SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/07/2004
Autor: Ana Paula Bandeira
Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA

O desafio de gerar empregos

O que os concorrentes à prefeitura propõem para resolver uma das principais preocupações dos eleitores blumenauenses

O homem que substituirá o prefeito Décio Lima (PT) na administração de Blumenau terá pela frente um desafio respeitável: impulsionar a geração de empregos em uma cidade que ainda sofre os efeitos da crise enfrentada pelo setor têxtil nos anos 90.

Segundo dados do Sistema Nacional de Empregos (Sine), na última década o município gerou 13 mil postos formais, o que representou um crescimento de 17,5% no número de vagas no mercado de trabalho blumenauense. Este índice é preocupante, pois no mesmo período a população teve incremento de 22%. O Ministério do Trabalho e Emprego avalia que para haver um equilíbrio, o emprego deve crescer, pelo menos, na mesma proporção que a população.

Fenômenos complexos condicionam o desempenho da economia blumenauense. E o mais importante deles foram as mudanças no perfil da indústria têxtil - carro-chefe da economia blumenauense -, impactada pela abertura do mercado brasileiro a produtos estrangeiros, nos anos 90.

No espaço de uma década, a queda do número de vagas na indústria têxtil foi de 16,6%, o que significou a desativação de 2,7 mil vagas, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho. Por outro lado, no vácuo deixado pelas atividades das têxteis, entrou o setor de serviços, notadamente nos segmentos de informática e comércio. Juntos, empregaram 15 mil pessoas.

Queda do desenvolvimento econômico vem dos anos 80

Para o economista Ralf Marcos Ehmke, coordenador do curso de Economia da Furb, a falta de rumo da economia de Blumenau remonta aos anos 80. "A concentração industrial, que até então ficava em Blumenau, se expandiu para as cidades vizinhas", avalia. Desde então, Ehmke diz que o município vem numa série de descontinuidade de ações.

O economista avalia que o primeiro passo para a retomada do crescimento seria a cidade definir um Plano Estratégico. "Só assim saberemos o que queremos para a cidade nos próximos 20 anos", diz Ehmke, ao apontar que falta a Blumenau visão de longo prazo. "Hoje, cada governo que entra tem prioridades diferentes".

Atendente das Bases Estatísticas do Ministério do Trabalho, Osnildo Vieira Filho faz uma análise da geração de empregos comparada ao crescimento da população. O consultor explica que não há dados sobre a variação da População Economicamente Ativa (PEA) de 1994 a 2004, mas revela que o aumento em 20% no número de habitantes, conforme o IBGE, indica que a PEA teve crescimento maior

Perdas e ganhos

A perspectiva de uma empresa instalar uma unidade no Estado coloca os municípios em polvorosa. A disputa é para atrair o novo investimento, que pode significar geração de empregos e arrecadação de impostos. Mas para bater o martelo, os investidores colocam na balança a logística da cidade, os incentivos econômicos e benefícios fiscais, além de características como qualificação de mão-de-obra e qualidade de vida. Recentemente, Blumenau viveu embates deste gênero. O exemplo da instalação da Huvis/Sintecfil conta pontos a favor da cidade. Mas noutra disputa, Blumenau saiu atrás. O grupo japonês Takata-Petri, que chegou a analisar a hipótese de se instalar no município, optou por implantar a nova unidade em Piçarras.

Porque Blumenau

O divisor de águas que levou à instalação da fábrica de fios sintéticos sul-coreana Huvis-Sintecfil em Blumenau foi a logística da cidade. A maioria dos clientes da empresa (40%) está no Vale do Itajaí. E como Blumenau é conhecida como pólo da indústria têxtil, os executivos entenderam que a cidade estaria bem servida de mão-de-obra. "A empresa que depender de incentivos fiscais e outros benefícios do município para se instalar não vai à frente", avalia o diretor de projetos da Huvis, Márcio Bursoni. Ele diz que neste aspecto a empresa "ainda está batalhando". Bursoni se refere ao acesso ao distrito industrial, cuja proposta de asfaltamento ainda está no papel. Mas Bursoni reconhece o envolvimento do Executivo para a viabilização da empresa. Da prefeitura obtiveram benefícios fiscais, permuta do terreno e infra-estrutura, com terraplanagem do terreno e estrutura básica da área onde o distrito está sendo construído, na Itoupava Central. "Antes de vir para Blumenau rodamos cinco estados E 36 cidades. Todas ofereceram mais ou menos as mesmas coisas. Isso não foi, então, o diferencial", atesta Bursoni.

Porque não Blumenau

O grupo japonês Takata-Petri queria se expandir no Sul do país e para isso tinha quatro opções. Duas em solo catarinense. Blumenau estava no páreo por ser um centro têxtil - forneceria, então, mão-de-obra especializada - e por ter qualidade de vida para abrigar os executivos da empresa. Mas Rodrigo Ronzella, gerente-jurídico do grupo, conta que os empresários chegaram à conclusão de que a característica têxtil não é vantagem exclusiva de Blumenau, mas do Vale do Itajaí como um todo. E apesar da qualidade de vida, outras vantagens levaram as obras da filial que produzirá cadarços para cintos de segurança para Piçarras. A localização estratégica - às margens da BR-101 e dos portos de Itajaí e São Francisco do Sul - foi decisiva. "Além disso o custo dos imóveis em Blumenau é muito mais alto. Teríamos que investir mais para ter uma área do mesmo tamanho", justifica Ronzella.

As propostas

Quem conquistar nas urnas o direito de governar Blumenau até 2008 terá de administrar o fenômeno geração de emprego e renda. A pouco mais de dois meses do pleito, os seis postulantes ao cargo já dispõem de propostas para enfrentar o problema. Veja abaixo alguns pontos ressaltados pelos candidatos.

Dari Diehl (PSTU) - O representante do PSTU pretende usar trabalhadores locais nas obras realizadas na cidade, em vez de repassá-las a empreiteiras. Dari avalia que assim será possível gerar mais empregos e reduzir o custos das obras. Fala também em criar mais escolas e cursos técnicos, usando para isso o dinheiro repassado a bancos como pagamento de dívidas. O plano de governo inclui a criação de conselhos populares, nos quais a população teria direito a intervir no uso de 100% do orçamento da prefeitura, além de incentivar a abertura de micro e pequenas empresas, subsidiando especialmente pessoas desempregadas e dando incentivos fiscais a quem quer investir na economia familiar. Pretende também oferecer recursos a fundo perdido a produtores rurais.

Edson Adriano (PT) - O candidato petista aposta que o desenvolvimento está atrelado à valorização da capacidade empreendedora de micro e pequenos empresários do município. Ele pretende alavancar o desenvolvimento econômico através de quatro macro áreas: pólo da moda (agregando valor à atividade têxtil), pólo de informática, economia solidária (através de cooperativas, estímulo ao trabalho artesanal e agrícola) e turismo de eventos (apostando no Ciefe para alavancar esse tipo de turismo, que é o que mais condiz com as características da cidade). O petista também propõe a implantação do Programa Começar de Novo, para requalificação e reintegração de pessoas com mais de 40 anos ao mercado de trabalho. Aposta também na atração de grandes empresas, oferecendo condições de infra-estrutura e tributos, além de estimular o setor de serviços.

Ismael dos Santos (PL) - O concorrente destaca que geração de renda e crescimento econômico integram o primeiro item de seu plano de governo. Ele propõe a criação de um Banco de Empregos ao estilo Sebrae e a criação do Balcão do Empreendedor (atendimento especial a quem quer investir na cidade). Ismael afirma considerar papel do prefeito estabelecer contato direto entre o poder público e entidades da sociedade, como sindicatos e associações. A proposta inclui revisão da carga tributária (especialmente entre a classe dos profissionais liberais) e flexibilização do Plano Diretor, incentivando a expansão de empresas. Na área de turismo de eventos, quer estabelecer ao menos 200 eventos por ano em Blumenau. Como administrador, Ismael diz que o foco do desenvolvimento econômico de Blumenau está na indústria do software. Pretende criar cooperativas para alavancar o comércio e envolver os pequenos empresários, além de dobrar o número de vagas nos cursos profissionalizantes da cidade.

Ivan Naatz (PV) - O concorrente do Partido Verde pretende sustentar a geração de empregos em três pontos: criação de cooperativas, escolas técnicas e incentivo à indústria da moda. Ele pretende terceirizar as atividades da prefeitura, implantar três escolas técnicas - nos bairros Garcia, Itoupava Norte e Velha -, agregar o turismo empresarial ao agroturismo, incentivando os empresários que vêm a negócios à cidade a se instalarem em hotéis-fazenda, e aproveitar mão-de-obra local nas áreas de alta tecnologia, como informática. Naatz fala ainda em incentivar, através de isenção fiscal, a consolidação das empresas já instaladas na cidade. E adianta que não vai oferecer incentivos a grandes empresas que queiram se instalar em Blumenau, acreditando que, além de gerar poucos empregos por causa da alta tecnologia, imprimem concorrência desleal com as empresas locais.

João Paulo Kleinübing (PFL) - O pefelista ressalta a importância de estimular o espírito empreendedor nas empresas existentes e atrair investimentos através de política tributária - não aumentar o valor dos impostos e sim ampliar a arrecadação trazendo mais empresas para a cidade, além de rever a forma de cobrança dos impostos -; revisão do processo burocrático que envolve a abertura e manutenção de empresas, como trâmites para conseguir alvarás; e estabelecer o papel do prefeito como vendedor da cidade - para divulgar o nome de Blumenau, buscar empreendimentos e manter contato direto com investidores. Na área do empreendedorismo, Kleinübing fala em buscar formas de financiamento para talentos da área da informática que saem das universidades, e criar incubadoras para pequenas empresas. O candidato diz que o turismo pode ser alavancado com a integração regional. O Ciefe seria a mola propulsora para o resgate do turismo de eventos.

Vilson Souza (PSDB) - O candidato promete colocar toda a administração pública a serviço da geração de empregos. Além de desburocratizar trâmites para a abertura de pequenas empresas, ele adianta que vai rediscutir o Plano Diretor do município, que em sua avaliação dificulta a abertura de empresas em alguns pontos da cidade. Souza propõe o envolvimento com a educação será na forma de parceria com a universidade no sentido de oferecer mais cursos na área de informática e eletrônica, além de implantar cursos de doutorado (como forma de trazer profissionais especializados para Blumenau). Na área de turismo, o tucano pretende consolidar a cidade como Centro de Turismo do Vale. Para isso diz que é preciso ordenar e divulgar o setor, além de incentivar as construções enxaimel. A divulgação da cidade se estende também como forma de atração de empresas. Para Souza, disseminar a logística, qualidade de vida, opções na área da educação, além de oferecer a infra-estrutura da cidade, atrairá grandes empreendimentos.

O que o futuro prefeito de Blumenau deve fazer para gerar mais empregos?

"Incentivar a área cultural e trazer turistas. Isso vai incrementar o comércio local." - Jefferson dos Santos, 18 anos, auxiliar administrativo

"Estimular os empresários a investirem em suas empresas. Assim eles vão contratar mais gente." - Adriana Tomio Amaral, 25 anos, secretária

"Deve incentivar o turismo. Há lugares belos de Blumenau que não estão sendo valorizados." - Rafaela da Cunha, 19 anos, estudante

"Deve buscar novas empresas para a cidade. Isso vai gerar empregos." - Ronaldo Danski, 20 anos, estudante

"A esfera municipal pode fazer pouca coisa, mas pode dar incentivos fiscais e infra-estrutura." - Roberto Del Sent, 29 anos, funcionário público

"Promover mais oportunidades para os estudantes trabalharem, mesmo sem ter experiência." - Sabrina Bewiahn, 17 anos, estagiária


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