SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 08/06/2004
Autor: Agência Estado
Fonte: Agência Estado

Informalidade no Brasil é alarmante, diz estudo

A informalidade na economia adquiriu proporções alarmantes, indica estudo de quase 60 páginas produzido pela consultoria McKinsey a pedido do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). A informalidade afeta 39,8% do Produto Interno Bruto (PIB), índice que supera em mais de 20% a média de 133 países analisados em recente pesquisa do Banco Mundial; e 50% dos empregos não-rurais do País. No agronegócio a situação é mais dramática, 90% da força de trabalho está na informalidade. As constatações dessa pesquisa reforçam o levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que 9 milhões de trabalhadores não têm carteira profissional assinada.

Tais indicadores levaram o economista Eduardo Giannetti da Fonseca a situar o Brasil no mesmo grau de ''pesadelo'' que o Paraguai, com alta incidência do conjunto que compõe a informalidade, como sonegação, evasão e elisão de impostos, e falsificação, pirataria e contrabando de mercadorias. ''Em grande medida, o Brasil já virou um grande Paraguai'', comparou Giannetti, após participar do seminário ''Brasil Paralelo versus Crescimento Econômico'', realizado ontem, em São Paulo, pelo Instituto Etco. De acordo com o estudo da McKinsey, o conjunto da informalidade afeta mais os setores da construção civil, farmacêutico, varejo alimentício e combustíveis.

''A sonegação compensa, o crime compensa'', afirmou o presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, ao lembrar que a informalidade brasileira gera uma lucratividade de 300% às companhias, enquanto que, em países como o México, esse ganho não ultrapassa 75%. ''Não existe logística ou produtividade capaz de enfrentar o informal'', adicionou, ao informar ainda, com base no documento da McKinsey, que 54% do comércio varejista está na informalidade.

Na avaliação do economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Princeton (EUA), a informalidade no Brasil é um problema tão sério, que hoje é 40% superior à verificada em outros países que também enfrentam esse tipo de ilegalidade. ''Temos de reconhecer que o nível de informalidade no Brasil é muito alto, mas também precisamos reconhecer que as pessoas, sobretudo as de baixa renda e mais inseridas na informalidade, não têm confiança no Estado'', analisou, indicando que existe um ''aspecto cultural'' nesse problema e que qualquer reforma tributária futura terá de ser observada sob à ótica da informalidade. ''Essa é uma questão importante, senão o Brasil não vai progredir.''


Destaques da Loja Virtual
O QUE O CLIENTE QUER QUE VOCÊ SAIBA

O livro apresenta uma abordagem prática, porém, radicalmente nova para as vendas e para o desenvolvimento de novos negócios. A estratégia dessa nova a...

R$35,00