SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 19/04/2004
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

"Micros têm como exportar mais"

Entrevista: Guilherme Zigelli, diretor-superintendente do Sebrae/SC

As micro e pequenas empresas de Santa Catarina começam a ganhar instrumentos para tornarem-se cada vez mais competitivas no setor de exportações. Com a economia globalizada e a disputa acirrada pelos mercados externos, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae/SC) inicia, a partir do próximo dia 26, uma série de debates que integra o projeto Potencial Exportador Catarinense, gerado pela entidade catarinense, numa ação pioneira em todo o país.

Durante um mês, os maiores especialistas do Brasil vão explicar para os micro e pequenos empresários do Estado como alcançar os mercados externos. O convidado de honra para a largada da iniciativa será o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que participa do primeiro debate programado para a Capital.

Em artigo publicado no número 76 da Revista Brasileira de Comércio Exterior, da Fundação Brasileira de Comércio Exterior (Funcex), o economista Ricardo Markwald, ao tecer um perfil das micro e pequenas empresas exportadoras, mostrou em linhas gerais o que precisaria ser feito para tornar o segmento mais competitivo no exterior.

No estudo, Markwald, que também é diretor geral da Funcex, diz que "as micro e pequenas exportadoras representam mais de 70% da base exportadora brasileira, mas respondem por menos de 14% das exportações totais do país".

Foi o que deixou claro o diretor superintendente do Sebrae/SC, Guilherme Zigelli, um dos principais articuladores do projeto Potencial Exportador Catarinense, pioneiro no país. Segundo ele, a meta inicial do programa é capacitar 400 das 3.226 empresas com potencial exportador existentes no Estado, conforme pesquisa feita pela entidade, para que elas tenham mais condições de vender para o mercado externo.

Leia a seguir os principais tópicos da entrevista que Zigelli concedeu ao Diário Catarinense, da qual participaram Anacleto Ortigara (diretor financeiro do Sebrae/SC), Alaor Bernardes (diretor administrativo), e Marcondes Cândido (gerente de projetos regionais).

Potencial

"Estamos fazendo um projeto sobre o potencial exportador catarinense, calcado nas micro e pequenas empresas. Cerca de 99% das empresas de Santa Catarina são pequenas. Nós temos uma grande capacidade de incrementar o mercado de exportação, pois nossa economia é diversificada. Temos, por exemplo, cerâmica na região Sul, móveis no Oeste, metalmecânico no Norte. Também temos uma descentralização econômica e uma grande concentração populacional. Florianópolis, a Capital, é menor do que Joinville. Como o mercado interno não está em expansão devido à diminuição da renda das pessoas, abre-se um mercado para a exportação das pequenas empresas. Exportar não é um ato romântico, mas de preparo. Esse projeto visa dotar as empresas de um alto grau de competitividade porque isso nos garante capacidade de exportação. Exportar e inibir as importações, porque a empresa que tiver capacidade de exportar vai ser tão competitiva que terá capacidade de abastecer devidamente o mercado interno. Além dessa vocação exportadora, temos o porto de menor custo do Brasil, que está em São Francisco do Sul, e Itajaí."

Arrranjos produtivos

"Este é um trabalho de refinamento. Não adianta pegar todas as empresas e dizer que a onda agora é exportar. Nós criamos vários arranjos produtivos locais. As pequenas empresas morrem por falta de gestão e também porque têm dificuldade de competição. Compram caro e vendem com preço agregado essas compras exageradas. Por isso, o Sebrae/SC adotou essa linguagem que denomina 'arranjos', que nada mais é do que conglomerados de empresas de mesma característica. É através desses arranjos produtivos que vamos incentivar as exportações dessas empresas."

O seminário

"O projeto Potencial Exportador Catarinense foi concebido pelo Sebrae/SC e o seu lançamento em Florianópolis vai ser o primeiro de uma série de seis seminários. Os outros acontecem em Blumenau, Joinville, Lages, Criciúma e Chapecó. Para o encontro da Capital, além do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, contaremos com o governador Luiz Henrique da Silveira pois o governo do Estado. O seminário tem a finalidade de explicar aos pequenos empresários como alcançar os mercados externos. A idéia posterior é editar um caderno sobre a exportação catarinense das pequenas empresas."

Incentivo

"O Sebrae/SC tem dois grandes compromissos: incentivar novos empreendedores e capacitá-los. Não dá mais para tratar o assunto de forma empírica. É preciso estudar para ser empresário, como se estuda para ser médico, advogado, engenheiro. O segundo compromisso é manter vivas as pequenas empresas, que não é uma tarefa fácil, pelo contrário, é muito difícil. Por que as pequenas empresas morrem? Elas morrem porque faltam gestão, preparo, conhecimento e informação."

Inexpressão

"O número de pequenas e médias empresas que exportam hoje é inexpressivo. O último dado da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) mostra que são 898 o número de empresas catarinenses que exportam esporadicamente. Um exemplo: em São João Batista, nosso pólo calçadista, das 110 empresas existentes, apenas sete exportam calçados."

Objetivo

"Queremos capacitar 400 empresas para que elas tenham capacidade de exportação. Para nós, mais do que exportar, é preciso que elas tenham competitividade, porque se elas forem competitivas vão ter capacidade de exportação. Segundo o Sebrae/SC, existem 3.226 empresas com potencial exportador no Estado. Elegemos quatro segmentos com potencialque denominamos de Arranjos Produtivos Locais (APLs). Nessa primeira etapa, vamos atuar na exportação de flores (EUA), móveis (EUA), confecções (Europa e América do Sul) e calçados (Oriente Médio, EUA, Alemanha, América do Sul e Central). Ou seja, vamos agir com 400 empresas que pertencem às quatro APLs específicas que nós consideramos com potencial muito maior de exportação."

Metodologia

"Esses quatro setores que são organizados segundo a metodologia de APLs mostra que o Sebrae/SC mudou a sua posição de patrocinador para investidor. Ou seja, o Sebrae/SC passa a ser um dos componentes do consórcio para o desenvolvimento de determinada região onde tem mais parceiros. Para operar esse projeto nesses quatro setores de exportação vamos usar o ambiente virtual ou tutorial e a intervenção presencial. Como já disse, nosso propósito é buscar a capacitação das empresas com o objetivo de dar a essas empresas a condição de internacionalização. Com isso ela poderá saber como produzir para o mercado externo, conhecer os seus limites, transcender esses limites e ver quais são as exigências do mercado externo."

Barreiras

As barreiras não-tarifárias precisam estar na pauta do micro e pequeno empresário. Questões ambientais, da escala que o arranjo produtivo responde, que afetam a vida do micro e do pequeno negócio em Santa Catarina. O que o Sebrae/SC pretende hoje é transformar a microempresa catarinense em um setor competitivo tanto no mercado nacional como no mercado internacional. A idéia é capacitá-la adequadamente para que ela se torne competitiva. Sem romantismo."


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