SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 20/07/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Professor destaca papel da empresa na estratégia de desenvolvimento

Evans estuda a relação entre o Estado e o empresariado. Na Índia, a presença do Estado foi fundamental para o desenvolvimento tecnológico

Peter Brandt Evans, da Universidade de Oxford: "enfoque deve ser global"
É preciso uma estratégia "anfíbia" para estimular o desenvolvimento indústrial brasileiro, defende o especialista americano Peter Evans, diretor do departamento de sociologia da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA). Ele aplaude a proposta de política industrial do governo Lula de privilegiar apoio aos setores de software, semicondutores, bens de capital e fármacos, mas alerta: "Trata-se de apenas uma parte do que deve ser feito. O enfoque não pode ser apenas setorial. O ator importante é a empresa", diz.

Para ele, a empresa brasileira deve ser estimulada a aprender a aproveitar o seu potencial. "Precisa saber se está agindo de maneira eficaz com relação ao mercado. O que o Estado pode fazer é ajudá-las a alcançar desempenho melhor, uma ação que passa pelas instituições públicas e pela conscientização da sociedade", frisa.

Ele defende a estratégia "anfíbia" a partir da constatação de que as empresas brasileiras não têm tradição de marcas globais (aquelas mundialmente consagradas) e também não podem contar com o diferencial do baixo custo de produção (pois nesse quesito a Ásia é imbatível, com mão-de-obra barata e qualificada).

Por isso diz que induzir desenvolvimento industrial significa união de diferentes fatores. "Uma parte na tecnologia no sentido amplo, outra na produção relativamente barata e outra na marca. Os produtos bem sucedidos brasileiros vão ter a característica de combinação de coisas", avalia.

Cita como exemplos a exportação de frangos brasileiros e o sucesso da Companhia Vale do Rio Doce. "Operam a combinação de recurso natural, sabedoria comercial, organizacional, de marketing que possibilitam a exportação.

O Brasil é um país onde empresas de pequeno e médio porte tem peso enorme e muitas sem capacidade de recolher informações sobre oportunidades. Essas informações, até um certo ponto, são um bem coletivo. O estado pode ajudar nesse processo de "inteligência" para as empresas realizarem seu potencial", diz.

Até o dia 23, o professor Evans ministra curso sobre Governabilidade e Política Econômica, no Instituto de Economia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele lança, amanhã, um livro em que compara os processos de industrialização, a partir da década de 60, do Brasil, Coréia e Índia. Ele explica que escolheu os três países pois apresentaram boas possibilidades para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, casos muito diferentes em termo do contexto social, político e econômico.

Evans estuda a relação entre o Estado e o empresariado. Na Índia, a presença do Estado foi fundamental para o desenvolvimento tecnológico. Fez investimento "esmagador" no capital humano no ramo tecnológico. "Além disso, criou organizações que eram empresas estatais incubadoras para experiências práticas", avalia.

Na Coréia, o processo foi semelhante. "O estado investiu na educação mas também participou da estruturação de grandes grupos, organizou a perspectiva para os ramos mais avançados e com mais desafios tecnológicos. O Estado indiano nunca conseguiu ser organizador e orientador do setor privado como na Coréia", comenta.

"No caso brasileiro todo mundo sabe que o Estado teve papel fundamental na industrialização até a década de 70 no governo Geisel. Mas nunca teve um poder político em relação ao setor privado comparado com o indiano na década de 50 e 60 ou o coreano na 60 até 70. O poder político do setor privado brasileiro sempre foi maior.

Mas Evans deixou a China de fora da análise. Explica que no período inicial estudado, a China estava com regime político muito diferente, por isso não caberia no esquema comparativo. "Acho que o Brasil construiu uma base industrial impressionante com relação a grande maioria dos países do sul e da América Latina", avaliou.


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