não o sexo. Mas foram unânimes em afirmar também que para ser diretora ou presidente de uma grande empresa você precisa dar sua vida para a empresa, e poucas estão dispostas a isso. Ao contrário dos homens, que sacrificam sem muitos questionamentos a vida privada em nome do trabalho, as mulheres vivem um conflito claro: marido, filhos, pais, amigos, interesses pessoais, todos clamando intimamente pela sua energia e atenção.

Veja que isso vêm ocorrendo com alguns homens também. Cada vez mais eles procuram pelo equilíbrio. Mas, em média, os homens continuam trabalhando mais e fazendo mais horas extras do que as mulheres. Muitas mulheres, logicamente, trabalham exaustivamente, mas estamos falando da média. E, na média, as mulheres passam menos trabalho do que os homens e estes são bem mais agressivos na busca pela liderança.

Brenda Barnes, por exemplo, é uma história clássica. Para desespero das feministas, ela era presidente da Pepsi-Cola USA e pediu demissão justamente quando era um dos três candidatos potenciais a substituir o CEO Roger Enrico, que ia se aposentar. Trocou um cargo que a afastava da família e só lhe deixava dormir 6 horas por noite por dar aulas e sentar-se no conselho de algumas grandes empresas. Ou seja: continua trabalhando, usando de forma produtiva seu talento e conhecimento, mas está hoje muito mais feliz com sua vida equilibrada. "Você tem que dar sua vida para um cargo desses", diz ela referindo-se ao posto de CEO, "e eu não estou disposta a isso".

Marta Cabrera, vice-presidente do JP Morgan Chase é outro caso típico: no aniversário de uma de suas filhas, notou que a maior parte dos convidados conhecia sua filha muito melhor do que ela mesma. Aquilo doeu e, sete meses depois, ela pediu demissão. E ela só demorou tudo isso porque achava que estava "traindo as mulheres" ao deixar o cargo. No final das contas, valeu o bom-senso. Ela mesmo comenta: "Eu não queria ser a maior, a melhor, a mais poderosa. Não tinha motivação para passar por cima de todo mundo para ser a número 1".

Charles O’Reilly, professor de Stanford que estuda a carreira feminina a muitos anos, define a situação da seguinte forma: um campeonato muito concorrido, já nas fases finais. Todos os candidatos incompetentes de alguma forma foram eliminados nos rounds anteriores. No topo todo mundo é inteligente, culto, hábil e sabe jogar. A diferença fundamental acaba sendo a motivação. A vontade de vencer, a ambição de estar no topo.

Poucas mulheres têm esse foco tão concentrado. Elas estão também preocupadas com o casamento, com os filhos, com a casa, etc. Para as mulheres é muito mais importante a conexão emocional com os entes queridos. Isso significa estar presente nos momentos mais importantes, mas também no dia a dia. Almoçar juntos, jantar, pegar filhos na escola, levar no médico, etc. Poucos homens perderiam uma reunião importante ou deixariam de viajar porque o filho está gripado. Mas numa situação dessas, poucas mulheres hesitariam em fazer o contrário: na dúvida, ficariam com o filho.

Poucas empresas querem saber se os filhos, ou pais, ou seja lá quem for, estão realmente bem. A maioria diz oficialmente que isso é importante, mas na prática sabemos que é bem diferente: seja homem ou mulher, se você faltar a uma reunião por motivos pessoais estará certamente comprometendo seu futuro profissional.

No fundo acaba sendo tudo uma questão de motivação, de ambição mesmo. Homens e mulheres que querem realmente chegar ao topo tem que sacrificar sua vida pessoal. Estudos recentes, e a história em geral, estão demonstrando que na verdade as mulheres não estão no topo não por causa do machismo ou da estrutura social contrária, mas porque elas mesmas decidiram que têm coisas mais interessantes e mais emocionalmente recompensadoras a fazer na vida do que ser a número 1.

É com certeza um assunto polêmico e eu adoraria ouvir sua opinião.

Raúl Candeloro (www.raulcandeloro.com.br), é palestrante e editor das revistas VendaMais® e Motivação®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas, e responsável pelo site VendaMais® (www.vendamais.com.br).


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