SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 17/08/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Empreendedores sobreviventes

Um fato alarmante - mais de 50% das empresas sucumbem antes de 2 anos de vida - foi manchete de 10 em 10 revistas e jornais de negócios na semana passada

Na semana que passou o Sebrae divulgou novos dados sobre o empreendedorismo em nosso país. Sempre é bom ter mais dados e conhecer mais sobre essa atividade mas, por outro lado, é preciso ler os dados e saber "ler" os dados também.

Um fato alarmante - mais de 50% das empresas sucumbem antes de 2 anos de vida - foi manchete de 10 em 10 revistas e jornais de negócios na semana passada.

Certa vez, uma empreendedora de muito sucesso me contou uma história que vale relembrar. Ilustra bem meu ponto. Ela analisava com seus sócios uma pesquisa que falava do universo de negros no Brasil.

O estudo mostrava que o negro ainda é a parcela menos favorecida da população, ressaltava que ainda existe uma enorme discriminação racial (disfarçada) em nosso país, exaltava todos os problemas do grupo e dizia que apenas uma pequena parcela deles tinha acesso a uma vida decente.

Todos na mesa lamentavam o fato, afinal de contas ninguém em sã consciência gosta de constatar nossas mazelas assim em números crus e nus.

Minha amiga, grande empreendedora repito, resolve levantar uma questão, para surpresa de alguns: "Ok, esse x por cento é muito baixo, concordo, mas de quantas pessoas estamos falando?". Um de seus sócios responde: "uns 5 a 7 milhões". Conclusão? Criaram a primeira revista brasileira voltada para esse público. Sucesso total.

Meus pontos? Em primeiro lugar, vale colocar que quase 50% das empresas novas passam de dois anos! Quantos empregos, quanta riqueza, quantas oportunidades estão sobrevivendo a esse período? E o que as empresas (poucas, claro) que passam dos três, quatro ou cinco anos representam para o país? O que elas representam para a inovação? Quantas Naturas, Votorantims e Gerdaus morreram pelo caminho? 50% nos primeiros 2 anos, segundo o estudo. Mas qual o papel de uma Natura, de uma Votorantim ou de uma Gerdau, ou seja, das que passaram pelo crivo? Enorme, a meu ver.

Importantes não só em termos econômicos ou sociais, mas em termos de futuro, de auto-estima, de orgulho e de atitude nacional.

Em contra-ponto a uma manchete de revista que diz: "2,4 milhões de postos de trabalhos foram fechados", eu perguntaria: "e os outros dois milhões criados, o que se diz deles?" Quem mais criou (ou é capaz de criar) dois milhões de empregos? As grandes empresas? O governo?

E, como provocação final, o que ocasiona para nosso país a divulgação de um dado sob essa ótica negativista?

Os índices também são altos ao redor do mundo

Há anos venho buscando informações a respeito das taxas de mortalidade de empresas novas em outros países.

O dado, por incrível que pareça, não está muito disponível mas, assim mesmo, pude verificar que as taxas de mortalidade em países mais desenvolvidos são menores do que as nossas.

Nenhuma novidade, a meu ver. Todos os nossos índices - com raríssimas exceções - são piores do que no primeiro mundo.

Mas, como era de se esperar (ao menos para mim), os índices de mortalidade de empresas ao redor do mundo são bastante altos também.

Se por terras tupiniquins a taxa é de algo como 50%, em outros países ela vai de 20% a 40%, conforme uma das revistas que repercutiu o estudo do Sebrae.

Vamos assumir a média de 30%. Cerca de um terço das empresas novas ao redor do mundo não sobrevive a dois anos.

Por aqui, metade sucumbe. É mais, mas não é algo que pode nos afugentar do empreendedorismo ou, como acontece sempre, jogar a nossa auto-estima no ralo.

Pode? Quebramos mais empresas novas porque somos um país em desenvolvimento, temos governos malucos, mudamos as regras do jogo em demasia, temos níveis de corrupção elevados, crédito de menos, somos jovens como empreendedores etc. E não porque nossos empreendedores simplesmente são menos capazes ou mais malucos que os outros. Podemos melhorar esses índices, claro, mas é importante relativizar as coisas.

Me parece um tanto quanto óbvio imaginar que uma "boa" parcela das novas iniciativas não sobrevive por muito tempo, não é? Quantas GMs, Microsofts ou Intels existem no mundo? Uma? Duas? Três, em alguns casos. Nos anos 30, por exemplo, existiam cerca de 300 fabricantes de automóveis no EUA. Hoje?

Não sou um Polyana e não quero mostrar o lado bom que existe em tudo, muito pelo contrário. Quero apenas saber olhar o outro lado, o verso dos números, como tão bem fez minha amiga empreendedora.

Se aceitamos a versão do fracasso e não nos questionamos que um copo meio vazio também está meio cheio, mais uma vez podemos ficar no lugar comum e deixar nossos empreendedores em seu lugar de sempre: malucos, insensatos, que não sabem que rumam contra um muro de concreto e que teimam em vão.

Não compro essa simplificação. Não perco minha energia pela causa. Fico com os quase 50% que sobreviveram!


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