SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 31/08/2004
Autor: Luís Alberto Lobrigatti
Fonte: DIÁRIO DE SÃO PAULO

Onde está afinal, o lucro da empresa

"Tenho a devida atenção com os custos e principalmente com a determinação do preço de venda, inclusive contemplando uma significativa intenção de lucro. Até o volume de vendas tem sido satisfatório, mas... não consigo saber se realizei o lucro intencionado e, se realizei, muito menos sei 'onde está ¿." Algo nesse sentido é peculiar as suas sensações? - Então é preciso saber algo mais sobre o que vem acontecendo na empresa e, com isso, descobrir que fim está tendo o Lucro gerado. A maioria das empresas são lucrativas, o nosso dia-a-dia tem demonstrado isso. O que não acontece com facilidade é ter o valor do lucro gerado nas vendas disponível no caixa. E isso ocorre pelos motivos que comentaremos:

a) Crescimento de Estoques: O lucro é gerado através do que é vendido, por isso qualquer quantidade de produtos, mercadorias, matérias-primas e materiais que permaneçam em estoque, ou seja, que não foram vendidos, prendem no estoque, literalmente, o lucro gerado nas vendas. É normal, mas não deveria ser; sobrar no estoque parte do que foi comprado, qualquer que sejam os motivos. Afinal o que não foi vendido também terá que ser pago com dinheiro dos itens que foram comercializados, e é aí que uma fatia do lucro vai parar nos estoques. Agora, é preciso sempre boas práticas de compras, e também de cuidados com o estoque, tanto quanto a conservação do que estiver estocado quanto de ações que contribuam para vender logo os excessos encalhados de estoques. Agindo assim estará fazendo com que o lucro possa estar disponível no caixa. Ah! Fique atento com perdas, roubos, prazo de validades, etc., pois quando isso ocorre o lucro está sendo perdido e não tem como ser recuperado. Outra dica é com relação ao fato de usar para consumo próprio qualquer item do estoque. O correto seria pagar de fato por esses itens, afinal, o caixa da empresa pouco tem haver com as necessidades da pessoa física, sejam os donos e/ou funcionários.

b) Política de Vendas a Prazo: Nenhuma empresa é obrigada a vender a prazo. Mas por questões estratégicas de competitividade isso pode ser preciso, e enquanto não recebe dos clientes, precisa pagar as compras e as despesas em geral, por esse motivo o Lucro pode estar retido no popularmente chamado, "contas a receber". Pronto, só isso já é um motivo e tanto para entender que quanto mais valores a receber em função de mais vendas a prazo e/ou do aumento dos prazos de recebimentos, mais tempo e mais valor de lucro permanecerá nas mãos dos clientes. Outro motivo, e esse já mais preocupante, é a inadimplência. Teoricamente, quando o cliente paga suas compras, ele está possibilitando também o retorno do lucro para a empresa. Agora, quando o calote é decretado, então o lucro, aí sim, se foi, e a perspectiva de recuperá-lo será muito mais difícil. É! O valor da inadimplência corresponde integralmente ao valor do lucro perdido. Portanto, cuide do montante das vendas que serão realizadas com prazo de recebimento, assim como dos prazos que serão concedidos e também das formas e garantias de recebimento. Dê crédito a quem merece crédito, mas garanta-se do recebimento.

c) Investimentos: Outro paradeiro do Lucro. Muitas vezes investimentos são realizados e pagos de uma só vez ou mesmo em vários pagamentos. Quando não são os donos que colocam o capital para os investimentos, entendemos que estes foram pagos pela própria empresa, daí, nesse caso, o Lucro foi utilizado para os investimentos. E de muitas maneiras isso pode ter ocorrido, por exemplo, com empréstimos ou financiamentos tomados de instituições financeiras e cujas parcelas ou valor total serão quitados com recursos financeiros da empresa. Entendeu? Compra-se uma máquina, paga-se parcelas com o dinheiro da empresa, daí entender que o Lucro foi utilizado em investimentos. Nesse caso estamos admitindo que nenhuma outra conta deixou de ser paga. Outra situação muito freqüente é emprestar recursos para Capital de Giro; é também um investimento e quando pago através do caixa da empresa, interprete como tendo utilizado lucro. Nesse caso, os cuidados são para o planejamento dos investimentos, pois estes não podem ser realizados comprometendo, por exemplo, o giro. Lembre-se: antes o lucro pode ter sido retido nos estoques e em vendas a prazo (contas a receber).

d) Sazonalidades de Vendas: Por fim, mais um destino do lucro, tão cruel quanto às perdas e à inadimplência, pois retrata os meses em que a empresa não faz vendas suficientes para as despesas, inclusive provisão e 13o. salário/Férias, manutenções, etc. Nesse caso, o lucro dos meses com vendas satisfatórias é utilizado para cobrir o prejuízo de outros meses. Tenha sempre outras alternativas para tentar driblar sazonalidades, como promoções, venda de outro tipo de itens ou serviços, etc... ou então, ao menos faça reserva de recursos através de provisões para que não seja preciso gastar muito mais com despesas financeiras. Entendidos e solucionados esses quatros mais relevantes motivos de utilização do Lucro certamente será possível tê-lo em caixa. E ainda assim planejar bem a questão de distribuição aos sócios investidores, considerando, inclusive, novas necessidades de investimentos, que poderão ser realizados com o Lucro obtido nas vendas.


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