SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 17/05/2004
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Classificação errada faz perder dinheiro

Os exportadores podem ter prejuízos de até 60% do valor da mercadoria — dependendo da distância até a alfândega e do valor do produto — se não souberem formar corretamente o preço para a venda externa.

Muitos pequenos empresários confundem nomenclaturas ou não conhecem as modalidades de negociação internacional existentes, o que, no fim das contas, acaba por eliminar o lucro da venda e até causar perda financeira.

“Grande parte dos empresários desconhece as regras de negociações, o que dificulta saber em qual ponto começa a responsabilidade do importador e onde acaba a do exportador”, disse Maria de Fátima Sprogis, consultora especialista em comércio exterior do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).

O desconhecimento normalmente ocorre nas pequenas empresas, acrescentou Sprogis.

Erros freqüentes

Um dos enganos mais comuns, segundo a consultora do Sebrae-SP, ocorre em relação às vendas classificadas como FOB (free on board). O termo muitas vezes é utilizado de forma errada, por desconhecimento.

O preço da venda FOB é posto no porto e não na porta da fábrica, como imaginam vários empresários. Os custos internos (no território do país de origem da mercadoria) são pagos pelo exportador e embutidos no preço final.

Venda na porta da fábrica é classificada como “Exworqs”, na qual o importador arca com os custos totais de dentro do país.

“Atendi a um empresário que me procurou recentemente porque estava exportando e tendo prejuízo, sem entender por quê. Ele estava assumindo custos de R$ 700 por operação, que não eram dele”, contou.

O empresário classificou venda “Exworqs” como FOB e assumiu todos os custos do importador.

“Muitos cometem enganos de nomenclatura e pagam despesas que não deviam. Contratam o serviço, pagam as despesas e, como não incluem no preço final, fica por isso”, disse Sprogis.

No caso de uma venda “Exworqs”, o importador, sabendo que é preço de porta da fábrica, tomará as providências para arcar com os custos internos.

“Em negociações assim, o importador tem que ter representantes dentro do país de origem da mercadoria”, acrescentou Sprogis.

Essas nomenclaturas estão definidas nos Termos de Comércio Internacional (Incoterms, sigla em inglês).

Ainda segundo a consultora do Sebrae, o termo FOB é utilizado muitas vezes incorretamente. Ele só serve para embarque marítimo.

Para uma venda em que a mercadoria seja remetida por avião, o correto é utilizar “FCA”, por exemplo.

O que levar em conta

Para formar o preço de uma mercadoria exportada, é necessário considerar: valor do produto, da embalagem e, dependendo do tipo de negociação, os gastos com logística e documentos necessários para a operação.

Voltando ao exemplo FOB, o exportador deverá incluir nos cálculos do preço final: frete interno até o porto, serviço do despachante aduaneiro, a taxa SDA (cobrada pelo Sindicato dos Despachantes Aduaneiros ), despesas alfandegárias (armazenagem no porto e outros gastos no local), despesas financeiras (operações com bancos, para fechar contrato de câmbio, por exemplo) e emissão de documentos (como certificado de origem).

“É importante lembrar que esses custos não podem ultrapassar 10% do valor da mercadoria, senão elas ‘comem’ o lucro”, disse Sprogis.

Guadalupe Rengifo, proprietária da trading DWR , afirma que quando os custos citados no exemplo ultrapassam o percentual ideal para embutir no preço final, muitos exportadores e importadores combinam dividir os gastos — dependendo do tipo de negociação — para que a operação ocorra. Se esses custos forem muito elevados, o produto perderá a competitividade.

“Muitos enganos acontecem em pequenas empresas que enviam a exportação pelas vias simplificadas, como pelo Exporta Fácil, dos Correios, por exemplo”, acrescentou a consultora.

Quem vende por meio de Declaração Simplificada de Exportação (DSE) — serviço realizado por diversas empresas —, novamente dependendo da negociação, deverá embutir os custos desses serviços no preço final da mercadoria.


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