SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 27/07/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Reconhecer oportunidades é a base de um bom negócio

Na opinião de Julian Lange, professor do Babson College, de Boston, paixão por um projeto é fator primordial.

O professor Julian Lange é um empreendedor por definição. No fim dos anos 70, sua empresa, a Software Arts, criou a primeira planilha eletrônica do mercado, o VisiCalc, antecessor de programas mais famosos como o Lotus, por exemplo. Hoje, ele faz da iniciativa empresarial uma disciplina acadêmica no Babson College, de Boston (EUA), um dos principais centros de ensino de empreendedorismo no mundo. Na semana passada, Lange esteve em São Paulo para uma palestra e concedeu entrevista ao Valor.

Em uma pesquisa do Babson em parceria com a London Business School, o Brasil foi classificado como o sexto país mais empreendedor do mundo em 2003. Estima-se que existam, no país, 14 milhões de empreendedores. No início de agosto, o Babson realiza no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, um curso para empreendedores que terá seqüência no fim de novembro na faculdade em Boston. Leia trechos da entrevista concedida por Lange.

Valor: Quais as características que os executivos devem reforçar ou minimizar para se tornar um bom empreendedor?

Julian Lange: Claro que não há uma receita pronta. Mas um elemento essencial é a capacidade de reconhecer uma oportunidade. Uma boa chance não cai no colo, é preciso correr atrás dela e saber formatá-la. Um bom empreendedor também nunca deve ter vergonha de defender seu produto, mesmo que seja uma novidade da qual o mercado ainda nem sente necessidade. Outra vantagem é a habilidade de tolerar o risco e a volatilidade nos negócios. Um aspecto importante que abordo em meu curso é o tratamento dispensado pelas grandes companhias aos seus executivos mais empreendedores. É absolutamente normal que um funcionário com essa característica cometa um determinado número de erros e fracassos ao longo da carreira. É preciso encorajá-lo da maneira certa e tirar dos erros o máximo de informações úteis para a empresa.

Valor: É possível educar um executivo para torná-lo empreendedor ou é preciso haver uma certa aptidão de base?

Lange: A paixão pelo projeto é o tal fator de base que não pode ser ensinado. Mas a partir daí, podemos sempre analisar as experiências de empreendimentos anteriores, ver o que deu ou não certo e ensinar técnicas que aumentem suas chances de sucesso. Alguns executivos descobrem sua visão empreendedora ao longo do curso, a partir do exemplo de antigos empresários. O oposto também acontece. Executivos que chegam ao fim do curso tendo descoberto que não tem a mínima visão empreendedora.

Valor: E o que acontece nesses casos? Como os executivos reagem?

Lange: Isso se torna informação valiosa para um redirecionamento de carreira. Não há nada de errado nisso. Precisamos de executivos de todos os tipos no mercado, não apenas de empreendedores. E há ainda um terceiro caso, o dos alunos que se dizem pessoas sem nenhuma visão. Alguns anos depois de terem terminado o curso, abro minha caixa postal e encontro um e-mail com convite para visitar o site de uma nova empresa de um aluno que achava não ter visão de negócio. Isso mostra que ele aprendeu a reconhecer uma boa oportunidade.

Valor: Podemos comparar o empreendedor brasileiro com profissionais de outros países?

Lange: Fizemos um levantamento com a ajuda de alunos brasileiros para avaliar como os CEOs de companhias locais se relacionam com os investidores. Eles estavam satisfeitos com a atuação deles e equiparavam com a dos investidores europeus. Os investidores brasileiros também se revelaram mais preocupados em ajudar empresas com poucos anos de vida. Fiquei com uma boa impressão dos executivos brasileiros que conheci nas reuniões do MIF (Multilateral Investment Funds). Eles pareciam ter estratégias e senso de oportunidade muito parecidos com o dos empreendedores americanos, que sempre buscam novos parceiros para investimentos, dividem informações, reúnem-se em qualquer lugar do mundo para se atualizar.

Valor: O senhor presta consultoria para o governo de New Hampshire, próximo a Boston. Qual a avaliação desta experiência?

Lange: O que fizemos foi desenvolver uma série de workshops para cerca de 1.200 empreendedores da região. Em uma segunda etapa, promovemos um concurso em que os projetos de negócios eram avaliados por especialistas e distribuímos US$ 250 mil em prêmios para começar a tocar o negócio. Tivemos cerca de 200 planos inscritos. Outra grande ação foi aumentar o comprometimento do governador nessa estratégia. Era importante que os empreendedores envolvidos o vissem como o CEO do governo, alguém que administra o poder público como se fosse sua própria empresa.

Valor: Quais os empreendedores que o senhor mais admira?

Lange: Não posso deixar de citar Bill Gates, que tomou grandes iniciativas, especialmente nos primeiros anos da Microsoft. É um executivo com capacidade de trabalhar de acordo com o ambiente à sua volta ao mesmo tempo em que ajuda a mudá-lo. Também admiro Jeff Bezos, criador da Amazon. Pouca gente sabe, mas ele trabalhava como administrador de um fundo de investimentos em Nova York antes de criar a maior livraria virtual do mundo. Seu grande mérito foi ter sido o primeiro a fazer a seguinte a pergunta: "O que a internet pode me ajudar a fazer melhor e mais rápido do que eu já faço hoje na vida real?"


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